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Entenda porque motoristas de aplicativos estão cancelando corridas

Crédito: Uber/Divulgação

Motoristas justificam cancelamentos em função do baixo faturamento mensal (Crédito: Uber/Divulgação)

O aumento no preço dos combustíveis está levando muitos motoristas de aplicativos a cancelarem corridas que na ponta do lápis não valem a pena financeiramente. Além disso, os trabalhadores reclamam dos baixos ganhos mensais e dos repasses das empresas de tecnologia de transporte.



“Muitos relatam que não recebem aumento no repasse, e isso prejudica muito os motoristas, que já pagam um preço alto pelo combustível. Tentamos negociar, conversamos bastante com a Uber, mas a 99 só faz propaganda televisiva para agradar aos passageiros”, critica Eduardo Lima de Souza, presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp)

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A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou nesta quarta-feira (20) um levantamento de preços de combustíveis. O maior valor foi registrado em Bagé (RS): R$ 7,49 o litro da gasolina comum. O  menor valor é de Cotia (SP): R$ 5,29. A agência ainda divulgou que o preço médio do etanol aumentou em 18 estados e no Distrito Federal, com preço médio de R$ 4,819.

Outros problemas que afetam os motoristas são os valores de manutenção dos veículos, as longas jornadas, principalmente de quem aluga carro para trabalhar com aplicativos, e detalhes como o deslocamento até o passageiro antes de iniciar uma corrida, que também é custeada pelo motorista.



O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que havia 1,3 milhão de motoristas de aplicativos em 2019, antes do início da pandemia causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Em 2021, o número caiu para 1,1 milhão. No início deste mês, o instituto divulgou que há 1,4 milhão de motoristas, que representam 31% dos 4,4 milhões de trabalhadores do setor de transporte, armazenagem e correio no Brasil.

Os dados indicam que houve uma queda na demanda pelos serviços de transporte por aplicativo no início do isolamento social. Esse cenário, no entanto, mudou rapidamente. O Datafolha indica que o serviço é considerado o segundo meio de transporte mais seguro na pandemia (35% dos entrevistados), atrás apenas das bicicletas (38%). Entre os critérios avaliados estão grau de aglomeração, segurança, facilidade de acesso e risco de contaminação.

O Datafolha ainda divulga que 40% dos brasileiros da classe C passaram a usar carros por aplicativo com mais frequência e que 31% aderiram à modalidade durante a pandemia.

Segundo a Uber, a demanda crescente acentua-se ainda mais com o avanço da vacinação e a reabertura progressiva das atividades. A empresa justifica o número maior de cancelamentos devido ao aumento da demanda de passageiros. A empresa ainda afirma que busca soluções para resolver o problema.

“A Uber vem implementando iniciativas adicionais que buscam promover o reequilíbrio do mercado no curto e no longo prazo. Nos momentos de desequilíbrio localizado, o mecanismo de preço dinâmico entra em vigor automaticamente. A ferramenta é eficiente porque, por um lado, faz alguns usuários adiarem a viagem à espera de um preço menor e, por outro, aumenta os ganhos dos motoristas para incentivar que mais parceiros se desloquem para atender aquela região. O preço dinâmico é temporário e atualizado constantemente, por isso, a dica para os usuários é esperar algum tempo antes de verificar o preço novamente no aplicativo”, informa, em nota, a Uber.

A Uber diz que a taxa de serviço cobrada dos motoristas tornou-se variável em 2018 e que divulga, semanalmente, quanto foi cobrado dos motoristas.

Outra gigante do mercado, a 99, que possui 750 mil motoristas cadastrados em todo o País, também ressalta o aumento na demanda dos usuários e diz que adota algumas medidas para evitar o desgaste do motorista e o repasse dos aumentos ao consumidor final.

“A 99 reajustou os ganhos dos motoristas parceiros entre 10% e 25% nas 1.600 cidades do Brasil onde a empresa opera. A iniciativa oferece mais ganhos aos motoristas e, ao mesmo tempo, mantém a acessibilidade e oferta do serviço aos usuários, uma vez que a maior parte deste aumento para os motoristas está sendo subsidiada pela empresa, não refletindo, portanto, no preço final ao passageiro”, explica a 99, que ressalta que há um teto de 30% no valor das corridas repassados à empresa.

Iniciativas das empresas

A 99 lançou o programa Mais Ganhos, que prevê o repasse integral do valor da corrida aos parceiros em localidades e horários específicos, que já representou ganhos extras de mais de R$ 10 milhões para os condutores. Outra medida implementada pela 99 a todos os motoristas é o desconto de 10% nos postos Shell, o que já gerou uma economia de R$ 5 milhões aos motoristas parceiros.

Já a Uber realizou diversas ações neste ano, como dar 20% de cashback aos motoristas do abastecimento de carros, uma ação pontual. Uma permanente é o cashback de 4% para quem abastece com o aplicativo Abastece Aí (Android e iOS) nos Postos Ipiranga. Essa economia foi estimada pela empresa em R$ 500 por ano aos motoristas.

“Com o aumento constante dos combustíveis, a Uber também vem intensificando esforços para ajudar os motoristas parceiros a reduzirem seus gastos, com parcerias que oferecem desconto em combustíveis, por exemplo, assim como tem feito revisões e reajustado os ganhos dos parceiros em diversas cidades”, diz a Uber.


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