Semanal

Entenda como inflações em alta no mundo podem agitar o mercado de juros

Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: mercado espera divulgação de índices de inflação no Brasil e nos Estados Unidos e questiona atuações do BC e do Fed (Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)



Na quarta-feira (10) serão divulgados dois indicadores importantes: a inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Por aqui, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve divulgar a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro.

A expectativa dos especialistas é uma taxa ao redor de 1,05%, o que deve elevar o IPCA acumulado em 12 meses para 10,45%. Considerando-se que a meta de inflação, com a tolerância de 1,5 ponto percentual, permitia um máximo de 5,25%, falta pouco para o Brasil repetir as palavras da ex-presidente Dilma Rousseff: após atingir a meta, dobrar a meta.

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O BC já jogou a toalha com relação à meta deste ano. No entanto, a meta de inflação para 2022 permanece em 3,5%, com a mesma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que significa um máximo tolerado de 5,0%. E a meta do ano que vem também já está correndo riscos.



Na edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na segunda-feira (8), a expectativa de inflação para 2022 subiu para 4,63% ante 4,55% na semana anterior e 4,17% quatro semanas antes. Nesse ritmo, em duas semanas a inflação esperada pelo mercado – que baliza a curva de juros no mercado futuro e a política de remarcação de preços pelas empresas que podem alterar suas tabelas – já vai romper, novamente, o teto da meta para o ano. Não por acaso, a taxa de juros esperada pelo mercado para dezembro de 2022 já está em 11% ao ano.

Nos Estados Unidos, o Bureau of Labor Statistics (BLS), equivalente americano do IBGE, deve divulgar o Consumer Price Index (CPI) referente a outubro. O percentual esperado é de 0,4%, o que deverá elevar o CPI acumulado em 12 meses para 5,8%. Para comparar, a inflação acumulada em 12 meses em outubro de 2020 era de 1,4%.

Em ambos os casos, a confirmação de inflações aceleradas deve provocar solavancos no mercado. Começando pelos Estados Unidos. Desde o início da pandemia, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, vem atuando de forma deliberadamente leniente com o aumento de preços.


Há razões de sobra na literatura econômica para que isso ocorra. O melhor exemplo de livro texto tem, assim como a “gripe espanhola”, de 1919, quase um século de história. Em 1929 o Fed contraiu a liquidez em um momento de crise, e provocou a pior retração econômica do século. Em 2008, durante a crise do subprime, o Fed injetou US$ 1,5 trilhão na economia. Muitos bancos sofreram, mas a economia real passou relativamente ileso pela crise.

Durante a pandemia o Fed repetiu a lição aprendida 12 anos antes e injetou dinheiro em profusão no mercado, não se importando com a alta dos preços. Passada a necessidade de medidas de restrição econômica, os especialistas do mercado questionam até quando o BC americano será paciente com a alta de preços. Por isso, uma inflação americana acima do esperado na quarta-feira sem uma consequente atuação do Fed pode colocar ainda mais pressão de alta sobre os juros americanos no mercado futuro.

Qual a conclusão disso? Em um cenário incerto, essa entidade conhecida como mercado busca se proteger. Não é maldade, apenas prevenção – o dinheiro tende a ser uma criatura nervosa. Vale para Wall Street, vale para a Faria Lima. E o fato de o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, ter declarado ao jornal japonês Nikkei Asia que “poderemos aumentar a Selic em mais de 1,5 ponto percentual se for necessário”, apesar de a Ata da reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) ter antecipado esse percentual também não ajuda na formação de expectativas. Ou seja, mais turbulência à frente.







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