Entenda como a guerra impacta o ESG

Crédito: The Vegan Monster/Pexels

Neste período de restrições devido à crise de saúde, muitas lideranças mundiais empresariais transformaram a sua visão para buscar um lucro não a qualquer custo e a qualquer preço (Crédito: The Vegan Monster/Pexels)



O ano tinha um tom para ser promissor, depois de dois anos em uma crise pandêmica com todos os movimentos econômicos andando em câmera lenta ou naufragando, as projeções estavam positivas e as bolsas de valores começando a “esquentar”. Os passos de recuperação econômica ao longo dos próximos anos já estavam traçados para o tão “almejado” crescimento.

Neste período de restrições devido à crise de saúde, muitas lideranças mundiais empresariais transformaram a sua visão para buscar um lucro não a qualquer custo e a qualquer preço. Por exemplo, o CEO da Black Rock, Larry Fink, em suas cartas anuais a outros presidentes de empresas tem colocado a importância do ESG na gestão e nos investimentos. Este líder empresarial tem uma influência grande, pois gerencia a maior empresa do mundo de investimento. Para se ter uma ideia, se a empresa fosse um país, esta organização estaria atrás somente dos do PIB dos EUA e da China em valores que ela gerencia. Segundo a Bloomberg Professional Services, os investimentos focados no ESG, acrônimo para Environmental, Social e Governance, movimentaram em 2021 cerca de 30 trilhões de dólares, e pode chegar a U$ 53 trilhões em 2025.

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Mas, no meio deste movimento de mais consciência global, acontece uma guerra e uma invasão que já foi repudiada por toda a comunidade internacional e oficialmente pela convenção das Nações Unidas. As guerras, segundo alguns historiadores, são uma das formas de buscar um crescimento econômico mais rápido. Basta buscar nos livros de história do mundo que, após muitas crises mundiais, surgiram guerras e conflitos para que se pudesse fabricar mais armas, mais foguetes, mais tanques e assim por diante. “Movimentar” a economia de uma outra forma. Ou ainda, para buscar a “riqueza” em outro espaço, que não seja o seu. Derramando sangue para conquistar mais territórios a qualquer custo e preço.




Pois é, esse jeito não tem nada a ver com a evolução com que os seres humanos estão trilhando ao longo dos séculos. É realmente um passo atrás no que já conquistamos com a Declaração Universal do Direitos Humanos ou ainda no acordo mundial da busca da Agenda 2030 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

E tudo isso está afetando diretamente muitas e muitas companhias no mundo inteiro.

Estamos acompanhando empresas de mídias sociais que foram proibidas ou limitadas na Rússia, gerando muitas perdas financeiras e de liberdade de expressão; movimentos de bloqueio de bens como mansões e iates de milionários russos; e os EUA indo atrás de transações ilegais e corrupção destes milionários e suas empresas.


Além de todos os movimentos novos de logística e transporte que, neste momento, estão bloqueados nesta zona de conflito, dificultando a entrada e saída de insumos e materiais para a Europa e região. Com as sanções econômicas à Rússia, o panorama de commodities, energia, transações financeiras, o mercado local e até as milhares de fábricas de multinacionais lá existentes precisa ser repensado.

Ainda estamos no meio do conflito, mas muitas decisões empresariais estão sendo tomadas urgentemente. Que neste momento de pensar em mudanças e plano de ações emergenciais, as questões ambientais, sociais e de governança sejam implementadas, buscando o verdadeiro desenvolvimento sustentável e a Paz.

Marcus Nakagawa
* Marcus Nakagawa é autor, palestrante e professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador da Abraps e da Plataforma Dias Mais Sustentáveis. Autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos, Administração por Competências e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019).
www.marcusnakagawa.com
@ProfNaka (Crédito:Divulgação)







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