Ciência

Entenda a polêmica sobre a dose de reforço e seu poder contra a Ômicron

Crédito: Pixabay

As doses de reforço das vacinas devem ajudar os governos a combater o ressurgimento da Covid e retardar o avanço da Ômicron (Crédito: Pixabay)

A campanha de vacinação entrou na fase de reforço e os últimos estudos de algumas farmacêuticas apontam que essa dose extra é um ativo muito importante no combate ao ressurgimento da pandemia – atualmente com mais força na Europa – e na prevenção contra casos graves da variante Ômicron.



Há três semanas o Ministério da Saúde anunciou que iria reduzir o intervalo mínimo entre as segundas e terceiras doses para reforçar os anticorpos dos vacinados contra a Covid-19. Alguns locais, como São Paulo, resolveram diminuir ainda mais o intervalo, estabelecendo um período de 4 meses entre uma dose e outra.

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A iniciativa, inclusive, fez com que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pedisse a reavaliação da medida adotada inicialmente na capital paulista. A leitura do órgão é de que não existem dados indicando que os benefícios da antecipação superam potenciais riscos de uma aplicação diferente do que consta na bula do dos imunizantes.

Raquel Stucchi, infectologista professora da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), critica a decisão da secretaria paulista pelo fato de que, em um período menor do que 5 ou 6 meses entre as doses, os níveis de anticorpos ainda estão elevados e o ganho potencial com uma redução adotada por São Paulo tende a ser menor lá na frente (ver mais abaixo).

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Mistura de vacinas no reforço

Alguns estudos indicam que a mistura de vacinas é o mais recomendável neste momento de aplicação da dose de reforço. Os dados apontam que alternar as vacinas dos laboratórios potencializam os anticorpos e aumentam o nível de proteção dos imunizados, principalmente entre quem recebeu AstraZeneca ou Coronavac na primeira parte do esquema vacinal.

“Quanto mais alto os anticorpos, mais prolongada é a proteção também”, completa Raquel Stucchi.

Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e membro do Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Renato Kfouri afirma que o esquema de mistura é uma forma de gerar resposta imune mais robusta. Apesar disso, os dados também indicam, segundo o especialista, que não existe situação em que manter o reforço com as mesmas vacinas das outras duas doses seja melhor ou pior, mas trabalhar com indução de vacina com RNA mensageiro, como é o caso da Pfizer, ajuda a potencializar os resultados de proteção.

“Esses reforços heterólogos têm se traduzido em resposta imune mais robusta e são seguros. Os estudos são de ‘não inferioridade’, e eles mostram que tanto o esquema homólogo, com a mesma vacina no reforço, ou heterólogo não apontam que é um pior que o outro”, disse o consultor do Ministério da Saúde.

Eficácia das vacinas na terceira dose

A Pfizer, principal imunizante adotado para esta campanha de reforço, indicou nesta quarta-feira (8) que seu imunizante é eficaz contra a variante Ômicron. Os testes preliminares apontaram que a variante do coronavírus tende a ser mais resistente contra organismos que receberam apenas duas doses e houve, em média, redução dos títulos de neutralização em mais de 25 vezes.

A Coronavac, fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan em conjunto com a Sinovac, ainda não publicou resultados de testes feitos. A farmacêutica chinesa indicou nesta terça-feira (7) que está trabalhando na atualização da vacina, mas que o atual formato do imunizante mostra boa resposta contra a variante.

Um estudo conduzido no Reino Unido pela University Hospital Southampton NHS Foundation Trust mostrou que pessoas que receberam duas doses da AstraZeneca tiveram um aumento de 30 vezes nos níveis de anticorpos após reforço da vacina da Moderna e aumento de 25 vezes após reforço com a Pfizer.

Quando posso tomar a vacina de reforço?

Se você tomou a segunda dose há mais de 4 meses em São Paulo, ou há mais de 5 meses nos outros estados do Brasil, você já pode tomar uma dose de reforço no posto de vacinação mais próximo.

Para as pessoas que receberam uma dose da Janssen – que inicialmente era dose única, mas teve a bula reformulada para ajudar na campanha de imunização – a segunda dose já está disponível para quem recebeu a primeira aplicação há pelo menos 2 meses. Ela é feita com uma aplicação da Pfizer.

Intervalo entre segunda dose e o reforço

Como já mencionado, São Paulo adotou um intervalo ainda menor do que o proposto pelo Ministério da Saúde.

“A dose de reforço tem, por objetivo, fazer com que os anticorpos aumentem novamente, garantindo proteção quando os anticorpos estariam diminuindo. Com 4 meses após a segunda dose, ainda temos um nível muito adequado de anticorpos, então a dose de reforço não vai ter o mesmo benefício”, diz Rachel Stucchi.

Renato Kfouri acredita que não há “número mágico” que justifique o intervalo em 4 ou 5 meses, mas é preciso levar em conta o histórico vacinal do País. Em sua opinião, a decisão de São Paulo não foi inteligente e criou bagunça nos calendários de vacinação.

Ele explica que três situações precisam ser levadas em conta quando se discute perda de proteção da vacina:

– Tipo de vacina (RNA mensageiro, vetor viral ou vírus inativado): todas as vacinas vão perdendo força com o passar dos meses. No caso da Coronavac, que usa tecnologia do vírus inativado, por exemplo, essa proteção vai caindo mais rápido do que o registrado nas outras tecnologias, como o RNA Mensageiro (Pfizer) e vetor viral (AstraZeneca);

– Idade da pessoa vacinada: conforme a idade da pessoa avança, a proteção vacinal também diminui, independente do imunizante tomado. Segundo Kfouri, os mais jovens foram vacinados há menos tempo, então os estudos ainda não conseguem apontar essa redução nos anticorpos com maior clareza.

– Desfecho dos casos (assintomáticos e quadros leves, moderados ou graves da doença): a proteção contra o desenvolvimento de quadros graves perdura por mais tempo, enquanto a eficácia contra casos mais leves vai diminuindo.

“A decisão do Ministério, de fazer o reforço em 5 meses, foi baseada na quantidade de doses que temos, no tempo e tipo de vacina que usamos no começo da campanha e no prazo de 5 meses que cobriria todos os maiores de 50 anos”, comentou o infectologista.

Onde posso tomar a dose de reforço?

Para conferir os locais de vacinação em São Paulo, clique aqui. O Filômetro também vai te ajudar a não pegar filas nos postos de atendimento próximos à sua casa.

A campanha segue a mesma em todo o País, mas lembre-se de que a disponibilidade de doses pode variar de região para região.


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