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Embaixador de Mianmar em Londres perde o cargo e repressão violenta continua

A junta militar birmanesa demitiu do cargo o embaixador do país em Londres, nesta quinta-feira (8), por ser partidário da líder deposta Aung San Suu Kyi, uma decisão criticada pelo Reino Unido, enquanto pelo menos 11 civis morreram nas últimas horas em confrontos com militares no centro do país.

A dura e sangrenta repressão contra as manifestações pró-democracia que afetam o país há dois meses e as detenções de personalidades não cedem, apesar das críticas internacionais.

Na quarta-feira à noite, vários diplomatas vinculados à junta tomaram a embaixada de Mianmar em Londres e negaram o aceso ao embaixador Kyaw Zwar Minn, contrário ao golpe de Estado militar aplicado em 1º de fevereiro.

O adido militar liderou a tomada da embaixada, de acordo com Kyaw Zwar Minn, que denunciou uma espécie de “golpe de Estado” na sede diplomática.

Nesta quinta-feira, o Ministério britânico das Relações Exteriores anunciou que foi notificado pelas autoridades birmanesas sobre o fim do mandato de seu embaixador no Reino Unido e afirmou que não tinha outra opção a não ser “aceitar a decisão tomada pelo governo birmanês”.

O ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, denunciou no Twitter a “intimidação” praticada pela junta.

Desde quarta-feira, pelo menos 11 pessoas morreram em ações violentas em Taze, centro do país, segundo a imprensa local, que também cita as mortes de três militares, assim como vários civis feridos. A AFP não conseguiu confirmar o balanço com fontes independentes.

Armados com fuzis e artefatos explosivos, moradores tentaram impedir a entrada de policiais e militares na cidade, e estes responderam, de acordo com a imprensa.

A Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP) informou que quase 600 civis, incluindo mais de 40 menores de idade, morreram em atos violentos desde o golpe de Estado.

O balanço pode ser muito maior: mais de 2.800 pessoas foram detidas, e muitas delas estão desaparecidas, sem qualquer acesso a advogados, ou a suas famílias.

– “Devolvam nosso herói” –

A perseguição judicial também não cede. Quase 120 personalidades (cantores, modelos, ou jornalistas) são alvos de ordens de detenção, acusados de divulgar informações que podem provocar um motim nas Forças Armadas.

Entre os alvos está Paing Takhon, de 24 anos, modelo, ator e cantor muito popular em Mianmar e na vizinha Tailândia. Ele foi detido nesta quinta-feira, na casa de sua mãe em Yangon, “por quase 50 policiais e militares”, denunciou sua irmã Thi Thi Lwin no Facebook.

Em uma de suas últimas mensagens divulgadas na Internet, o artista afirmou na quarta-feira que não se sentia bem fisicamente há vários dias.

“Estou com o coração partido”, “Devolvam o nosso herói”, afirmaram algumas mensagens divulgadas nas redes sociais após o anúncio da detenção.

O ator, que tinha um milhão de seguidores antes que suas páginas no Facebook e Instagram fossem encerradas, foi uma das primeiras personalidades públicas do país a condenar o golpe de Estado.

A rejeição à junta também se expressa há vários dias nas greves de dezenas de milhares de trabalhadores que estão paralisando setores inteiros da economia.

Nas ruas, as manifestações perderam força, devido ao medo de represálias e da repressão.

– Sapatos e flores contra a junta –

Nas principais cidades, os manifestantes tentam encontrar outras maneiras de divulgar sua mensagem.

Nesta quinta-feira, Ei Thinzar Maung, um dos líderes dos protestos, pediu aos cidadãos que representassem com um sapato cada manifestante ausente.

E dezenas de sapatos com flores amarelas dentro foram colocados nas ruas de Mandalay, no centro do país, segundo imagens divulgadas nas redes sociais.

Em Yangon, os sapatos foram colocados nos pontos de ônibus, alguns deles com rosas vermelhas em homenagem aos “heróis que sucumbiram às balas”.

Na quarta-feira, também foram registrados confrontos entre o Exército e uma das principais comunidades étnicas do país, a União Nacional Karen (KNU). Pelo menos uma pessoa morreu.

A KNU e outras facções rebeldes apoiam o movimento pró-democracia, o que aumenta o risco de uma guerra civil em um país acostumado com os conflitos étnicos desde sua independência em 1948.

Fora de Mianmar, o golpe provocou muitas críticas internacionais e também a rejeição dos diplomatas birmaneses, contrários ao que acontece em seu país. É o caso, por exemplo, do embaixador de Mianmar na ONU.

Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia anunciaram sanções contra a junta e seu líder, o general Ming Aung Hlaing.

China e Rússia, aliados tradicionais do Exército birmanês, rejeitam a ideia de impor sanções.

Deputados depostos do antigo governo começaram a entregar à ONU dezenas de milhares de denúncias de execuções, torturas e detenções ilegais cometidas em Mianmar.

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