Dinheiro em foco

“Em poucos anos, as fintechs estarão com 30% ou 40% do mercado”

Crédito: Divulgação

Quem é André Bastos: Foi sócio da Ipanema Ventures; Formado em Engenharia de Produção, pela PUC-RJ.; Tem MBA em Logística e Supply Chain, pela COPPEAD-UFRJ, e tem MBA em Negócios, pela New York University. (Crédito: Divulgação)

Com novos produtos financeiros e planos de crescimento para a empresa da qual é sócio, o executivo falou à DINHEIRO sobre como as fintechs podem ocupar espaço no mercado com o aumento da competição que está sendo implementada pelo Banco Central.

O que motivou vocês a fundar a Rebel?
A Rebel nasceu em 2017 a partir do desejo de tornar o crédito mais acessível e com juros menores ao brasileiro, usando tecnologia por trás de todo o processo. O Brasil tem a segunda maior taxa de juros bancários do mundo e muito pouco acesso ao crédito. Cerca de 80% das operações neste segmento estão concentradas nos cinco maiores bancos, Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Hoje as fintechs representam em torno de 2% do mercado total.

É possível democratizar o crédito?
As fintechs são como abelhas. Quando há duas ou três voando, ninguém presta atenção. De repente, vem um enxame. Aconteceu isso nos Estados Unidos, há cerca de 12 anos. Na época, elas tinham uma participação tão pequena quanto a nossa. Ocorre que, após a crise de 2008, os bancos seguraram muito o crédito e as fintechs ocuparam um espaço grande. Hoje, representam cerca de 50% do mercado americano. Aqui, com esse trabalho que o Banco Central vem fazendo para aumentar a competição, em poucos anos as fintechs estarão com 30% ou 40% do mercado. Quem souber focar no cliente e oferecer bons serviços sairá vencedor.

Quanto de crédito vocês já concederam?
Nesses três anos, já concedemos R$ 100 milhões, com taxas entre 1,9% a 9% ao mês. Os valores emprestados variam de R$ 1 mil a R$ 36 mil. Nosso tíquete médio é de R$ 7 mil. Cerca de 2 milhões de CPFs já passaram pela nossa plataforma.

A Rebel oferece quantos tipos de produtos?
Nosso produto inicial foi o empréstimo pessoal sem garantia. Escolhemos essa modalidade por ser a mais difícil de precificar o risco do cliente. Foi uma forma de aprender. Se tivéssemos sucesso, ficaria fácil trabalhar com outros tipos de crédito. Recentemente, lançamos um segundo produto, chamado Tapa buraco, em que o cliente tem 30 dias sem juros para quitar dívida no cheque especial, sem pagar as taxas exorbitantes que os bancos cobram. E vamos lançar outro, direcionado para dívidas no cartão de crédito, que se chamará Quita cartão. Será um crédito mais barato e acessível.

Como os clientes acessam a Rebel?
Sempre fomos digitais. Em nosso processo não é necessário enviar documento físico. O cliente autoriza acesso à conta corrente dele e a gente faz, de forma automática, a leitura do extrato do banco. Até o momento, o cliente tem chegado até nós por meio de empresas parceiras. Mas acabamos de lançar um app, que está em fase de testes e que nos possibilitará oferecer mais produtos e serviços.

A pandemia trouxe dificuldades para fintechs de crédito. Com vocês ocorreu o mesmo?
Sentimos o reflexo, mas não fomos tão afetados, pois estávamos preparados. Fizemos uma primeira emissão, de R$ 17 milhões, em 2018, que já está totalmente emprestada. No ano passado, fizemos outra, dez vezes maior, de R$ 170 milhões, e ainda temos no caixa recursos dessa segunda emissão para emprestar. Mas a pandemia não afetou apenas quem empresta. Houve uma redução média de 45% na procura por crédito pessoal no início da quarentena, talvez pelo medo que os consumidores tiveram de não poder honrar o compromisso.

Quais são os principais motivos que levam o cliente da Rebel a tomar empréstimo?
Primeiro, trocar uma dívida cara por outra mais barata. Em seguida, vêm situações de emergência como doença em família, conserto do carro. O terceiro motivo é para reforma residencial ou para alguma viagem turística.

Quais as expectativas para este ano?
Temos crescido dez vezes ano a ano. Em 2020, o plano era crescer cinco vezes em relação a 2019. Com a pandemia, esperamos dobrar nosso volume.

PARCERIA
BTX quer distribuir 500 mil 

A BTX Digital, especializada em criação, construção e manutenção de digital banks, formalizou parceria com a Hub Fintech, que oferece soluções para conta digitais, recebíveis e pagamentos corporativos. A ideia é disponibilizar mais de 500 mil cartões aos usuários dos seus serviços, até o final deste ano. A Hub Fintech fará a impressão, a personalização e o estampagem dos cartões em modelo white label, e atuará também como autorizador externo das transações, fornecendo uma solução integrada em tempo real com o saldo das contas digitais da BTX. “A Hub Fintech se destacou por diversos motivos, entre eles o fato de ser a única a oferecer a opção de autorizador externo”, afirmou Rafael Pimenta, CEO da BTX Digital.

PATRIMÔNIO
Win é dedicado a clientes private

O Banco Inter lançou um novo segmento para gestão de patrimônio e investimentos. Batizada de Win (Inter Wealth Management), a nova área será dedicada a clientes private, com carteiras a partir de R$ 1 milhão. O foco é na construção de carteiras administradas e fundos exclusivos, além de planejamento patrimonial e demais serviços de private banking. Por meio da associação à DLM Invista, o Win já nasce com uma carteira com mais R$ 12 bilhões sob sua administração. “No cenário atual, temos visto um aumento na busca por soluções personalizadas, baseadas em um planejamento de longo prazo, que traga mais tranquilidade aos investidores. O momento é bastante oportuno”, disse o CEO do Banco Inter, João Vitor Menin.

Número da semana R$ 28,1 bilhões 

Foi quanto a poupança captou no mês de julho, segundo relatório do Banco Central (BC). O saldo é resultado de depósitos que somaram R$ 292,3 bilhões contra R$ 264,2 bilhões em retiradas. Trata-se do maior valor para o mês de julho de toda a série histórica do BC, iniciada em 1995. Julho foi o quinto mês consecutivo de saldo líquido positivo da poupança, que acumula, em 2020, R$ 112,6 bilhões de captação. O forte ingresso de recursos está relacionado com o pagamento das parcelas do auxílio emergencial para trabalhadores informais e desempregados, medida de enfrentamento dos impactos da pandemia. Em julho, a poupança rendeu 0,13% e, no ano, 1,51%. Em 12 meses, a variação foi de 3,12%. Para efeito de comparação, o CDI, principal referência das aplicações de renda fixa, variou 0,19% em julho, 1,98% no ano e 4,17% em 12 meses. Como a poupança rende 70% da taxa Selic, que sofreu novo corte no dia 5 de agosto, para 2%, a caderneta daqui para frente renderá ainda menos: 1,4% ao ano.

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