Negócios

Em nome do pai, do filho e do APP

Crédito: Alexandre Rezende

PÚBLICO EM EXPANSÃO Luiz Fernando Valente, head da Glorify Brasil, acredita que o País será maior operação da companhia até o fim deste ano. (Crédito: Alexandre Rezende)

“Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos… pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males.” Essa passagem bíblica, descrita na primeira carta de Timóteo, capítulo seis e versículo nove, é apenas um entre mais de uma centena de trechos que condenam, alertam e aconselham sobre os perigos do amor ao dinheiro. Isso ajuda a explicar por que várias denominações religiosas pregam que negócios e fé não se misturam. Mas não é o que fundadores do aplicativo Glorify, os britânicos Henry Costa e Ed Beccle, acreditam.

Depois de lançarem a plataforma no Reino Unido, em 2019, e nos Estados Unidos, no fim do ano passado, eles estrearam a operação brasileira por aqui no último dia 18. O app, que se propõe a criar conteúdo em áudio e vídeo, teve mais de 170 mil downloads até a quinta-feira (28). Na primeira fase, tudo será gratuito. A plataforma disponibiliza passagens bíblicas, música gospel e sacra, devocionais, meditação com guias espirituais e até um diário, para que o usuário possa anotar suas experiências.

Quando a plataforma atingir alguns milhões de seguidores, parte do conteúdo será cobrado por meio de uma assinatura, nos modelos de Netflix e Spotify. Os valores e as datas, no entanto, ainda não foram definidos. “Com a pandemia, as pessoas aprenderam a viver a fé dentro de casa e, com isso, surgiu um imenso novo mercado”, afirmou Luiz Fernando Valente, head da Glorify Brasil. “Estamos confiantes de que a operação no País será a maior do grupo até o final do ano.”

A confiança de Valente não é alimentada apenas pela fé. O Brasil é o segundo no ranking de cristãos no mundo, atrás apenas dos americanos, e o maior em número de católicos. A população que se declara evangélica deve se igualar pela primeira vez o total de católicos no País a partir de 2032, quando o número absoluto de seguidores de cada uma das duas religiões deve ficar em torno de 90 milhões, segundo pesquisa do demógrafo José Eustáquio Alves, ex-professor da Escola de Estatísticas do IBGE e o Datafolha. Pelos cálculos, há 22 milhões de evangélicos (31% do total que dizem ter religião) e aproximadamente 100 milhões de adeptos do catolicismo (50%). Mas o contingente de brasileiros adeptos da religião evangélica cresce em média 0,8% ao ano desde 2010, enquanto a quantidade de católicos diminui 1,2% no mesmo período.



LUCRO NÃO É PECADO Henry Costa (à esq.) Ed Beccle, fundadores do aplicativo no Reino Unido, acreditam que fé e negócios podem conviver em harmonia. (Crédito:Divulgação)

MERCADO A digitalização da fé vive fenômeno semelhante a um milagre da multiplicação, puxado por um público mais atento à saúde mental. De acordo com o relatório da consultoria Sensor Tower, apps ligados ao bem-estar tiveram em abril do ano passado, um dos primeiros meses da pandemia, 2 milhões de instalações, um recorde histórico.

Já no Brasil, segundo dados disponíveis do portal RankMyAPP, os downloads desses aplicativos dispararam 55% em março em relação ao mês anterior. Esses números refletem uma tendência de comportamento, na qual as pessoas buscam ferramentas que as ajudem na promoção de bons hábitos, sem que precisem sair de casa.

O potencial do Glorify desperta a cobiça de potenciais investidores. De acordo com Valente, a empresa já recebeu indicações de pessoas, bancos e fundos de investimento interessadas em fazer aportes na operação, mas possíveis negociações serão avaliadas, segundo ele, apenas no futuro. “Não é hora de pensar em monetização. Por enquanto, a missão é disseminar a nossa proposta cristã, sem vínculo e apego a denominações”, afirmou o head da Glorify. A missão, sem dúvida, não é pequena.

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