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Em carta a embaixador, Pacheco defende relação construtiva com a China

Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Pacheco, durante entrevista (Crédito: REUTERS/Adriano Machado)

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), enviou nesta sexta-feira uma carta ao embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, na qual defende a importância de um relacionamento “relevante e construtivo” com o país asiático e convida o representante diplomático a visitar o Congresso brasileiro, segundo cópia da correspondência obtida pela Reuters.

“Com o sentido de prioridade, entende o Senado Federal que, no momento em que o Brasil tem sido afetado de forma contundente pela proliferação de variantes do vírus, torna-se necessário, mais do que nunca, o aprimoramento da parceria de grande qualidade que tem caracterizado nossas relações bilaterais”, completou.

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O movimento de Pacheco ocorre na esteira de um atrito na relação entre os dois países nos últimos dias, após declarações do presidente Jair Bolsonaro e no momento em que o Brasil depende fundamentalmente de insumos e vacinas chinesas para intensificar a imunização dos brasileiros no enfrentamento ao Covid-19.

Na quarta-feira, em um discurso exaltado e sem citar nominalmente a China, Bolsonaro insinuou que o novo coronavírus pode ter sido criado pelo país asiático como parte de uma guerra bacteriológica.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em um laboratório ou nasceu por algum ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é uma guerra química bacteriológica e radiológica. Será que estamos enfrentando uma nova guerra? Qual país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, afirmou, na ocasião.

Posteriormente, no mesmo dia, o presidente recuou da sua posição, frisou não ter citado o país asiático na declaração anterior e ainda chamou de “maldade” o que disse ser uma tentativa da imprensa de criar um atrito entre o Brasil e a China.

“Eu não falei a palavra China de manhã. Eu sei o que é guerra bacteriológica, química, nuclear… não falei mais nada“, disse Bolsonaro a jornalistas no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro — ou pessoas próximas a ele — provocam atrito com a China, principal parceiro comercial do Brasil.

CONVERGÊNCIA

Na carta, Pacheco cita semelhanças entre o Brasil e a China como extensão territorial, tamanho da população e o fato de ambos fazerem fronteira com vários países. Disse que esses pontos de coincidência levam a uma conduta externa “responsável e construtiva”.

O presidente do Senado destacou ainda que, diante da “crescente conscientização de nossas vulnerabilidades individuais”, frente a desafios urgentes como combate à pobreza, a doenças e ao aquecimento global, é preciso uma maior convergência entre as nações e de uma configuração internacional voltada para maior cooperação.

“Disso decorre nosso firme propósito de ampliar a colaboração bilateral sino-brasileira em todos os terrenos: ciência, tecnologia, comércio, investimento. Esforço esse que requer diálogo ainda mais intenso e aprimoramento constante da coordenação política e diplomática”, frisou.

GOVERNADORES

O governador do Piauí, Wellington Dias, também pediu uma audiência por videoconferência com o embaixador chinês para, além de agradecer o fornecimento de vacinas ao Brasil, colocar a importância de manter o cronograma de entrega do insumo farmacêutico ativo para produção de doses de imunizantes pelo Instituto Butantan.

“Da mesma forma, estamos pedindo, reforçando pedido que já fizemos ali em março para que aqueles 30 milhões de doses que estavam previstos para setembro possam ser antecipadas ainda para este semestre dado a gravidade da situação da pandemia no Brasil”, afirmou Dias, coordenador da temática de vacina no Fórum Nacional de Governadores, acrescentando ainda um apelo por transferência tecnológica para o Instituto Butantan da CoronaVac, vacina contra Covid-19 do laboratório chinês Sinovac e produzida em parceria com o instituto de São Paulo.

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