Onde investir em 2018

Em busca do equilíbrio

As eleições vão dificultar a vida do investidor, que precisará de força e de concentração para diversificar sua carteira

Em busca do equilíbrio

Conjuntura política

Uma célebre frase, que alguns atribuem ao ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, e outros ao ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Loyola, diz que “no Brasil, até o passado é incerto”. O que dizer, então, do futuro do País com as eleições que se aproximam? Em 2018, a corrida presidencial será a mais disputada desde 1989, quando os brasileiros voltaram às urnas após a redemocratização. Não há nenhum exagero nessa constatação. Nas últimas seis disputas, houve a polarização entre PSDB e PT, com duas vitórias dos tucanos, com Fernando Henrique Cardoso, e quatro dos petistas, com Lula e Dilma Rousseff. Desta vez, os dois partidos estão machucados pelas revelações de corrupção da Operação Lava Jato, o que abre espaço para novos postulantes ao Palácio do Planalto. A única certeza que se tem diante desse cenário é que o investidor precisará ficar muito atento aos acontecimentos políticos para decidir o que fazer com as suas finanças. Poucas certezas, muita volatilidade. “A eleição vai ser o grande catalisador dos investimentos em 2018”, diz Rodrigo Menon, sócio da Arbitral Gestão de Recursos. “Apesar da recuperação da economia e da inflação controlada, que são fatores importantes e seriam bons guias para os investimentos num ano sem eleição, em 2018 vai ter muita volatilidade e complexidade.”

46% dos investidores ouvidos pela XP preferem Geraldo Alckmin (PSDB) como presidente; 17% dizem aceitar Jair Bolsonaro

O primeiro grande evento no calendário político para os investidores é o julgamento, em segunda instância, do ex-presidente Lula, marcado para 24 de janeiro. A decisão do Tribunal Regional Federal, de Porto Alegre, sobre a condenação a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro poderá deixar Lula inelegível, pela Lei da Ficha Limpa. Essa confirmação, dizem os especialistas, pode se refletir numa alta da bolsa de valores. Mas a incerteza deve continuar, pois espera-se que a defesa de Lula recorra e o mantenha vivo na corrida eleitoral. No início de dezembro de 2017, o Datafolha confirmou a liderança folgada do ex-presidente nas pesquisas de intenção de voto, com o dobro do segundo colocado, o deputado Jair Bolsonaro (PSC). O que mais assusta os investidores não é uma possível vitória do petista, mas qual Lula subiria a rampa do Planalto em 1º de janeiro de 2019: o que tem feito um discurso rancoroso e vingativo ou aquele que escreveu a Carta ao Povo Brasileiro, em 2002, comprometendo-se com a austeridade na economia? “Se Lula sobreviver às questões jurídicas, ele precisa fazer as coisas certas”, afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. “Qualquer candidato tem de se comprometer com essa política econômica que está aí, de austeridade fiscal, controle de gastos e reformas. Por isso, nomes como Bolsonaro e Ciro Gomes (PDT) assustam mais.”

Se Lula ficar realmente de fora das eleições, as propostas de esquerda devem ser encabeçadas por Ciro Gomes, que se manifestou favorável a uma chapa com o petista Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo. Ele tem defendido a volta de uma agenda protecionista, o que desagrada os investidores institucionais. A XP Investimentos consultou 211 investidores, que detém pouco mais da metade dos ativos sob gestão no país, para saber quem deve ser o próximo presidente. Geraldo Alckmin (PSDB) é o preferido de 46% e pode ser o candidato do centro em 2018. E Bolsonaro, que resgatou a ultradireita, aparece na terceira posição, com 17%. Esse desempenho é creditado ao convite feito por ele para que o economista liberal Paulo Guedes seja seu ministro da Fazenda. “Ainda é cedo para falar de cenário, pois ainda não se sabe quem serão, de fato, os candidatos”, diz Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos. “Mas o perfil preferido pelo mercado é de um candidato pró-reforma e favorável ao ajuste fiscal.”

Diante de todas essas condições, o investidor precisa de uma gestão estratégica, que vai depender do seu perfil de risco e da necessidade de liquidez. A diversificação vai ser muito importante ao longo do ano. A renda variável será de extrema importância, principalmente a bolsa de valores. O reaquecimento da atividade econômica, com aumento dos indicadores de produção, e o retorno do crédito irão impactar diretamente o resultado das empresas. Isso, claro, vai se refletir no preço da ação. Do lado da renda fixa, ativos pré-fixados, como a NTN-B, com vencimento em 2020, são uma boa opção, tanto pela rentabilidade como pela possibilidade de proteção ao resultado das urnas. Mesmo que vença um candidato contrário à agenda reformista, o prazo curto de resgate poderá beneficiar o investidor. E os fundos multimercados ajudam a balancear todos esses movimentos, em razão da facilidade de alocação da carteira e da rapidez para aproveitar os momentos de estresse que serão comuns ao longo do ano. As incertezas, porém, ficarão rondando seus investimentos até agosto de 2018, quando as chapas serão registradas no Tribunal Superior Eleitoral.

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