Internacional

Em busca da inflação mais alta

Com o mundo enfrentando uma crise sem precedentes, presidente do FED, Jerome Powell, diz que é a hora de perseguir o aumento dos preços.

Crédito: Tasos Katopodis

ATENÇÃO NO MÉDIO PRAZO Para o presidente do Fed, Jerome Powell, manter a inflação em menos de 2% por um longo período é preocupante para a economia. (Crédito: Tasos Katopodis)

Em um dos períodos econômicos mais conturbados dos Estados Unidos, em 1970, ano em que o país enfrentou situação de inflação descontrolada, o então presidente do Federal Reserve (Fed) se tornou muito popular por enfrentar o leão de frente. Paul Volcker foi o homem por trás da decisão do Banco Central da maior economia do mundo de elevar a taxa básica de juros a estrondosos 20%, puxando o capital global para o país e controlando a inflação. Agora, diante de uma depressão econômica com poucos precedentes similares, Jerome Powell, um outro líder do Fed pensa em formas para tomar o caminho contrário, aumentar a inflação no país e controlar o juros em um patamar baixo.

O desafio é grande, principalmente, porque a crise trazida pela pandemia da Covid-19 não tem irmã na história. A taxa de desemprego atingiu o pico de 14,7% em abril (hoje está em 10,2%), o PIB caiu 32% no segundo trimestre e a inflação ficará abaixo de 2% neste ano. Por isso, os aprendizados estão sendo tomados na prática, e ainda que os maiores economistas do mundo se debrucem em teorias sobre o andamento da produção de riquezas, os resultados ainda são incertos. Sem caminhos seguros, Powell, a cabeça por trás do Fed, afirmou que é dado o momento de tentar elevar a inflação como forma de recuperar ao menos a parte nominal da riqueza do país. Na mesma fala, o economista defendeu manter o atual patamar da Selic americana, e evitou falar de novos cortes nas próximas reuniões.

Para Caetano Di Boule, professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo, o dilema da taxa básica de juros e a inflação é algo que todos os países deverão enfrentar em um futuro próximo, e olhar para as decisões do Fed pode nortear economias, como a brasileira, que se espelham em um olhar mais liberal sobre o andamento da economia. “O Brasil terá de enfrentar esse dilema em breve”, afirmou. “Uma inflação baixa demais é um problema principalmente se seus pares também possuem taxas baixas e atração de capital estrangeiro fica comprometida por problemas políticos ou fiscais, como os nossos.”

O MUNDO MUDOU Como parte de uma palestra no simpósio de Jackson Hole, Powell citou Volcker como o homem que domou a inflação alta, mas lembrou que os tempos atuais trazem novos desafios, e cabe a ele, nesse momento, tentar controlar da melhor forma possível. Para ele, um dos efeitos desse novo momento da economia global é a aproximação com o que definiu como juro neutro, com países oferecendo taxas muito similares. O problema disso, afirmou ele, é que manter uma inflação abaixo de 2% por longos períodos é “motivo de preocupação”. O motivo da inflação reticente, segundo ele, foram as pressões desinflacionárias globais que teriam contribuído para os preços mais baixos nos EUA.

Nicholas Kamm

“As pessoas também precisam entender que os policiais as vezes engasgam” Donald Trump.

Segundo Powell, a inflação muito baixa por muito tempo “pode representar sérios riscos para a economia”. “Expectativas de inflação bem ancoradas são cruciais para dar ao Fed a latitude para apoiar o emprego quando necessário, sem desestabilizar a inflação”, afirmou.

Abismo social

O acirramento dos ânimos sociais nos Estados Unidos não tem queimado o filme do presidente Donald Trump apenas entre os eleitores do país, mas também gerado previsões sombrias sobre o rumo da economia americana. Principalmente entre os europeus. “Acreditamos que os protestos e tumultos em andamento representam uma ameaça para os mercados financeiros dos EUA, uma vez que corroem a confiança dos investidores, que já é escassa”, disse Naeem Aslam, analista de mercado da AvaTrade, em relatório divulgado na segunda-feira (31). Entre os especialistas, o que mais pesa é a incerteza na capacidade de Trump em controlar a situação. Lori Calvasina, chefe de estratégia do mercado de ações dos EUA na RBC Capital Markets, vê um certo descolamento da agitação nas ruas com a economia. “O mercado de ações parece mais focado na guerra comercial do que na agitação civil”, afirmou, em nota.

Esse clima ficou evidente nas capas dos principais jornais do Velho Continente ao longo da semana. O alemão Süddeutsche Zeitung estampou em manchete, no domingo (30), que Donald Trump é “O beneficiário do caos”, ao sugerir que a falta de gerenciamento de Trump poderia o beneficiar nas eleições de novembro. O diário já havia definido o país como “a caminho do abismo”, destacando que Trump derrete na opinião pública na medida em que os protestos antirracistas crescem. Já o jornal de economia e finanças Handelsblatt destacou uma ilustração em que Trump parece estar se afogando.

As críticas ganharam mais força depois que Trump comparou o policial que deu sete tiros em Jacob Blake com um jogador de golfe que engasga ao dar uma tacada. “Os policiais têm segundos para tomar uma decisão. E se errarem, podem morrer. As pessoas têm de entender que os policiais engasgam”, disse presidente.

Veja também

+ Caixa substitui pausa no financiamento imobiliário por redução de até 50% na parcela
+ Teve o auxílio emergencial negado? Siga 3 passos para contestar no Dataprev
+ iPhone 12: Apple anuncia quatro modelos com preço a partir de US$ 699 nos EUA
+ Veja mudanças após decisão do STF sobre IPVA
+ T-Cross ganha nova versão PCD; veja preço e fotos
+MasterChef: competidora lava louça durante prova do 12º episódio’
+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil
+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados
+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020
+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea
+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?