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Elizabeth Holmes: ascensão e queda da ex-queridinha do Vale do Silício

Crédito: AFP/Arquivos

(Arquivo) Elizabeth Holmes, durante conferência em Laguna Beach, nos Estados Unidos (Crédito: AFP/Arquivos)

A executiva Elizabeth Holmes foi condenada nesta segunda-feira (3) por enganar investidores a colocar dinheiro em sua empresa, a Theranos, que prometia revolucionar os exames de sangue. O caso chama a atenção porque uma personalidade do mundo tecnológico do Vale do Silício foi levada a júri acusada de fraudes e expôs a engenharia de mentiras de um mercado que vive de apostas.

Holmes teve a ideia de criar a Theranos após anos lidando com o medo de agulhas, fato que a fez registrar a patente de uma tecnologia que prometia fazer mais de 200 exames com apenas uma pequena quantidade de sangue.



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O conto de fadas e a inspiração em Steve Jobs

Com a patente, Holmes abandonou a Universidade de Stanford em 2003. Dez anos depois ela começou a vender a sua tecnologia publicamente e se tornou símbolo da executiva bem sucedida do Vale do Silício, aparecendo nas capas de revistas como Forbes e Fortune.

Como consequência da fama, atraiu grandes investidores para o conselho da empresa, como o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger, o ex-secretário de defesa norte-americano James Mattis e o magnata da mídia Rupert Murdoch. O sucesso da empresa fez com que ela se tornasse a bilionária mais jovem do mundo em 2015.

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Ela se inspirou no ex-CEO da Apple Steve Jobs até mesmo pela forma com que se vestia e como se portava perante ao público. Parecia que Holmes seria a próxima história da estudante que larga uma faculdade de ponta, corre atrás do seu sonho e se torna bilionária com uma inovação que mudaria o mundo, exatamente como Jobs. Só parecia.

Sua empresa chegou a arrecadar US$ 900 milhões e foi considerada mais valiosa que a Uber, Spotify e AirBnB. 

As máquinas da Theranos não funcionavam

Ainda em 2015, uma série de matérias publicadas no The Wall Street Journal mostrou que os exames que eram realizados pela sua máquina revolucionária, chamada de Edison, apresentaram resultados inconsistentes e falsos e que eles eram realizados em máquinas comerciais terceirizadas sem que seus pacientes ou investidores soubessem.

Após tudo isso, a empresa começou a fazer um recall das máquinas até entrar no colapso final. Holmes deixou o cargo de CEO em junho de 2018 e a empresa foi dissolvida em setembro.   

A empresa e a executiva fizeram um acordo com a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, em inglês) depois de serem acusados de uma “fraude elaborada que durou anos”. Ela pagou uma multa de US$ 500 mil em um acordo que não exigia que ela admitisse ou negasse as acusações. Porém, ela também foi acusada criminalmente pelo estado norte-americano e precisou encarar o tribunal. 

No julgamento, ela foi condenada em quatro acusações de fraude por enganar os investidores e os pacientes que usaram a sua tecnologia. Os jurados não chegaram a conclusões sobre as outras três acusações que ela enfrentou e ela pode ser julgada novamente e o tempo de prisão ainda não foi sacramentado. 

O caso com Ramesh Balwani

Durante o julgamento, Holmes responsabilizou seu ex-namorado e ex-diretor de operações da Theranos, Ramesh Balwani, pelas fraudes e também o acusou de estrupro. 

Os dois tiveram um romance durante 12 anos, em segredo dos investidores e funcionários, quando Balwani se tornou braço direito da executiva. A relação entrou em desgraça após a descoberta que as máquinas Edison não funcionavam.

A executiva também declarou, de acordo com o Daily Mail, que vivia um relacionamento abusivo com o bilionário paquistanês e que ele controlava o que ela comia e a forma como ela se vestia.     

Ele também será julgado pela justiça norte-americana e nega as acusações de estupro.