Dinheiro em Ação

Eletrobras sobe quase 11% com privatização no radar

Eletrobras sobe quase 11% com privatização no radar

Papéis avulsos

O esforço do governo para levar adiante a privatização da Eletrobras tem agradado os investidores. Na quarta-feira 21, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, se reuniu com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para tratar do tema, as ações da companhia dispararam. Os papéis fecharam o pregão em alta de 10,9%, enquanto o Ibovespa subiu 2%. Segundo Maia, a privatização aumentará os recursos para investimentos no País, e por isso ele vai se empenhar para que a Câmara autorize o processo. Os recursos que o governo precisa injetar na estatal poderiam ser usados na revitalização do São Francisco, em projetos sociais ou em infraestrutura, diz o deputado. “Se o setor privado está disposto a colocar dinheiro no setor elétrico, por que a gente vai criar obstáculos?”, questionou Maia. Já o ministro afirma que a Eletrobras não será capaz de manter o ritmo de investimento necessário e, se nada for feito, o sistema vai colapsar. “A Eletrobras é uma história crescente de incapacidade financeira. Já teve que vender algumas distribuidoras de energia. A gente corre o risco de ficar no escuro”, disse Guedes.

 

Consumo

Injeção de capital na B2W

A B2W vai aumentar o capital em R$ 2,5 bilhões, por meio de uma emissão privada de 64,1 milhões de novas ações, a um preço de R$ 39. A Lojas Americanas vai exercer o direito de preferência, na proporção da sua participação (61,47%). “Essa capitalização se faz necessária para melhorar a estrutura de capital da B2W, permitindo investimentos para o crescimento de sua plataforma digital”, escrevem os analistas da Coinvalores, em relatório. As ações da companhia sobem 3,6% no ano.

 

Touro x Urso

Notícias que circularam no mercado acerca da possibilidade de privatização da Petrobras ainda no atual governo fizeram o ânimo do mercado melhorar. Após o rumor começar a correr nas mesas dos operadores, o Ibovespa engatou uma alta e subiu 2% no pregão da quarta-feira, 21, fechando perto da máxima e acima de 101 mil pontos. Com isso, no acumulado do ano, o principal índice da bolsa brasileira sobe 15%.

 

Energia

Taesa expande operações

A Taesa anunciou na terça-feira 20 duas novidades para a expansão das operações. Ela adquiriu a potiguar Rialma Transmissora de Energia, por R$ 56,7 milhões. Além disso, o Instituto Ambiental do Paraná emitiu as Licenças de Instalação referentes às Subestações da companhia em Foz do Iguaçu, Guairá e Londrina. As ações da companhia sobem 19,5% em 2019.

 

Destaque no pregão

MPF processa Braskem em R$ 20,5 bi

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação civil pública contra a empresa química e petroquímica Braskem. A empresa pode ser condenada a reparar os danos socioambientais causados pela exploração de sal-gema em jazidas na capital alagoana, Maceió. Na ação, o MPF cobra R$ 20,5 bilhões da Braskem, e de seus controladores Odebrecht e Petrobras, caso a empresa não tenha capacidade financeira para efetuar o pagamento. O valor considera a extensão e gravidade do dano e o caráter pedagógico da indenização. Além disso, o MPF requer também que as empresas depositem em um fundo privado próprio, sob gestão e fiscalização de auditoria independente, R$ 3,075 bilhões, correspondente a 15% do total necessário para reparar os danos causados nos bairros da cidade. “A companhia informa que não foi intimada nos autos da referida ação, mas avaliará e tomará as medidas pertinentes nos prazos legais aplicáveis”, diz a Braskem em comunicado ao mercado. As ações recuam 40,4% em 2019.

Palavra do analista:
Se as medidas do MPF forem implementadas, a Braskem terá de arcar com um valor que representa cerca de 80% do seu caixa, escrevem os analistas da Guide, em relatório. “A apresentação de garantias no valor de R$ 20,5 bilhões se mostra improvável, visto que hoje o valor de mercado da companhia é de cerca de R$ 23 bilhões”.

 

Veículos

Faturamento cresce forte na Randon e na Fras-le

A Randon, e sua controlada, Fras-le, divulgaram na terça-feira 20 a receita líquida de julho. Na Randon, o faturamento foi de R$ 478,6 milhões, crescimento de 24,3%.
No ano, a receita totalizou R$ 2,9 bilhões, alta de 25%. Na Fras-le, em julho as vendas somaram R$ 130 milhões, crescimento de 27,2%, e no ano, R$ 791,6 milhões, alta de 25,4%. As ações da Randon sobem 6,4% no ano, e as da Fras-le, 5,3%.

 

 

Mercado em números

PETROBRAS
R$ 3 bilhões – É o quanto a petroleira vai emitir em debêntures, com prazos de vencimento em 2020, 2026 e 2034. Os recursos serão utilizados nas atividades de exploração de petróleo e gás natural

ENEL
R$ 422 milhões – É o quanto a empresa vai gastar para expandir em 133 megawatts as operações do parque solar em São Gonçalo do Gurguéia, no nordeste do estado do Piauí

TENDA
R$ 17,3 milhões – É o valor que a construtora vai pagar em dividendos, o equivalente a R$ 0,17 por ação, dependendo das posições dos acionistas no dia 22 de agosto

PÃO DE AÇUCAR
R$ 113 – É o valor por ação que o Casino, controlador da rede de supermercados, se propõe a pagar pela participação do grupo Êxito, ante a proposta anterior de R$ 109

LOJAS RENNER
4,94% – É a participação aproximada na varejista detida pela gestora Standard Life Aberdeen, que recentemente reduziu sua exposição ao ativo. O percentual corresponde a cerca de 39,1 milhões de ações

 

Número da semana

5,1%

É a expectativa de inflação entre os consumidores para o período entre agosto e julho de 2020, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV). O número representa uma queda de 0,2 ponto percentual em relação ao levantamento anterior. Segundo o relatório da FGV, divulgado na quarta-feira 21, as expectativas vêm caindo, mas a velocidade da queda está diminuindo. “A trajetória favorável da inflação observada nos últimos meses continuou a influenciar positivamente a expectativa dos consumidores em todas as faixas de renda. Contudo, a elevação do preço da energia elétrica em julho e em agosto, e a diminuição do ritmo de queda dos preços de alimentos podem ter se colocado como obstáculo para uma redução maior das expectativas”, escreveu Renata de Mello Franco, economista da FGV. A Fundação consulta 1.600 entrevistados em sete capitais para calcular as expectativas.

 

 

Entrevista da semana

“A taxa Selic terá de cair para 4%, ou menos, para tirar a economia da letargia em que se encontra”

Guilherme Abbud, sócio da Persevera Asset

O mercado trabalha com a expectativa de que o Banco Central (BC) vai reduzir a taxa Selic para 5% até dezembro, diante de uma economia que não engata, mantendo a inflação em níveis confortáveis. Para o gestor Guilherme Abbud, da Persevera Asset, no entanto, não será suficiente. “A taxa Selic precisa cair para 4%, ou menos, para tirar a economia da letargia em que se encontra”, afirma ele. Diante dessa expectativa, o especialista do mercado de renda fixa acredita que ainda há espaço para que a curva de juros futuros siga na trajetória descendente em que já vem nos últimos meses.

O que o leva a ter essa visão fora do consenso do mercado?
Acredito que o mercado vai se surpreender, mais uma vez, com a fraqueza da economia neste ano, que não deve crescer quase nada. E mesmo no ano que vem, dificilmente vamos crescer mais de 1%. A questão é que vivemos um tipo diferente de recessão. A maioria delas é cíclica, em que a economia acelera, gera inflação, faz o BC elevar os juros e depois vem a recessão. Só que desta vez não estamos em uma recessão cíclica, mas de balanço patrimonial.

O que é uma recessão de balanço patrimonial?
É quando as pessoas passam muito tempo acreditando na falsa premissa de que a renda e o emprego vão se recuperar e crescer constantemente. Com isso, consumidores e empresas assumem altos níveis de alavancagem, e quando a economia para e o desemprego aumenta, a situação complica.

Por isso sua expectativa por um corte tão forte da Selic?
Exato. Esse é um tipo de recessão que tende a ser muito mais longa e profunda do que uma recessão cíclica. E costuma ter um caráter desinflacionário, já que as empresas não conseguem repassar preços porque a população está tentando pagar as dívidas. Isso requer uma resposta da política monetária mais agressiva do que estamos acostumados.