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Eletrobras quer capitalização “o quanto antes”, não vê impacto de Santo Antônio no processo

Eletrobras quer capitalização “o quanto antes”, não vê impacto de Santo Antônio no processo

Logo da Eletrobras em unidade do Rio de Janeiro



Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) – A Eletrobras pretende realizar a oferta de capitalização “o quanto antes”, possivelmente em junho, ainda que a data limite para fazer a operação com base nos resultados financeiros do primeiro trimestre seja em meados de agosto, disse nesta terça-feira o CEO da estatal, Rodrigo Limp.

Em teleconferência para comentar o balanço trimestral, o executivo avaliou ainda que o imbróglio relacionado a um aumento de capital na Santo Antônio Energia, da qual a Eletrobras é acionista, não deve ter impacto sobre o processo de desestatização.

O Tribunal de Contas da União (TCU) retoma na quarta-feira sua última análise sobre a privatização da Eletrobras e ainda não há clareza sobre o potencial resultado do julgamento, embora a expectativa seja positiva, afirmou Limp.



Para o CEO da elétrica, a posição conjunta dos ministros do TCU ainda não está clara. Após a decisão da Corte, a companhia irá analisar o acórdão para avaliar eventuais impactos em termos já aprovados para a privatização pela assembleia de acionistas e pelo governo.

Limp preferiu não comentar datas específicas para os próximos passos da oferta após o aval do TCU, como o “road show” com investidores e a publicação do prospecto da oferta de ações.

Em relação ao cronograma para a oferta de capitalização, ele reiterou que o melhor cenário é a realização “no menor prazo possível”.


Às vésperas do julgamento, o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, fez um périplo nesta terça-feira a gabinetes de ministros do TCU para defender a aprovação do processo que vai possibilitar a privatização da Eletrobras, relatou à Reuters uma das fontes da Corte.

Nas conversas, Sachsida apresentou-se aos ministros, colocou-se à disposição deles e reiterou a importância da votação do processo. O julgamento foi interrompido no mês passado por um pedido de vista do ministro Vital do Rêgo. [nL2N2WI2LQ]SANTO ANTÔNIO ENERGIA A Eletrobras ainda está analisando possíveis cenários para a Santo Antônio Energia, que passa por um processo de aumento de capital bilionário para fazer frente a uma decisão arbitral desfavorável.

Ele evitou comentar sobre a disposição de outros acionistas do empreendimento em acompanhar o aumento de capital, mas lembrou que a companhia já havia alertado em relatório sobre a possibilidade de se tornar acionista majoritária caso os demais sócios não façam o aporte.

A subsidiária da Eletrobras Furnas tem a maior fatia do capital da Madeira Energia (43,06%), empresa que controla a concessionária da usina hidrelétrica Santo Antônio, uma das maiores do país.

Além de Furnas, são acionistas na Madeira Energia a Novonor (antiga Odebrecht, com 18,25%), Caixa FIP Amazônia Energia (19,63%), SAAG (veículo da Andrade Gutierrez, com 10,53%) e Cemig (8,53%).

Até o momento, apenas a Cemig disse publicamente que não irá acompanhar o aumento de capital na Madeira Energia.

“Hoje estamos fazendo avaliação de todos os cenários, inclusive o de que (outros sócios) não façam o aporte. Não saberíamos quantificar o que aconteceria no eventual pior cenário, mas eventualmente teria que fazer uma negociação com credores”, disse Limp.

Caso a Eletrobras se torne acionista majoritária após a operação, ela passaria a incorporar a concessionária em balanço, impactando seu endividamento.

A diretora financeira da Eletrobras, Elvira Presta, ressaltou que a eventual incorporação da empresa poderia ter um impacto mais imediato na dívida da companhia, mas que gradualmente ela também seria beneficiada com aumento de Ebitda.

O CEO da Eletrobras disse que o processo da Santo Antônio Energia é “completamente independente” do que foi decidido na privatização e não vê impacto.

Na semana passada, a Fitch Ratings avaliou em relatório que a Eletrobras é o único acionista que pode se interessar e ter recursos disponíveis para fazer o aporte de capital na Madeira Energia.

“Os grupos Odebrecht e Andrade Gutierrez têm liquidez restrita, com menor disponibilidade de caixa para aporte de capital”, disse a Fitch, acrescentando que vê como “administrável” para a Eletrobras até mesmo a injeção total de capital de 1,6 bilhão de reais na Madeira Energia.

Sobre a denúncia apresentada por associações de funcionários da Eletrobras à Security Exchange Commission (SEC), na qual alegam omissão de informações sobre a arbitragem de Santo Antônio, Limp disse que a companhia foi transparente e prestou informações. “Temos bastante segurança dos procedimentos adotados”.

(Por Letícia Fucuchima em São Paulo, reportagem adicional de Ricardo Brito em Brasília)

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