Negócios

Ele quer dominar o mundo

A Bio Ritmo já é a quarta maior rede global de academias. E, sob o comando do fundador Edgard Corona, planeja ganhar ainda mais musculatura nos próximos anos

Crédito: Feilpe Reis

Expansão: Edgard Corona, fundador do grupo Bio Ritmo, planeja inaugurar entre 90 e 120 unidades no País e no exterior (Crédito: Feilpe Reis)

Para as pessoas que buscam um bom condicionamento físico, nada é mais estimulante e recompensador do que enxergar, na prática, o resultado das horas dedicadas aos halteres, bicicletas ergométricas e afins. À frente da Bio Ritmo, grupo de academias que engloba as marcas Bio Ritmo e Smart Fit, o empresário Edgard Corona também tem o que comemorar. Da modesta unidade fundada em Santo Amaro, bairro da zona sul paulistana, em 1996, o negócio ganhou musculatura e atraiu sócios como o Pátria Investimentos e o Fundo Soberano de Cingapura. Dona de um faturamento de R$ 1 bilhão, em 2017, e com 480 academias, entre lojas próprias e franqueadas, no Brasil e em outros seis países da América Latina, a rede possui uma base de 1,6 milhão de alunos. E, aos 61 anos, Corona dá sinais de que tem fôlego de sobra para liderar mais um salto na operação, incluindo nesse circuito, novos pontos no mapa de internacionalização da companhia.

O passo mais recente nessa direção foi dado na segunda-feira 5, quando a empresa anunciou a compra da chilena Inversiones O2. O valor da aquisição não foi revelado. Pelos termos do acordo, o grupo Bio Ritmo assumiu 99,99% das ações da empresa que, até então, controlava dez franquias da Smart Fit, em Santiago. Com a transação, a rede brasileira vai incorporar essas unidades e 56,6 mil alunos. O pacote inclui ainda cinco academias premium, que marcarão o lançamento internacional da bandeira Bio Ritmo, também voltada a alunos de maior poder aquisitivo, com um tíquete médio de R$ 209. “Temos muito chão para percorrer”, afirma Corona. “Mas estamos com muita energia para consolidar uma nova fase de crescimento.”

O combustível por trás dessa estratégia é um plano de investimento de R$ 250 milhões para este ano. Uma parcela considerável desse montante será destinada à expansão internacional. Atualmente, a empresa possui 150 unidades no México, Chile, Colômbia, Peru, Equador e República Dominicana. Todas operam sob a marca Smart Fit, cujo modelo é focado em mensalidades mais acessíveis, a partir de R$ 59,90, e foi responsável por boa parte da escalada da rede no Brasil e na região. Em 2018, a meta é inaugurar de 40 a 60 academias com essa bandeira no exterior, entre lojas próprias e franqueadas. No ano, o grupo projeta reforçar a presença nos países em que já atua, além de entrar nos mercados da Argentina e do Paraguai. O empresário não descarta a incursão nos Estados Unidos e em outras regiões. Mas ressalta que, no médio prazo, a ideia é consolidar a operação na América Latina, que já responde por cerca de 40% da receita da companhia.

Esforço: uma das apostas da bandeira Bio Ritmo são os treinos de alta intensidade e com curta duração (Crédito:Anderson Espinosa)

Para especialistas, o grupo Bio Ritmo está bem posicionado para ganhar escala internacional justamente nas duas correntes que estão impulsionando o crescimento do setor : as redes low cost, nos moldes da Smart Fit, e aquelas que ofertam treinos com alto grau de especialização, caso da Bio Ritmo. “Esses são os segmentos de maior expansão, tanto em mercados referência, como os Estados Unidos, como em mercados menos desenvolvidos, como a América Latina”, diz Gustavo Borges, presidente da Associação Brasileira de Academias. “O Edgard tem o mérito de ter identificado essa mudança relativamente cedo”, afirma Ray Algar, fundador da consultoria britânica Oxygen, especializada no setor.

Mesmo sem sair, a princípio, dos limites da América Latina, o grupo Bio Ritmo já é o quarto maior do mundo, segundo dados da IHRSA, associação americana do setor. E com a expansão projetada para esse ano, a empresa tem a expectativa de superar a holandesa Basic-Fit, que tem pouco mais de 1,6 milhão de alunos. Completam o ranking as líderes LA Fitness e 24 Hour Fitness, redes americanas que possuem 5 milhões e 4 milhões de matrículas, respectivamente. Para expandir, o grupo tem recorrido a novas fontes de financiamento. “Nós estávamos muito restritos ao crédito do setor bancário e, agora, passamos a ter acesso ao mercado de fundos de investimento”, diz o empresário.

Em 2017, a empresa realizou duas emissões de debêntures, no valor total de R$ 540 milhões. Corona também não descarta uma abertura de capital e ressalta que a operação já está preparada caso surja um momento propício. Aliás, a rede entrou com o pedido de registro de companhia aberta junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também no ano passado. “Mas não temos um IPO no escopo. Por enquanto, estamos capitalizados para o que precisamos.” Nesse contexto, o mercado brasileiro também está no radar. Na bandeira Smart Fit, que possui 305 unidades no País, a meta é inaugurar entre 50 e 60 academias. Já para a rede da marca Bio Ritmo, atualmente com 30 estabelecimentos, o plano é adicionar duas novas unidades no Rio de Janeiro, sendo uma no Jockey Club e outra no bairro da Barra da Tijuca. Tanto no Brasil como no exterior, a estimativa é de que cerca de 85% da expansão será feita via unidades próprias.

Em frente: com a compra da chilena Inversiones O2, o grupo adiciona 56,6 mil alunos à sua base (Crédito:Divulgação)

Com 34,5 mil unidades, o Brasil é o segundo maior mercado mundial em número de academias, atrás apenas dos Estados Unidos, que possui 36,5 mil estabelecimentos, segundo a IHRSA. O setor, no entanto, não ficou imune aos efeitos da crise. Depois de registrar crescimentos consecutivos por muitos anos, o segmento recuou de um faturamento de US$ 2,5 bilhões, em 2014, para US$ 2,4 bilhões, em 2015. Em 2016, o montante foi de US$ 2,1 bilhões. Os dados do ano passado ainda não foram divulgados. Uma das estratégias usadas pelo grupo para enfrentar a crise teve início em 2016, na bandeira Bio Ritmo, que responde por 15% da receita da companhia.

Desde então, a rede passou a apostar no conceito de “microgyms”, baseado na criação de espaços diferenciados dentro de uma mesma academia. Nesses ambientes, a marca oferece treinos de alta intensidade, mesclando várias modalidades e, geralmente, com curta duração, o que vai ao encontro do tempo cada vez mais escasso dos alunos para se exercitarem. O projeto concentrou um investimento de R$ 6 milhões e já foi implantado em todas as 30 unidades da Bio Ritmo. “Com essa iniciativa, reduzimos em 15% a perda de matrículas na rede de 2016 para 2017. E conseguimos captar um novo perfil de aluno”, diz Corona. “Fizemos bastante coisa, mesmo com a crise. Esse ano será de retomada”, afirma o empresário.