Ciência

Eficácia x eficiência: compare as vacinas contra covid disponíveis no Brasil

Crédito: Pixabay

Embora nenhuma vacina tenha eficiência de 100%, todas apresentam proteção elevada contra as formas graves de covid (Crédito: Pixabay)

Mesmo com o avanço da vacinação, a pandemia de covid-19 entra em um momento delicado com a expansão da variante delta, surgida da Índia e presente em ao menos 92 países. À medida que os laboratórios tentam descobrir o quanto seus imunizantes protegem contra as novas mutações do coronavírus, novos estudos sobre eficiência e eficácia são publicados e permitem compreender melhor como combater a crise sanitária internacional.

+ Dose única da vacina Sputnik desencadeia forte resposta de anticorpos, segundo estudo

+ Organização Mundial da Saúde desaconselha combinação de vacinas de diferentes farmacêuticas

Para entender as diferenças entre os estudos científicos publicados é importante distinguir três conceitos básicos:



1 – A eficácia de uma vacina é analisada em um ambiente controlado, geralmente em testes da fase 3, e é eficaz quando produz o efeito esperado. Dentro desta perspectiva, as taxas de eficácia das vacinas contra a Covid-19 são:

– Pfizer: 95%
– Moderna: 95,5%
– Sputnik V: 91,6%
– Novavax: 89,3%
– AstraZeneca: 70%
– Janssen: 66%
– Coronavac: 50,4%

É fundamental ressaltar que essas taxas de eficácia dizem respeito à proteção contra a forma leve da doença. Considerando-se as formas mais graves de desenvolvimento da Covid-19 e os óbitos decorrentes desse agravamento, as vacinas apresentam uma proteção muito maior. A campanha de vacinação visa à imunização de toda uma população, o que permitiria controlar a circulação do vírus, então o fenômeno de escolha de vacinas não se justifica.

2 – A efetividade diz respeito ao mundo real, com todas as adversidades e alcance em massa sob condições adversas – é efetiva quando observada de uma perspectiva realista de impacto e proteção em uma sociedade.

3 – A eficiência é atrelada à relação custo-efetividade, ou seja, leva em consideração seu custo e aplicação (dose única ou dupla).

CoronaVac

Acusada de ter a mais baixa eficácia contra a forma leve da Covid, a vacina produzida no Instituto Butantan também tem sido majoritariamente utilizada no Chile. Um estudo, o primeiro sobre a efetividade da coronavac, publicado no último dia 7 de julho pela revista científica New England Journal of Medicine, com dados de vacinação chilenos, aponta que o imunizante teve efetividade de 86% na prevenção de mortes provocadas pela Covid-19. O levantamento analisou um grupo de 10,2 milhões de chilenos entre 2 de fevereiro e 1 de maio. As conclusões listam as efetividades da Coronavac:

– Prevenção de casos de Covid-19: 65,9%
– Prevenção de hospitalizações: 87,5%
– Prevenção de internações em UTI: 90,3%
– Prevenção de mortes: 86,3%

Aprovada para uso emergencial pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no início de junho, o imunizante do laboratório chinês Sinovac foi submetido a um estudo da Universidade do Chile de eficácia contra as variantes gama e alfa. As conclusões indicam uma redução de eficácia de 2,33 vezes contra a variante gama (originária no Amazonas) e 2,03 menor contra a alfa (oriunda do Reino Unido).

As novas cepas de coronavírus apresentam uma mutação na proteína “spike”, que permite ao vírus driblar anticorpos produzidos a partir do coronavírus original. O estudo foi publicado na revista científica medRxiv e foi realizado com 75 pacientes chilenos vacinados completamente com as duas doses da CoronaVac.

Produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, a CoronaVac tem um estudo de eficácia publicado na revista científica The Lancet que mostra que aumentar o intervalo entre as doses de 14 para 21 dias aumenta a eficácia de 50,7% para 62,3%. O estudo reuniu 12 mil participantes ainda em 2020. A pesquisa mostra ainda que a eficácia da vacina variava entre 78% e 100% contra casos graves sob a perspectiva do coronavírus original.

AstraZeneca

Desenvolvida no Brasil em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a vacina teve um novo estudo de eficácia feito pela Universidade de Oxford com 32 mil participantes na Inglaterra que elevaram sua eficácia dos 70% originais para 79% contra casos sintomáticos de Covid-19. Alvo de polêmica pelo risco raro de desenvolvimento de coagulação sanguínea e trombose, é consenso médico que os benefícios da vacina superar em muito qualquer risco de efeito colateral.

No Brasil, a Fiocruz concluiu no início deste mês um estudo de efetividade com 40 milhões de brasileiros a partir dos 60 anos que tomaram AstraZeneca e CoronaVac. Os números confirmam a efetividade de ambos os imunizantes: com uma dose, a efetividade das vacinas foi de 73,7% entre 60 e 79 anos, o que aumenta para 79,8% com as duas doses na mesma faixa etária. Há evidências de eficiência de 92% de proteção contra a variante gama, diz estudo da Public Health England

Na África do Sul, o ministério da Saúde informou que um estudo com a AstraZeneca indicou proteção limitada contra forma leve da Covid-19 causada peloa variante beta.

Janssen

A vacina da Johnson & Johnson possui dose única e apresentou eficácia de 66% que aumenta para 85% (após 28 dias da aplicação) contra casos graves e 100% de proteção contra hospitalização e morte após 28 dias da aplicação. Os dados são do Laboratório Farmacêutico Janssen em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), com mais de 44 mil voluntários de Argentina, Brasil, Chile, México, Colômbia, Peru e África do Sul.

A Food and Drug Administration, agência reguladora dos Estados Unidos, informa eficácia geral de 72% da Janssen. De acordo com o órgão, a vacina teve eficácia de 64% contra contra casos leves da variante beta e 82% contra as formas severas.

Em relação à variante delta, a chefe do programa de emergências da OMS, Maria van Kerkhove, afirmou no fim de junho deste ano que todas as vacinas disponíveis apresentam percentual relevante de eficácia. “A boa notícia é que até agora as vacinas funcionam contra a delta, mas pode haver um momento em que surja uma ‘constelação de mutações’ e tenha uma contra a qual elas percam sua potência. É isso que queremos evitar o máximo que pudermos”, disse Kerkhove em entrevista coletiva.

A Johnson afirma que sua vacina é eficaz contra a variante delta.

Pfizer

Das preferidas dos “sommeliers de vacina” devido à alta eficácia, a vacina Pfizer apresentou efetividade reduzida contra as variantes alfa e beta, de acordo com estudo da agência inglesa de saúde pública (Publich Health England). Foram analisados 14 mil casos da variante delta entre 12 de abril e 4 de junho deste ano.

– 96% de efetividade contra hospitalização provocado pela variante delta após 2 doses – a AstraZeneca apresentou efetividade de 92% nas mesmas condições.

– 88% de proteção contra formas leves de Covid-19 causados pela delta

Outro estudo de eficácia da Pfizer contra a variante delta na Escócia aponta efetividade de 79% contra a nova cepa. O Canadá mediu a efetividade em 87%.

Já uma pesquisa israelense publicada na revista Nature indica que a Pfizer perde eficácia após seis meses da aplicação – sua taxa de proteção contra sintomas leves caiu para 64%.

Apesar das comparações numéricas, não é possível comparar as taxas de eficácia e efetividade das vacinas pois cada estudo é feito em contextos diferentes, com pessoas e países distintos. Importante ressaltar que diversas pesquisas ainda estão em andamento e é natural haver distorções e diferenças entre os imunizantes que, embora apresentem uma proteção menor contra a variante delta, ainda são eficazes e eficientes contra todas as variantes que surgiram até o momento.

Veja também
+ Até 2019, havia mais gente nas prisões do que na bolsa de valores do Brasil
+ Geisy reclama de censura em rede social: “O Instagram tá me perseguindo”
+ Gel de babosa na bebida: veja os benefícios
+ Nicole Bahls já havia sido alertada sobre infidelidade do ex-marido
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Chef playmate cria receita afrodisíaca para o Dia do Orgasmo
+ Mercedes-Benz Sprinter ganha versão motorhome
+ Anorexia, um transtorno alimentar que pode levar à morte
+ Agência dos EUA alerta: nunca lave carne de frango crua
+ Yasmin Brunet quebra o silêncio
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago

Tópicos

astrazeneca coágulos astrazeneca efeitos colaterais astrazeneca eficácia astrazeneca vacina vencida butanvac Como é a variante indiana? compraração da eficácia das vacinas coronavírus Brasil coronavírus quantas cepas covid covid infectados brasil covid infectados mundo Covid-19 curevac Diferença entre as vacinas doses diferentes efeitos adversos vacina comparação efeitos colaterai vacina efetividade EFICÁCIA eficacia coronavac eficácia coronavac variante indiana eficácia curevac eficácia da vacina eficácia pfizer eficácia pfizer primeira dose eficácia segunda dose eficacia vacina Oxford eficácia vacinas comparação Eficiência da vacina fiocruz eficácia fiocruz produção fiocruz vacina Foi liberado a vacina para maiores de 18 anos? imunização ativa e passiva imunização de rebanho imunização SP infectados EUA covid Janssen eficácia janssen janela de imunização janssen período de proteção janssen precisa de mais uma doze O que é a variante P4 da Covid-19? o que é resposta imune? pandemia pandemia balanço brasil pandemia balanço mundo pfizer 3ª dose pfizer efeitos adversos pfizer segunda dose pra que tomar 3ª dose? quais vacinas estão sendo aplicadas no brasil quais variantes já chegaram no Brasil? Qual a diferença entre eficácia e efetividade da vacina? Qual é a nova variante da Índia? qual vacina é mais eficaz qual vacina é melhor para idosos? qual vacina funciona melhor com jovens? qual vacina precisa de 3ª dose? Qual vacina protege contra variante delta? Qual vacina protege contra variante indiana? qual vacina protege mais? quando vão liberar a Butanvac quantas vacinas Butantan Que comorbidade pode vacinar? Quem pode se vacinar SP? resposta imune Delta Plus resposta imune variante delta resposta imune variante Gamma segunda dose coronavac vacina vacina 3ª dose vacina balanço mundo vacina efeitos adversos vacina eficácia vacina mortes vacina mortos brasil vacina mortos mundo vacina oms vacinação vacinação balanço brasil vacinação cruzada vacinas balanço 2021 variante indiana brasil variante indiana letalidade variante indiana risco variante Manaus variante tanzania