Economia no ritmo da política

Economia no ritmo da política

Quais as consequências econômicas do permanente estado de instabilidade provocado pela crise política? A resposta começa a vir através de indicadores e mesmo em pesquisas realizadas junto a empresários. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) alertou na semana passada que a ainda tímida recuperação deverá seguir em um ritmo mais lento do que o esperado antes da balbúrdia criada com a delação do empresário Joesley Batista. Dessa maneira, a transição entre o estado recessivo e o de plena expansão deverá se alongar até o final do ano. Pelo menos.

Não chega a ser exatamente uma novidade, mas é lamentável que os Três Poderes de Brasília delimitem os planos da produção. O crescimento do PIB já foi revisto para baixo pelo Banco Central. Embora a indústria tenha produzido mais ao longo de maio e os estoques estejam caindo devido o incremento de compras dos consumidores, um dado sobre a diminuição da confiança do consumidor, que recuou quase dois pontos logo no mês subsequente de junho, funcionou como um balde de água fria. As projeções para 2018 apontam ainda uma recuperação, embora modesta.

Certamente as eleições devem influir nesse quadro, assim como a postergação das reformas e medidas econômicas de fundo. No caso da previdência, cujo rombo não para de crescer, o problema é mais grave. A proposta que seguiu para o Congresso espera a discussão dos parlamentares em banho-maria. A pouca determinação e responsabilidade desses senhores para com um assunto tão relevante só demonstram que eles colocaram seus interesses pessoais, eleitoreiros, acima do bem-estar da Nação. Nenhuma surpresa. Alguns alentos ainda são registrados e seria bom que eles seguissem adiante. A inflação, por exemplo, vem dando claras demonstrações de que se acomodou em um patamar reduzido.

Já se fala até em deflação. Os juros seguem atrás, encolhendo. E no mercado de trabalho os salários de contratados com carteira assinada voltaram a subir. São respostas remanescentes de ajustes que o Governo Temer vinha aplicando e que agora cederam lugar a prioridade de defesa do mandato. Para a oposição em especial, manter o Brasil nessa permanente vigília de instabilidade e de amarração aos podres acertos partidários atende perfeitamente aos seus objetivos. Sem opções de nomes para o lugar de Temer, sem alternativa de troca rápida de comando, o que pregam é a bagunça da pauta de votações, emperrando qualquer articulação de aliados em prol do desenvolvimento. Eles não se emendam.

(Nota publicada na Edição 1025 da Revista Dinheiro)

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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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