Economia e abertura

Economia e abertura

Não há como desatrelar a retomada da economia do combate ao coronavírus. Sem controle da pandemia, as chances de recuperação seguem remotas.

Especialistas debruçados sobre o tema estão cada dia mais convencidos de que a volta do consumo, da produção em bases normais, do uso de serviços – no plano do turismo, por exemplo, das viagens de avião, navio ou trem até as hospedagens – somente serão verificados com a segurança da saúde virando realidade. Nem todas as orientações de autoridades, cuidados e controles em locais públicos serão suficientes para convencer populações da volta da normalidade. Alguns arriscam dizer que a vacina da Covid-19 despontará como a salvação não apenas contra a doença como também para a economia. No Brasil, o ministro Paulo Guedes tem pedido cooperação entre os poderes para enfrentar a crise.

Ele acredita que a atividade pós-pandemia dependerá do suporte a ser dado aos mais afetados pelo caos sanitário. Sob pressão da Câmara dos Deputados, pediu a equipe de sua pasta para avaliar o programa de renda mínima e é possível que venha a ampliar o Bolsa Família através do remanejamento de gastos tributários que abram espaço no Orçamento Federal. São ações no rumo da ajuda, que passa pela minimização dos impactos da doença.

A Fundação Getúlio Vargas apontou, por sua vez, que uma reabertura prematura pode tornar ainda mais lenta a recuperação. No entender da entidade, com o número de casos diários em ascensão por aqui, sem o controle efetivo do vírus, qualquer medida no caminho da distensão do isolamento é perigosa. A FGV aponta que assim poderemos enfrentar o risco de termos um “voo de galinha”, com um refluxo gigantesco da pandemia em uma segunda onda ainda mais avassaladora. No plano das ações que aliviam parte do drama talvez a mais alvissareira seja a da desregulamentação de alguns setores, que está sendo pensada como alternativa para aumentar a competitividade na era de concorrência feroz que se avizinha. Os técnicos do time de Guedes estão realmente engajados na ideia de dar fôlego à iniciativa privada nacional. Nesse sentido, o governo anunciou que vai destravar cerca de R$ 20 bilhões de crédito para pequenas e médias empresas através de um programa que permite o uso do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), do BNDES, para um universo de empresas com receita bruta entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões. O “empoçamento” do crédito, que não chegava a ponta do tomador, era uma das grandes queixas dos empreendedores que, até hoje, não tinha visto a cor do dinheiro prometido como socorro emergencial.
Tal realidade parece prestes a mudar. E em boa hora. De uma maneira ou de outra, a retomada precisa ser feita de forma calculada e cuidadosa, sob pena de passos em falso.



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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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