Meio ambiente

Ecologistas do Extinction Rebellion anunciam série de ações em 60 cidades

Ecologistas do Extinction Rebellion anunciam série de ações em 60 cidades

(Arquivo) Um policial enfrenta ativistas do movimento ecologista Extrinction Rebellion (XR), em Lausanne, Suíça - AFP/Arquivos

O movimento ecologista Extinction Rebellion (XR) organizará a partir de segunda-feira uma série de ações em 60 cidades, incluindo bloqueios em Londres que podem durar mais de duas semanas.

“Aos governos do mundo, declaramos uma emergência climática e ecológica. Vocês não fizeram o suficiente. A todos os demais, rebelem-se”, apela o movimento em seu site oficial.

O XR insiste na urgência da questão e afirma que “estamos quase no ponto de não retorno”.

Além de Londres, o movimento prevê bloqueios em Madri, Amsterdã Berlim e Paris. Outras ações serão organizadas em Nova York, Washington, Buenos Aires e outras cidades.

O Extinction Rebellion foi criado no Reino Unido no fim de 2018 por iniciativa de acadêmicos, inspirados na estratégia de luta pelos direitos civis nos Estados Unidos nos anos 1960.

Ao pregar a desobediência civil, o XR se propagou graças às redes sociais e afirma ter 500 grupos em 72 países atualmente.

No Reino Unido, o movimento deseja, entre outras coisas, neutralidade das emissões de CO2 até 2025, objetivo que o governo fixou para 2050.

Em Londres, o Extinction Rebellion espera reunir entre 20.000 e 30.000 pessoas ao longo de duas semanas para ações de bloqueio em 12 pontos, a maioria próximos a Westminster, onde se concentram as sedes do poder, anunciou um de seus líderes, Robin Boardman.

O jovem de 21 anos afirmou que a mobilização será “cinco vezes maior” que a de abril passado, quando o XR organizou durante 11 dias ações que perturbaram o tráfego e terminaram com mais de 1.100 detenções.

Desta vez, a organização será “totalmente descentralizada”, indicou Joel Scott Halkes, um dos diretores do XR em Londres. Também está previsto um protesto no aeroporto de ‘London City’.

O movimento espalhou sangue falso na quinta-feira no ministério da Fazenda britânico para denunciar o financiamento de projetos prejudiciais ao meio ambiente.

Em Paris, o movimento terá uma “pré-estreia” no sábado, quando ativistas do XR pretendem ocupar um “lugar simbólico do sistema para transformá-lo em casa do povo”.

No domingo eles organizarão uma “cerimônia de abertura” em um parque da cidade, um evento festivo e público, antes de outras ações durante a semana.

Serão organizadas ações quase todos os dias até 12 de outubro sobre temas que envolvem o oceano, os resíduos plásticos ou as migrações forçadas relacionadas com a mudança climática.

Os militantes ressaltam o princípio de não violência, mas alguns temem a reação das forças de segurança às operações de bloqueio após um incidente em junho.

No momento em que ocupavam uma ponte que atravessa o rio Sena em Paris, integrantes do XR foram desalojados por policiais, que utilizaram gás lacrimogêneo a curta distância dos manifestantes.

As imagens, compartilhadas nas redes sociais, provocaram uma investigação.

“Sim, teremos bloqueios, a solução adotada para que o governo compreenda as coisas é bloquear a economia, mas também teremos ações de conscientização, música, alegria”, afirmou uma ativista francesa que pediu anonimato.

Em Berlim, o movimento prevê diversas manifestações pacíficas e bloqueios em ruas e parques.

O Extinction Rebellion também pretende bloquear uma ponte da capital alemã na quarta-feira e pede aos simpatizantes que se passem por turistas, com fotografias e olhando a paisagem, antes de um sinal para o início do bloqueio.

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