Podcast

“É preciso separar bitcoin das outras 10 mil criptomoedas: 99% delas não valem nada”, diz Charles Mendlowicz, economista

Crédito: Divulgação

Para Charles Mendlowicz, o Economista Sincero, existe muito “rolo” em criptomoedas. “Tem muita pirâmide, muito golpe, pois esse é o tema do momento e atrai golpistas” (Crédito: Divulgação)

O convidado do novo episódio do MoneyPlay Podcast, programa voltado para o mundo das finanças, é Charles Mendlowicz, economista com MBA em Gestão Estratégica de Negócios e em Logística Empresarial e mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

Criador do canal no YouTube “Economista Sincero” de educação financeira, com mais de 414 mil inscritos, ele conta no programa como começou no mundo das finanças e comenta sobre diferentes tipos de investimentos.

>>> Assista aqui o vídeo na íntegra.

Quando era criança, Mendlowicz acompanhava a mãe em agências bancárias e “colecionava” bloquinhos de comprovantes das operações para brincar. E, quando recebia mesada, economizava para poder montar um negócio. “Com 13 anos, montei meu primeiro computador com o dinheiro de mesadas e do meu bar mitzvá e criei uma BBS, que conectava um computador a outro antes da internet.”

Depois de cursar a faculdade de Economia, ele trabalhou por mais de 10 anos em uma empresa de médio porte do mercado financeiro, que atuava com crédito direto ao consumidor (DCD) e desconto de recebíveis. 

“Visitei mais de mil negócios diferentes, o que me deu uma bagagem enorme”, conta. ”Trabalhar em uma empresa desse tamanho significa que você tem que fazer de tudo um pouco. Você ganha uma bagagem que não tem preço.”

E, hoje, para as pessoas que atuam no mercado financeiro que atacam o trabalho registrado em carteira, Mendlowicz não poupa críticas. “É uma loucura que se criou no Brasil a vergonha de ser CLT. Vergonha é não trabalhar”, alfineta. “Ser empreendedor é legal, mas não é para todo mundo.”

O economista também destaca a vantagem de poder aprender com os erros dos outros, já que trabalhar em um negócio ajuda a ver como ele funciona e prepara o profissional para quando ele tiver sua própria empresa.

+As pessoas gastam mais tempo comparando geladeira do que decidindo onde investir seu dinheiro

+Em um dia, tinha um Audi 0 km. No outro, não tinha dinheiro para pagar o ônibus

+O que não falta é gente com conhecimento em finanças que vive com a vida bagunçada

+Até 2019, havia mais gente nas prisões do que na bolsa de valores do Brasi

+Não é difícil juntar R$ 1 milhão, as pessoas que colocam travas na cabeça

+A maioria de quem opera opções tem lucro. A maioria dos day traders tem prejuízo

+A gente busca os melhores investimentos em qualquer lugar do mundo

Uma nova carreira

Depois de empreender em alguns setores diferentes, em 2016 Mendlowicz foi para o Vale do Silício para estudar sobre startups. Na volta, criou um canal no Facebook que replicava diferentes tipos de notícias. Vieram outros canais, mas foi com o “Economista Sincero”, no YouTube, que Mendlowicz fez uma transição de carreira para a educação financeira. “Isso só foi possível porque eu tinha uma reserva financeira, ou seja, uma condição estável. Foi tudo planejado, pois eu já investia desde o início dos anos 2000”, explica. 

O economista acredita que, justamente por não ser muito acessível às pessoas, o mercado financeiro hibernou e só recentemente “explodiu” no Brasil. “Não era o plug and play (ligar e usar, na tradução do inglês) como é agora para investir. Só era possível fazer no banco, mas o gerente vendia coisas nada a ver”, lembra.

Hoje, compara Mendlowicz, o investidor pode baixar um aplicativo, transferir R$ 20 via Pix e comprar cotas de fundos imobiliários, ações, criptomoedas, ouro ou BDRs. “Antes, as pessoas não se interessavam, eu nem conseguia alguém para conversar sobre o tema. Agora, no churrasco, só se fala de investimentos.”

Criptomoedas

O economista diz que as mudanças no mercado financeiro são cada vez mais rápidas. “Até 2018, os bancos fechavam contas de corretoras de criptomoedas. E, se você fizesse uma TED de R$ 50 mil, o gerente ligava e dizia que seria obrigado a informar a transação e, talvez, encerrar sua conta”, relembra. “Hoje, apenas três anos depois, já vemos propagandas de banco sobre bitcoin.”

Quando começou a estudar bitcoin, em 2017, o economista achou que a criptomoeda “explodiria”, no bom sentido. “Deixei de trocar o carro para investir R$ 9.800 em bitcoin”, conta. Dois meses depois, o valor despencou, mas ele manteve o investimento, pois o valor estava dentro dos 10% de risco de seus investimentos. 

Em setembro deste ano, o bitcoin começou a subir e chegou a quase R$ 60 mil cada. Mendlowicz vendeu uma parte, o suficiente para pagar a metade do valor do carro. “Aprendi a dinâmica das criptomoedas”, diz. 

Aprender sobre o investimento é realmente importante, pois, segundo o economista, existem muitos problemas com criptomoedas. Ele afirma que há pirâmides e golpes neste tipo de investimento, pois é o tema do momento e atrai golpistas. “É um negócio muito interessante, mas é preciso separar o bitcoin das outras mais de 10 mil criptomoedas: 99% delas não valem nada.”

Há um ano, ele montou uma carteira de criptomoedas e a tornou pública em seu canal no YouTube. O aporte inicial foi de R$ 17 mil. Hoje, vale R$ 206 mil, sem ele ter feito novos aportes, apenas ajustes pontuais. Desse total, ele já retirou R$ 20 mil para garantir que não perderia o capital inicial investido. 

Aliás, essa é uma dica do economista para quem está começando a investir: no momento em que um ativo de risco se valoriza muito, retire dele o valor equivalente ao capital inicial. “Nada sobe pra sempre, assim como nada cai pra sempre.”

Aprendizados

Para Mendlowicz, atuar no mercado financeiro não é difícil, mas exige paciência. “Quando comecei a investir, não havia tanta informação, nem canais no YouTube dizendo para ir com calma”, conta. 

De 2003 a 2006, ele teve muito prejuízo com day trade (operações de compra e venda de ações no prazo máximo de um dia) e operando opções. E, quando buscou mais informações, como fazer análise gráfica, perdeu ainda mais dinheiro. “Ganhei confiança em um negócio que não entendia tanto, mas depois percebi que não era pra mim.”

Na entrevista, o convidado disse ter descoberto sozinho que balancear era a melhor opção: 90% em investimentos seguros e 10% nos de risco. Isso porque você consegue expor parte do patrimônio a ativos que podem ser realmente atraentes, mas não arrisca o seu principal. 

Hoje, ele segue o princípio de buy and hold, ou seja, compra pensando no longo prazo. “Compro barato, vendo seguro e foco muito em dividendos”.  Nos 90% da segurança, ele investe em imóveis, renda fixa, fundos com liquidez diária, ações e BDRs. Nos outros 10% estão ações de mais risco e criptomoedas.

O economista reconhece que a emoção e a adrenalina do mercado financeiro atraem, mas que não valem para todo mundo. “Se você é médico, por exemplo, o que é melhor: perder três horas com day trade ou se dedicar ao seu ofício, ganhar e investir em algo que te pague um dividendo mais seguro?”, questiona.

Mendlowicz acredita que as pessoas subestimam o poder de investir pouco por muito tempo. “Muita gente teria condições de investir R$ 100 todo mês e não investe, pois acha que não vai dar em nada”, diz. “Se você investir um pouco sempre, o montante vai crescer. Com o tempo, o resultado acelera e fica mais rápido multiplicar o dinheiro.”

O economista acredita, inclusive, que isso deveria ser ensinado na escola. “Se o jovem sai do colégio sabendo que R$ 20 todo mês vai fazer diferença lá na frente, ele muda de vida e começa a trabalhar com outra cabeça”, afirma. “Quem está preocupado em poupar, já começa a cuidar para não se endividar e, mais do que isso, se vira para conseguir dinheiro para investir todo mês e se tornar um milionário.”

Confira aqui todos os episódios do programa.