Edição nº 1066 20.04 Ver ediçõs anteriores

É a economia, claro!

É a economia, claro!

Henrique Meirelles tenta repetir a saga de Fernando Henrique Cardoso, que saiu direto da pasta da Fazenda para ocupar a presidência da República. FHC foi eleito no lombo do Plano Real, que trouxe estabilidade econômica e distribuição de renda à população. Meirelles espera apresentar um plantel de conquistas fundamentais – queda recorde dos juros e da inflação, retomada das exportações e do crescimento do PIB, volta dos empregos dentre outras – resumidas no desafio maior de fim da recessão e da crise. Há diferenças de origem e de ambições entre um e outro. FHC era notoriamente um animal político, com vivência nos grandes acordos partidários.

Meirelles é um ás dos fundamentos monetários, ex-banqueiro, com pouco traquejo para o jogo de conchavos e alianças necessárias a uma corrida ao Planalto. FHC sonhou com uma mudança social mais profunda, representada através dos diversos planos assistenciais que depois, na era PT, deram origem ao Bolsa Família. Meirelles acredita na meritocracia e espera ensinar aos brasileiros a forma mais eficaz para ser bem-sucedido no competitivo mundo capitalista. São duas visões de vida que convergem, lá na frente, na mesma direção.

Meirelles é ainda pouco conhecido do grande público, um ponto de interrogação eleitoral cuja viabilidade da candidatura ainda suscita desconfiança, mesmo entre seus aliados. Mas, não há como negar, o ministro presidenciável apresenta uma tenacidade e disposição para disputa rara entre os adversários diretos. Não é de hoje que ele acalenta esse sonho. Anos atrás deixou, por decisão própria, uma bem-sucedida carreira como CEO mundial do BankBoston, titã das finanças globais, para se dedicar a política em seu País. Tentou, desde o início, no seu retorno, seguir no ramo. Foi atropelado pela competência econômica que o forçou a aceitar convites fora da área de preferência, até alcançar a Fazenda, de onde quer retomar o voo eleitoral.

Meirelles deve se filiar nos próximos dias ao MDB, deixando o PSD. A troca de sigla está embutida em um plano mais elaborado que pode colocá-lo tanto na condição de preferido para disputar já o Planalto quanto no posto estratégico de vice, compondo uma chapa com o atual mandatário Michel Temer. Ambos, que dividem o mesmo anseio de comandar o País, ainda padecem de baixos índices de popularidade. Certamente, lá na frente, o que estiver em melhor condição nas pesquisas de preferência do eleitor deve encabeçar a chapa. Meirelles será, de todo modo, um forte cabo eleitoral. É dele o trunfo de reconduzir o País ao trilho do desenvolvimento. E também nas urnas a economia vai contar muito, é claro.

(Nota publicada na Edição 1063 da Revista Dinheiro)


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