Casos confirmados de sarampo em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, passaram de dois em 2018 para 85 em 2019, de acordo com dados da prefeitura. O município lidera, no estado, o número de casos confirmados da doença. A maioria deles – 97% – foi registrados em bebês de 6 a 24 meses, que ainda não foram vacinados. Diante da situação, autoridades do município e do estado alertam a população para a importância da vacina.

“A única estratégia, a única saída para reverter essa situação é através da vacinação”, diz à Rádio Nacional, médico da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe. “Um apelo que a gente está fazendo é para que as pessoas compareçam aos postos de vacinação. A gente tem vacina tríplice, que protege contra sarampo, disponível em todos os postos do estado. Não há por que não se vacinar, uma vez que a vacina está disponível”, acrescenta.

O sarampo é uma doença viral grave e altamente contagiosa que pode evoluir para complicações e levar à morte. A transmissão ocorre no contato de pessoa para pessoa e pela propagação no ar.

Os primeiros sintomas são febre, tosse, coriza, como um resfriado comum. O paciente pode ter perda de apetite e apresentar conjuntivite, com olhos vermelhos, lacrimejantes e fotofobia.Surgem manchas vermelhas na pele. Essas erupções começam no rosto, na região atrás da orelha, e vão se espalhando pelo corpo. O paciente também pode sentir dor de garganta.

Em nota divulgada hoje (5), a prefeitura de Duque de Caxias, diz que, entre outras ações, determinou que as Unidades de Estratégia de Saúde da Família façam busca ativa, através dos agentes comunitários, para detectar as crianças de 6 meses a 24 meses que se encontram com vacinação atrasada, para que possa ser atualizada.

Até o mês de novembro foram aplicadas 12,5 mil primeiras doses da vacina, alcançando uma cobertura vacinal de 92,38%. A expectativa, de acordo com a prefeitura, é de que até o final de dezembro, Duque de Caxias alcance a meta de 95% de cobertura vacinal.

Estado do Rio

Os números registrados até o momento pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro são menores que os divulgados pelo município, mas ainda assim colocam Duque de Caxias no topo das notificações de sarampo no estado. De acordo com a Subsecretaria de Vigilância em Saúde (SVS) foram 193 casos de sarampo em 2019, distribuídos da seguinte maneira: Duque de Caxias (56), Rio de Janeiro (53), São João de Meriti (19), Belford Roxo (17), Magé (12), Paraty (12), Nova Iguaçu (10), Niterói (4), Cabo Frio (2), Nilópolis (2), Rio das Ostras (2), Casimiro de Abreu (1), Itaguaí (1), Angra dos Reis (1) e Saquarema (1).

O número de casos notificados no estado aumentou em relação a 2018, quando o estado do Rio registrou apenas 20 casos de sarampo.

Em nota, a Secretaria esclarece que orientou os municípios com casos da doença sobre ações de bloqueio preconizadas pelo Ministério da Saúde e que, para o Rio de Janeiro e Duque de Caxias, cidades com maior número de casos, “emitiu alertas de atenção para possíveis novas notificações e para investigações em tempo ágil. Além disso, equipes da SVS estão em contato com os coordenadores municipais de piores índices de cobertura vacinal e realizam visitas nas localidades”.

Bloqueio vacinal é a vacinação de familiares e de outras pessoas que possam ter tido contato com pessoas contaminadas, seja no ambiente de trabalho, na escola, na residência ou em outro ambiente.

Orientações

Chieppe explica que este período do ano não é o mais crítico para a propagação da doença, o que deve ocorrer com maior intensidade a partir de junho do ano que vem, com a chegada do frio. Para isso, é preciso intensificar, desde já, a vacinação. “As pessoas que não sabem ou não conseguem avaliar se têm o esquema vacinal completo, o ideal é que peguem a caderneta de vacinação, compareçam ao posto mais próximo para que um profissional de saúde daquela localidade avalie a necessidade ou não de complementar a dose”, diz.

Ele ressalta ainda que, apesar da campanha de vacinação contra o sarampo estar focada na população de 20 a 29 anos, “os postos [do estado] estão abertos para as pessoas em qualquer faixa etária, principalmente até 49 anos”. O esquema vacinal está, segundo o médico, completo, quando a pessoa já tomou duas doses da vacina após 1 ano de idade.

“Quem não tiver essas duas duas doses tomadas após 1 ano de idade não está completamente protegido, tem que ser avaliados no posto e, eventualmente, receber uma dose adicional”, explica.

Segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, no mês passado, a região Sudeste tem o maior de pessoas que não recebeu sequer a primeira dose da vacina contra o sarampo. A estimativa é que dos 9,4 milhões não vacinados em todo o Brasil, 5,4 milhões estejam da região Sudeste e, cerca de 1,2 milhão, no Rio de Janeiro.

Ao todo, em 2019, foram notificados aproximadamente 53,8 mil casos suspeitos de sarampo no Brasil. Destes, foram confirmados 11,9 mil, o equivalente a 22,1%. De acordo com o Ministério, 15 pessoas morreram pela doença.

São Paulo era o estado com o maior número de casos confirmados nos últimos 90 dias, 3,7 mil (86,58% do total). Em segundo lugar, estava o Paraná, com 259 casos (5,99%). O Rio aparecia em terceiro lugar, com 79 casos confirmados, o equivalente a 1,83% dos casos brasileiros nos últimos meses.