Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar devolveu ganhos iniciais e passava a cair frente ao real na manhã desta quinta-feira, acompanhando movimento visto no exterior em dia de maior apetite por risco, enquanto investidores avaliavam a decisão do Banco Central de elevar a taxa Selic a 13,75% e manter a porta aberta para aperto monetário residual em setembro.

Às 10:41 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,52%, a 5,2509 reais na venda. A moeda oscilou entre 5,2968 reais (+0,35%) e 5,2459 reais (-0,61%) ao longo das primeiras negociações.

Na B3, às 10:41 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,69%, a 5,2925 reais.

Parte desse movimento foi atribuída por Jefferson Rugik, presidente-executivo da Correparti Corretora, ao cenário externo, já que o índice da moeda norte-americana contra uma cesta de rivais fortes caía nesta sessão, abrindo espaço para valorização de divisas arriscadas, como pesos mexicano e chileno, rand sul-africano e dólar australiano.

O clima global se mostrava majoritariamente benigno e inclinado à procura por risco nesta quinta-feira, dia com poucos catalisadores, conforme perdia força o efeito de comentários de autoridades do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que recentemente indicaram manutenção de sua agressividade na conduta da política monetária.

No Brasil, investidores ainda estavam digerindo o comunicado de política monetária do Banco Central, que foi divulgado na véspera, após o fechamento dos mercados. A autarquia subiu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, maior patamar desde janeiro de 2017, e indicou que poderá encerrar seu agressivo ciclo de aperto com um ajuste menor em setembro.

Num geral, elevações do juro básico costumam beneficiar o real, já que tornam os retornos da renda fixa brasileira mais interessantes, atraindo recursos de investidores estrangeiros e aumentando a oferta de dólares no país.

No entanto, alguns participantes do mercado argumentaram que parece haver pouco espaço para aumento residual da Selic em setembro, e avaliaram o posicionamento do BC como “dovish”, ou seja, mais comedido no combate à inflação, o que pode explicar a alta pontual do dólar vista logo após a abertura da sessão.

“O tom ‘dovish’ da comunicação pode provocar uma reação negativa dos agentes do mercado financeiro, entendendo que a sinalização do ciclo pode ter sido inadequada” no contexto atual de aperto monetário global e expectativas de inflação crescentes para 2023, disse em relatório o BTG Pactual. Isso pode “adicionar risco nos ativos domésticos, desfavorecendo o real frente o dólar”, avaliou o banco.

O BTG Pactual tem como cenário central uma taxa de câmbio de 4,80 por dólar ao final deste ano, visão apoiada pelo quadro de juros domésticos elevados. Mas, recentemente, o banco piorou seu cenário alternativo para 5,19 por dólar, citando ambiente global desafiador, em meio ao ciclo de aperto monetário do banco central dos Estados Unidos, e riscos fiscais domésticos.

O dólar spot fechou a última sessão com variação positiva de 0,02%, a 5,2781 reais na venda.

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