Economia

Dólar fecha a R$ 4,20, no maior valor desde a criação do Plano Real

Segundo operadores, a alta ocorre na esteira de um aumento sazonal da procura pela moeda americana e na ausência de notícias com força suficiente para puxar o dólar para baixo

Dólar fecha a R$ 4,20, no maior valor desde a criação do Plano Real

Após ter começado o dia em queda, o dólar gradualmente escalou sobre o real até fechar esta segunda-feira no maior nível da história do Plano Real, em R$ 4,2055, uma alta de 0,29%. A alta ocorre na esteira de uma procura sazonal por dólares no fim do ano, o que pressiona o câmbio. Além disso, com as tensões na América Latina e sem um noticiário doméstico que ajudasse o real, a moeda americana acabou avançando ao patamar histórico. A sessão desta segunda-feira, 18, foi negativa para divisas emergentes conforme pesaram dúvidas sobre a situação comercial entre Estados Unidos e China.

No Brasil, a força do dólar seguiu amparada pela falta de expectativa de considerável ingresso de capital no curto prazo, depois da frustração com a participação estrangeira no leilão do excedente da cessão onerosa, no começo de novembro. Além disso, há baixa disposição no mercado de tomar qualquer risco em uma semana encurtada, em razão do feriado da Consciência Negra, na quarta-feira. Com isso, a cotação deixou para trás o recorde anterior nominal para um fechamento —de 4,1957 reais na venda, do dia 13 de setembro de 2018.

Sazonalidade

Geralmente, o espaço para queda do dólar ante o real no fim do ano já é sazonalmente limitado. Isso porque há um aumento da procura pela moeda americana internamente, por parte de empresas e fundos que enviam remessas ao exterior. Segundo operadores, os investidores testam o Banco Central para atuar aumentando a liquidez do mercado. A atuação do BC nessa época não é atípica.

No pico do dia, a moeda chegou a tocar os R$ 4,2090, mais de R$ 0,03 acima da mínima, atingida pela manhã, R$ 4,1702.

Juros e Ibovespa

O movimento influenciou também a curva de juros. As taxas, que vinham durante o dia em leve queda, zeraram o recuo e passaram a oscilar com viés de alta, também batendo máximas. Segundo operadores, a alta ocorre na esteira de um aumento sazonal da procura pela moeda americana e na ausência de notícias com força suficiente para puxar o dólar para baixo. Colabora ainda um cenário turbulento na América Latina e o noticiário externo que colocou novas dúvidas sobre o acordo EUA/China.

Operadores nas mesas de câmbio e renda fixa ressalvam que o movimento pode ser pouco representativo uma vez que não tem respaldo de liquidez. Nas ações, o Ibovespa também perdeu força, passando a operar no terreno negativo e renovando mínimas. Às 16h39, o índice tinha 106.490,10 pontos (-0,06%). /COM REUTERS

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