Finanças

Dólar fecha a R$ 5,1775, em dia de cautela à espera do Fed

Crédito: Arquivo/Agência Brasil

Moeda norte-americana teve leve queda nesta terça-feira (Crédito: Arquivo/Agência Brasil)

A cautela pautou os negócios no mercado de câmbio nesta terça-feira, 27, em meio a um dia negativo para ativos de risco e à espera, amanhã, pela decisão de política monetária do Federal Reserve, seguida de entrevista coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell. Sinais de desaceleração da economia americana em meio a pressões inflacionárias embaralham as apostas para o início da redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos. E essa incerteza, aliada a questões políticas locais, impede que o real se beneficie da expectativa de alta mais pronunciada da taxa Selic.

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A moeda brasileira até ensaiou se fortalecer pela manhã, em meio à perda de fôlego do dólar frente ao euro (após indicadores fracos nos EUA) e a divisas emergentes pares do real, como o peso mexicano, além de relatos de entrada de recursos para ofertas de ações na B3. Mas o dólar voltou a ganhar força à tarde e fechou perto da estabilidade, com investidores adotando posições defensivas. Operadores destacam que o dia foi mais uma vez de liquidez reduzida, o que torna a taxa de câmbio mais suscetível a negócios pontuais.

Com mínima de R$ 5,1499, registrada no início da tarde, e máxima de R$ 5,2060, o dólar à vista encerrou a sessão desta terça-feira (27) a R$ 5,1775 (+0,06%). Em julho, a moeda americana acumula alta mais de 4%, o que deve acentuar a disputa pela formação da Ptax de fim do mês até sexta-feira (30).



O estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, nota que o ambiente externo foi muito negativo hoje, com tombo das bolsas americanas e falta de apetite por risco. “O mercado está apreensivo com a possibilidade de que o Fed possa dar sinais de início de retirada dos estímulos. Os dados da economia americana não estão muito bem, mas a questão da inflação preocupa e muitos membros do Fed parecem querer agir logo”, afirma Laatus, ressaltando que, além da incerteza externa, há preocupações com o ambiente político local e o andamento da reforma do Imposto de Renda. “O dólar só não sobe mais por existe essa expectativa de alta de juros mais forte no Brasil”.

O estrategista Gautam Jain, do Ohmresearch, não crê em mudanças substanciais no comunicado do Federal Reserve amanhã, mas nota que a divisão entre os integrantes do Banco Central americano sobre o início da redução de estímulos se tornou mais aguda. “Os debates sobre o início do ‘tapering’ provavelmente vão esquentar por causa das leituras recentes de inflação, bem como novos sinais de desaceleração da atividade”, afirma Jain, em nota.

Jain observa que a dinâmica das divisas emergentes se ligou muito mais ao desempenho do índice DXY – que mede o desempenho do dólar em relação a seis moedas fortes – nos últimos meses, devido ao debate sobre o ‘tapering’. “Entramos em uma fase em que qualquer fortalecimento global do dólar resulta em desempenho ruim das divisas emergentes”, afirma Jain, que acredita, contudo, em uma performance melhor do real em relação a seus pares.

Para o operador Lucas Mastromonico, da B.Side Investimentos, o ambiente externo conturbado, com temores relacionados à China e ao avanço da variante Delta, e as questões políticas domésticas explicam a volatilidade recente do dólar e limitam o fôlego do real. “O clima é de muita incerteza. Mesmo assim, temos ainda a perspectiva de uma queda do dólar até o fim do ano, quem sabe para perto de R$ 5, com a Selic mais alta e as exportações fortes, por conta dos preços das commodities”, afirma.

Dados das contas externas, divulgados hoje pelo Banco Central, mostraram que o resultado das contas correntes foi positivo em US$ 2,791 bilhões em junho, abaixo da mediana de Projeções Broadcast (US$ 5,150 bilhões). Dois pontos chamaram a atenção: remessas de US$ 1,584 bilhão de lucros e dividendos em junho, bem superior aos US$ 228 milhões em igual mês do ano passado, e a entrada de apenas US$ 174 milhões em Investimento Estrangeiro Direto no País.

No Twitter, o sócio sócio-fundador e CEO da Armor Capital, Alfredo Menezes, nota que as remessas de lucros e dividendos estão muito maiores que nos últimos anos e que o resultado do IDP passa um recado em relação ao projeto de reforma tributária que traz a tributação de lucros e dividendos. Analistas têm alertado, desde o anúncio do projeto de reforma do IR, que impõe a taxação de 20% sobre lucros e dividendos, sobre a possibilidade de que empresas antecipem as remessas para evitar a tributação.

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