Economia

Dólar esboça alta com mercado atento a Brasília e inflação em alta

Crédito: REUTERS/Edgard Garrido

O mercado mantinha ainda os olhares voltados para Brasília após a enxurrada na véspera de piora nas revisões para a economia brasileira (Crédito: REUTERS/Edgard Garrido)

Por José de Castro



SÃO PAULO (Reuters) – O dólar ensaiava alta em comparação ao real nesta terça-feira, com investidores analisando o combo local de indicadores econômicos e atentos à tomada de fôlego da moeda norte-americana no exterior.

O mercado mantinha ainda os olhares voltados para Brasília após a enxurrada na véspera de piora nas revisões para a economia brasileira, na esteira da deterioração na percepção de risco às contas públicas após o governo confirmar planos de romper o teto de gastos.

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O dólar à vista subia 0,35%, a 5,5717 reais, às 9h48. Na B3, o dólar futuro de primeiro vencimento ganhava 0,24%, a 5,5755 reais.



No exterior, as moedas emergentes reduziam os ganhos para 0,17% ante o dólar, enquanto a divisa norte-americana zerou as perdas contra rivais de países ricos.

O mercado de câmbio doméstico tem acompanhado com atenção os acontecimentos em torno da política monetária, com instituições financeiras turbinando apostas para o aumento de juros conforme a inflação acelera. O IBGE informou nesta manhã que o IPCA-15 (tido como prévia da inflação medida pelo IPCA) registrou a maior alta para outubro desde 1995.

Com isso, o mercado de juros voltava a sentir forte pressão, com as taxas de curto prazo –mais reativas às expectativas para as decisões da Selic– em disparada de quase 40 pontos-base.

Contratos futuros na B3 apontavam juro médio de quase 10% já no começo de 2022, bem acima dos 6,25% de agora.

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Na esteira dos mesmos motivos, a taxa embutida em contratos de câmbio a termo do real para um ano fechou na véspera acima de 10% ao ano pela primeira vez desde janeiro de 2017.

Esse juro é uma medida do retorno oferecido pelo real, e seu aumento pode oferecer algum colchão à moeda brasileira, que ainda é vista sob forte pressão do lado político-fiscal, agravada pelo risco de um delta ainda mais negativo de crescimento econômico na passagem de 2021 para 2022.

“A pressão sobre o real vai aumentar ainda mais em 2022, quando as condições financeiras ficarem mais restritivas e se o governo e o Congresso relaxarem a consolidação fiscal de olho nas eleições”, disseram estrategistas do Société Générale em relatório.

Ao longo da segunda-feira, várias casas de análise revisaram para cima estimativas para o dólar. O Bank of America, por exemplo, passou a enxergar a moeda em 5,70 reais ao fim de 2022.

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