Finanças

Dólar à vista fecha em leve alta em dia de liquidez minguada e sem EUA

Crédito: REUTERS/Ricardo Moraes

Notas de dólares e reais (Crédito: REUTERS/Ricardo Moraes )



Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar teve leve alta nesta segunda-feira, dia em que o mercado ficou à mercê de fluxos pontuais sem a referência das operações nos Estados Unidos, em que as bolsas de valores não operaram por um feriado.

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Ao fim dos negócios no mercado à vista, o dólar subiu 0,26%, a 5,5271 reais.



A moeda norte-americana até chegou a cair mais cedo –operou em baixa de 0,32% na mínima, a 5,4946 reais. As vendas predominaram logo após o começo do pregão, quando o mercado reagiu positivamente a dados melhores que o esperado sobre o IBC-Br de novembro. Mas a liquidez menor e um tom ligeiramente mais forte do dólar no exterior terminaram por puxar a moeda para cima posteriormente e até o fechamento.

Pouco menos de 111 mil contratos de dólar futuro haviam sido negociados na B3 até o momento, 55% abaixo da média de segundas-feiras ao longo de 2021. Pelos dados da clearing de câmbio também da B3, menos de 400 milhões de dólares haviam sido contratados até o momento, 67% a menos, na mesma base de comparação.

À parte a segunda de poucos negócios, o foco doméstico durante a semana se volta para pressões de servidores do governo por reajustes salariais e a sanção do Orçamento 2022.


“O ponto alto da semana na Esplanada (dos Ministérios) é a expectativa de paralisação do funcionalismo público, que a cada dia ganha mais adesões. Mesmo às vésperas da primeira manifestação, o governo ainda não indicou qual estratégia seguirá para contemplar a categoria, mas cresce a expectativa que venha a existir de fato um aumento linear para todos os servidores, mesmo sem a concordância no Ministério da Economia”, disse a Renascença.

“Com as notícias de cortes de valores não acordados que foram incluídos na LOA pelas pastas, pode ser que o Executivo venha trabalhando em vetos à peça orçamentária que permita esse aumento que, segundo os noticiários, pode chegar em até R$ 4 bilhões”, completou.

A atenção do mercado a esses pontos se justifica pelo receio persistente em torno de aumentos de gastos –com previsões gerais de piora do déficit fiscal em 2022, ano eleitoral–, num momento em que investidores acompanham declarações de pré-candidatos à Presidência da República e de integrantes de equipes acerca do tema.

“Em tese, olhando para o dólar no mundo, o segundo semestre poderia trazer algum respiro para o Brasil, porque seria um momento de aceleração do crescimento mundial. Mas aí esbarramos com as eleições aqui”, disse Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora. “Algum tipo de cenário mais claro para o dólar só em 2023”, adicionou.

Para o Itaú Unibanco, o real seguirá “historicamente depreciado” com as incertezas externas e domésticas. A instituição manteve estimativas de taxa de câmbio de 5,50 por dólar ao fim de 2022 e 5,75 por dólar em 2023.

“Mesmo com elevação da taxa Selic, o cenário global (com aumento da taxa básica de juros americana diante das pressões inflacionárias) e as incertezas relacionadas à evolução das contas públicas nos próximos anos impedem uma expressiva apreciação da moeda nos próximos anos”, disse.

“O real deve se manter em patamar historicamente depreciado depois de ter terminado o ano de 2021 em 5,57 por dólar”, afirmou o Itaú em relatório de cenário macro para Brasil assinado pelo departamento de pesquisa macroeconômica do banco, chefiado pelo ex-diretor do Banco Central Mario Mesquita.

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