Estilo

Do MoMA para o seu escritório

Depois de conquistar um espaço permanente no Museu de Arte Moderna de Nova York, a grife de móveis corporativos Herman Miller investe na produção local para ampliar sua exposição no Brasil

Crédito: Gabriel Reis

Mario Espinosa: o vice-presidente da Herman Miller na América Latina e Caribe na cadeira Cosm. (Crédito: Gabriel Reis)

Em 1956, o casal de designers Charles e Ray Eames criou uma cadeira que viria se tornar uma obra de arte. A poltrona Eames Lounge, confeccionada em madeira e com assento em couro na cor preta, foi desenhada para o diretor de cinema Billy Wilder, mas ganhou fama ao aparecer no programa Home, apresentado por Arlene Francis, na NBC (National Broadcasting Company).

A peça, produzida até hoje pela Herman Miller, empresa americana de mobiliário, é um ícone do design do século 20 e ganhou até um espaço permanente no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Mas ela foi apenas uma das muitas inovações promovidas pela empresa. A grife sempre esteve associada a grandes nomes do design como Alexander Girard (responsável por inserir estampas nos móveis da marca), George Nelson (criador da primeira mesa em L) e Bill Stumpf e Don Chadwick (desenhistas da cadeira Aeron). Lançada em 1994, a Aeron revolucionou os móveis para escritório ao substituir tecido por tela no encosto e no assento, permitindo que as impecáveis camisas dos executivos ficassem intactas de manchas de suor. A peça é uma das mais vendidas da Herman Miller e ganhou fãs como o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, que usou o modelo quando escrevia o discurso “Estado da União” de 2015, e de muitos executivos de alto escalão. Assim como a Eames Lounge, a Aeron também ganhou espaço no acervo permanente do MoMA.

A premiada Plex Lounge Furniture (Crédito:Divulgação)

O sucesso dos móveis para ambientes corporativos da empresa começou na década de 60 quando o inventor Robert Propst, funcionário da companhia, criou o conceito do “Escritório de Ação”. A ideia é que mesas organizadas em cubículos geravam maior produtividade, além de proporcionar privacidade às estações de trabalho. Esse conceito de organização é considerado ultrapassado atualmente e a Herman Miller acompanhou a mudança.

No Brasil, a empresa cresce em uma base de 36% ao ano — e seus prognósticos para 2019 são avançar mais 10% em cima desse percentual. Quando se entra na loja da marca em São Paulo, aberta há quatro anos, é possível identificar claramente o novo conceito de organização espacial corporativa, que aboliu as divisórias e os espaços fixos. O mesmo acontece na sede da empresa em Holland, no Michigan. “Hoje os espaços de trabalho são muito dinâmicos e nós precisamos ser flexíveis para nos adaptar às novas tecnologias e à nova realidade”, diz Mario Espinosa, vice-presidente da Herman Miller na América Latina e Caribe. Dentro desse novo conceito de ambientes compartilhados, a empresa criou, nos últimos anos, vários novos produtos. Um deles é a Plex Lounge Furniture, conjunto de poltrona e mesa ajustável, desenhada pelos britânicos Sam Hecht e Kim Colin. A peça foi premiada em 2016 na NeoCon, feira de inovação da indústria do design.

Ícone: a poltrona Charles Eames, clássico da marca que virou obra de arte exposta em museu de Nova York (Crédito:Divulgação)

AUTO-AJUSTE Também nasce daí a cadeira Cosm, que se auto-ajusta de acordo com o peso e altura de cada pessoa, e a escrivaninha Ratio, de altura ajustável, item que é fabricado no Brasil. A produção local, aliás, é uma das prioridades da grife. A Herman Miller está no Brasil há 50 anos, mas só nos últimos cinco anos resolveu fabricar seus produtos aqui. “O mercado brasileiro tem potencial de ser duas vezes maior que o mexicano, que hoje representa 70% das nossas vendas na América Latina,” diz Espinosa.

Ao longo dos anos, a empresa adquiriu nove marcas com sedes nos Estados Unidos, na Inglaterra, Holanda e Dinamarca. Segundo Espinosa, antigamente as tendências mudavam a cada oito anos, mas hoje o mercado é muito mais dinâmico. “Queremos ter produção em diversos locais porque nosso foco é sermos flexíveis”, diz ele. “Assim conseguimos ser ágeis para mudar algumas linha ou criar produtos específicos para cada País.”