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Disputa para Chancelaria alemã é lançada


A corrida pela sucessão de Angela Merkel na Alemanha começa esta semana dentro de seu partido conservador, com os candidatos tomando distância da dirigente, cujo futuro político é incerto.

Ao jogar a toalha na segunda-feira passada, depois de um ano tumultuado à frente da CDU, a até então sucessora da chanceler, Annegret Kramp-Karrenbauer, conhecida como “AKK”, varreu a perspectiva de uma transição pacífica no final de 2021, quando termina o quarto mandato de Merkel.

“O problema com os gigantes é que eles devem acabar como gigantes. Não é possível uma transição ordenada com eles (…). Os todo-poderosos devem ser derrubados”, profetizou o jornal “Bild” nesta segunda-feira (17).

O veículo também lembra que a própria Angela Merkel precipitou, em 1999, a queda de outro grande da política, seu mentor Helmut Kohl, que deixou a chefia da CDU após um escândalo político-financeiro.

AKK deve se reunir esta semana com os candidatos para suceder-lhe como líder do partido conservador, antes de apresentar seu relatório às autoridades democratas cristãs na segunda-feira, 24 de fevereiro.

Na terça-feira, vai-se reunir com Friedrich Merz, de 64 anos, rival histórico da chanceler, apontado pelas pesquisas como o preferido nas fileiras conservadoras, segundo a agência de notícias DPA.

– Merkel atacada sobre a Europa –

“O eterno segundo”, segundo a revista semanal “Der Spiegel”, terá, enfim, sua revanche?

Partidário de uma guinada acentuada à direita, esse advogado que passou pelo Blackrock, um poderoso fundo de investimento americano, foi derrotado por Kramp-Karrenbauer no final de 2018.

Entre os favoritos também aparece Armin Laschet, 58 anos, atual chefe do maior estado regional alemão, Renânia do Norte-Vestfália. Centrista, ele ainda precisa convencer a base conservadora, mas parece mais bem colocado do que Friedrich Merz para se unir aos Verdes, em pleno crescimento. Esta seria uma coalizão sem precedentes no nível federal.

Para ele, aproximar-se de Merkel está fora de questão. No domingo, criticou a chanceler por sua falta de resposta às propostas do presidente francês, Emmanuel Macron, para relançar o projeto europeu.

Finalmente, o ambicioso ministro da Saúde Jens Spahn, de 39, aparece como outsider, tendo se destacado no final de 2015 por ser um dos primeiros a criticar a decisão da líder de abrir as fronteiras alemãs para mais de um milhão de refugiados.

Spahn parece aberto a uma direção “coletiva”, ideia mencionada neste fim de semana por várias autoridades que não querem ver uma divisão do partido.

O primeiro ponto a esclarecer será o posicionamento em relação ao partido de extrema direita AfD, insistiu no domingo Markus Söder, chefe do “partido-irmão” da CDU na Baviera, a CSU.

Apresentado como pretendente à Chancelaria, Söder exclui qualquer aproximação com a AfD, após o terremoto deflagrado no início de fevereiro por uma aliança na região da Turíngia entre a direita moderada e a extrema direita.

Quebrando um tabu na Alemanha do Pós-Guerra, o assunto divide a CDU, já que a fuga de alguns de seus eleitores para a extrema direita compromete sua capacidade de governar.

Tendo obtido cerca de 40% das intenções de voto em 2015, a CSU agora atrai apenas 26% dos eleitores, de acordo com pesquisa da DeutschlandTrend da última quinta-feira.

A resposta à AfD – complexa, uma vez que o partido adota um discurso ao mesmo tempo antimigrante, antielite e antieuropeu – está longe, porém, de ser a única questão sensível.

A partida de Angela Merkel, seja no final de 2021, ou por meio de eleições antecipadas, coincide de fato com o fim de um período econômico dourado. Caberá a seus sucessores prepararem o futuro de uma Alemanha que está envelhecendo e que reluta em usar seus superávits públicos para investir.

O país também terá de acelerar sua transformação industrial diante das mudanças climáticas, um desafio particularmente difícil para o setor automotivo.