Direto da “terra do vinho”, graças ao Zoom

Direto da “terra do vinho”, graças ao Zoom

Taças com brancos e tintos da vinícola israelense Golan Heights 

Foi minha primeira degustação virtual, só que com vinhos reais. Desde o início do isolamento social, reunir produtores e jornalistas na mesma mesa está fora de questão. A tecnologia digital, contudo, torna possível essa conexão. Na tarde da terça-feira 28, a importadora Inovini convidou um grupo de críticos para degustar dois rótulos da vinícola israelense Golan Heights: um chardonnay e um cabernet sauvignon – ambos muito bons, por sinal. As garrafas haviam sido previamente entregues. Usando o Zoom, programa de videoconferência que se popularizou desde o início da pandemia, a diretora de marketing e exportação da vinícola, Yael Gai, abriu os trabalhos contando um pouco da história do vinho na região da Galileia (iniciada há 7 mil anos) e da empresa, fundada em 1983 nas Colinas de Golan, ao norte de Israel, onde a altitude chega a 1,2 mil metros.

Segundo Yael, antigamente até crianças tomavam vinho por lá, uma vez que a bebida era uma fonte importante de calorias e nutrientes. “A água era poluída, enquanto o vinho era saudável”, disse. Com o tempo, porém, o consumo passou a ser restrito a atividades religiosas. “A produção decaiu em Israel e só foi retomada na década de 1980”, exatamente quando nasceu a Golan Heighs, com a proposta de produzir rótulos de alta qualidade, dentro dos princípios kosher, e com foco no mercado externo. Hoje, a produção de 5,5 milhões de garrafas chega a 35 países – e o reconhecimento de seus atributos é notável, principalmente da linha premium Yarden (Jordão, em hebraico).

O Cabernet Sauvignon 2004 da marca estreou no Top 100 da Wine Spectator em 2008. A safra 2009 conquistou o ouro no Mundus Vini. O vinho estagia por 18 meses em barricas de carvalho francês (40% novas) e, apesar do alto teor alcoólico (15%), essa característica não se sobressai. O aroma potente, que combina frutas como cereja e cassis a chá preto e chocolate amargo, antecipa os sabores intensos na boca, com grande frescor e persistência.

A degustação foi conduzida pelo enólogo Judah Morrison e começou pelo chardonnay vinificado em barricas de carvalho francês (50% novas), onde o vinho permanece por mais sete meses antes de ser engarrafado. A safra 2012 também ficou entre os 100 melhores da Wine Spectator, que lhe atribuiu 92 pontos. Para o enólogo, os aromas combinam maçã verde, frutas cítricas e notas florais, além de especiarias doces. De textura densa, é bem encorpado e persistente, com 14% de álcool. Não causa espanto que as Colinas de Golan sejam conhecidas localmente como “terra do vinho”. Eles sabem o que fazem. Mais informações clique aqui.

 

Os premiados chardonnay e cabernet sauvignon da linha premium Yarden: no Top 100 da Wine Spectator
Os premiados chardonnay e cabernet sauvignon da linha premium Yarden: no Top 100 da Wine Spectator (Crédito:Reprodução)

 

 

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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