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Direção cerebral

Tecnologia exibida pela Nissan conecta os carros diretamente ao cérebro dos motoristas

Direção cerebral

Os carros autônomos já circulam em fase de testes por diversas cidades americanas. Mas a próxima fronteira do setor automobilístico é bem mais complexa: o cérebro no controle do veículo. Não se trata de ficção científica. A fabricante japonesa Nissan aproveitou a Consumer Electronics Show (CES), a maior feira de tecnologia do planeta, que aconteceu em Las Vegas, na semana passada, para exibir ferramentas que conectam os carros aos neurônios dos motoristas.

Chamada de brain-to-vehicle (do cérebro para o veículo, na tradução livre), a novidade faz exatamente o que o nome sugere. Ao receber sinais cerebrais do condutor, o carro poderá se preparar com até 0,5 segundo de antecedência para realizar os movimentos pretendidos pela pessoa que está guiando. Tempo que pode ser determinante na hora de frenagens bruscas e curvas perigosas. Isso não significa que o veículo vai realizar as manobras sozinho, como nos carros autônomos, mas sim que se antecipará para que os movimentos sejam mais suaves e tornem a condução mais lisa e segura. “Poderemos começar a mexer os pneus antes que o motorista gire o volante”, diz Lucian Gheorghe, pesquisador sênior da Nissan e responsável pelo projeto. Além disso, a Nissan também espera trazer mais conforto aos condutores com a possibilidade de ajustar a temperatura do ar-condicionado ou a inclinação do banco de forma automática.

Penso, logo executo: Saiba como funciona o sistema da Nissan (Crédito:Divulgação)

O protótipo mostrado pela Nissan é um tanto quanto desajeitado. Para controlar o carro pelo cérebro, é necessário o auxílio de um eletroencefalograma. Usando uma touca especial, os motoristas têm seus padrões elétricos formados pelos neurônios enviados diretamente para os veículos. Com base na leitura, os carros conseguem entender o que o condutor está planejando fazer antes que eles executem os movimentos. “É importante deixar claro que essa não é uma tecnologia para ler pensamentos”, afirma o Gheorghe. “O que nós construímos é uma conexão entre o cérebro e os sistemas de inteligência dos veículos.”

Ainda em fase de estudos, a tecnologia de assistência à direção pode se tornar viável dentro de um período de cinco a dez anos, segundo o pesquisador. É um mercado que dá os primeiros passos. Um estudo da consultoria americana ABI Research estima que soluções que conectem o cérebro a máquina movimentem US$ 200 milhões em 2020. “Os usuários de videogames serão os primeiros a usar essas interfaces”, diz Jeff Orr, diretor de pesquisas da ABI Research.