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Dinheiro a zap

Um mês depois da autorização do Banco Central, o WhatsApp começa a oferecer o serviço de transferência de dinheiro por mensagem.

Crédito: Divulgação

Desde terça-feira (4), pouco mais de um mês após a autorização do Banco Central (BC), o WhatsApp começou a oferecer aos usuários a possibilidade de transferir dinheiro pelo aplicativo. Quando o sistema estiver plenamente operacional, os usuários poderão remeter dinheiro e fazer pagamentos, além de enviar mensagens de texto, arquivos de áudio e imagens. Neste primeiro momento, no entanto, a facilidade só estará disponível para clientes das bandeiras Visa e Mastercard, bem como para os correntistas das instituições financeiras liberadas pela autoridade monetária. Até agora, os bancos credenciados são Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Sicredi, Next, Banco Inter, Mercado Pago, Nubank e Woop. Essas parcerias são essenciais para o funcionamento do sistema. O aplicativo não fará a transação, mas será um “inicializador de operações”. Em português, isso quer dizer que ele só dará o aviso para que a operação seja efetivada pela instituição credenciada. É o banco que vai processar o pagamento ou a remessa de dinheiro, que será realizado por meio da plataforma da Cielo.

As perspectivas para o Brasil são amplas. Perdendo apenas para a Índia, o País é o segundo maior mercado da popular plataforma de mensagens controlada pelo Facebook. São 235,4 milhões de celulares, dos quais 99% já contam com o aplicativo. Considerado o grande reforço, o PIX ainda não tem previsão de ser incluído no pacote. Assim como o sistema de pagamento instantâneo do BC, as operações pelo WhatsApp não serão cobradas. Isso deve ajudar a consolidar ainda mais o processo de digitalização da indústria financeira no País, iniciada pelo PIX e pelo open banking, democratizando ainda mais os serviços bancários, segundo o sócio da consultoria Deloitte, Sergio Biagini.

Para o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, as transferências de dinheiro pelo WhatsApp estão começando e ainda será preciso ver como será o impacto disso no mercado. “No Brasil, o aplicativo é bastante difundido e é natural esperar que haja um volume grande de transações. Mas isso não nos preocupa sobremaneira. Estamos em uma situação de juros baixos, então temos de ter ganhos de escala”, disse durante coletiva de imprensa sobre os resultados do banco.

O fato é que as transferências gratuitas, seja por mensagens ou pelo PIX, colocam mais pressão sobre os bancos, reduzindo ainda mais os seus faturamentos com transações. E isso deve se intensificar com a maior concorrência proporcionada pelo open banking e pela entrada maciça de fintechs na disputa pelos clientes, especialmente a legião formada pelos 45 milhões de desbancarizados no País. Essa competição pode incluir, no futuro, o próprio Facebook, que além de fazer transferências de dinheiro poderá oferecer outros serviços financeiros, como aconteceu na China com o WeChat. “No início, o aplicativo chinês negociava as moedas ligadas a games, mas depois a plataforma percebeu que poderia fazer transferências de valores e micropagamentos e hoje se tornou o maior banco da China”, disse Cazou Vilela, diretor de marketing do banco digital de multimoedas Zro Bank.

CONFIGURAÇÃO Antes de habilitar a função de transferências bancárias, o usuário precisa atualizar o WhatsApp, independentemente do sistema operacional utilizado, Android ou iOS. Em seguida, é necessário cadastrar um cartão na plataforma do Facebook Pay. O sistema garante a proteção dos dados e cada transação exigirá obrigatoriamente o uso de um código PIN (sequência numérica criada pelo próprio usuário, ou pela opção de reconhecimento biométrico do celular), que será solicitado sempre que uma transação acontecer. Essa é uma forma de proteger o dinheiro e evitar transferências ilegais. Neste primeiro momento, o serviço está sendo oferecido para pessoas físicas. O Banco Central ainda estuda as formas de uso para empresas.