Economia

Deslocamento da demanda de serviços para bens ajuda na recuperação da indústria

O movimento de recuperação da produção industrial após o fundo do poço da crise causada pela covid-19 foi ajudado pelo deslocamento da demanda de serviços para bens, afirmou nesta terça-feira, 2, André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com os contatos sociais restritos por causa da pandemia, muitos consumidores ficaram impedidos de gastar com serviços presenciais, mas, de casa, continuaram comprando desde produtos básicos, como alimentos, até duráveis, como móveis e eletrodomésticos.

Mais cedo, o IBGE informou que a produção industrial engatou o oitavo mês seguido de alta em dezembro, ao crescer 0,9% ante novembro. No período, acumulou avanço de 41,8%, mais do que superando as perdas do auge da pandemia, em março e abril. Com isso, o nível de produção atingiu em dezembro patamar 3,4% acima do registrado em fevereiro do ano passado, antes da covid-19 se abater sobre a economia.

Segundo Macedo, o efeito do deslocamento da demanda, apoiado por medidas de transferência de renda, como o auxílio emergencial para trabalhadores informais ou os programas de manutenção do emprego, pôde ser observado no comportamento da produção industrial de 2020 como um todo.

No agregado, a produção recuou 4,5% ante 2019, mas em seis dos 26 ramos industriais investigados pela Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) o desempenho anual ficou no positivo. As principais influências positivas no agregado de 2020 vieram de produtos alimentícios (alta de 4,2% no ano) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (4,4%). Os demais ramos com alta no ano passado foram fumo (10,1%), perfumaria e produtos de limpeza (2,7%), farmacêuticos (2,0%) e papel e celulose (1,3%).



“O deslocamento do consumo faz parte desse momento da economia”, afirmou Macedo.

Segundo o pesquisador, também fecharam o ano no positivo produtos específicos como eletrodomésticos e eletroportáteis, materiais de construção, como ladrilhos e cerâmica.

“Isso fez parte de 2020. Agora, como isso vai se comportar mais a frente, não sabemos”, completou Macedo.

O pesquisador do IBGE também considerou natural a perda de ritmo no crescimento da produção industrial no fim do ano. A alta de 0,9% em dezembro ante novembro ficou abaixo do 1,1% de novembro, enquanto de maio a julho as taxas de variação estavam próximas de 10%, numa desaceleração motiva, principalmente, pela depreciada base de comparação de abril.

Para além disso, Macedo citou fatores conjunturais que contribuem para a perda de fôlego. São eles a aceleração da inflação – com efeito negativo maior sobre a produção de alimentos -, a redução do valor do auxílio emergencial nos últimos meses de 2020 e o mercado de trabalho, que ainda está “longe de um movimento de recuperação”. A dificuldade de acesso a matérias-primas em alguns segmentos da indústria pode ser um problema adicional.

“A ausência do auxílio (emergencial), na medida em que alcançou boa parcela da população, é algo que preocupa e vai definir muito dos rumos não só da indústria, como da economia (em 2021)”, afirmou Macedo.

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