Estilo

Design brasileiro para exportação

Após expandir sua atuação nos Estados Unidos, a fabricante de mobiliário de luxo Ornare prepara inauguração de sua primeira loja em Dubai e quer tornar o Brasil referência no mercado de alto padrão.

Crédito: Divulgação

LUXO PARA EXPORTAÇÃO Esther e Murillo Schattan, fundadores da Ornare, na fábrica de Cotia (SP): marca globalizada. (Crédito: Divulgação)

Com suas duas torres conectadas por uma ponte suspensa e um visual que mescla transparência e opacidade, o edifício Opus consegue chamar a atenção em meio aos arranha-céus futuristas de Dubai. É o único projeto de hotel com design interno e externo assinado pela arquiteta Zaha Hadid (1950-2016). E é também o endereço escolhido pela brasileira Ornare, especializada em mobiliário de luxo, para instalar seu primeiro showroom no Oriente Médio. “Dubai é um mercado encantador”, disse Murillo Schattan, fundador da Ornare. “O público está preocupado com as tendências e tem muita vontade de ter um produto de alto padrão.” A previsão é inaugurar a loja até o final deste ano.

Dubai não é o primeiro mercado internacional explorado pela Ornare. Além de 12 unidades no Brasil, a empresa tem oito lojas nos Estados Unidos, em cidades como Nova York, Houston e Los Angeles. A primeira delas foi inaugurada em Miami, há 16 anos, e Schattan acredita que há potencial para abrir ao menos outras 20 unidades. A presença nos Emirados Árabes Unidos, porém será um marco importante. Não apenas para expandir a atuação da empresa em um mercado de alto poder aquisitivo como para reforçar o papel que a Ornare assumiu de levar o design brasileiro para fora do País. “Nós exportamos luxo”, afirmou Schattan. “Vendemos um produto que é reconhecido no mundo da decoração e competimos com players internacionais.”

O grande apelo da Ornare está em oferecer um design autoral, assinado por nomes brasileiros, e que pode ser totalmente personalizado pelo cliente. “Desde que começamos já tínhamos essa premissa. Nunca quisemos fazer algo que já existia”, afirmou Esther Schattan, cofundadora da empresa. Novas coleções são lançadas regularmente. A mais recente, Square Round, é assinada pelo diretor de arte Ricardo Bello Dias em parceria com as arquitetas Patrícia Martinez e Vivian Coser, que se inspiraram em formas geométricas. Coleções anteriores, no entanto, não saem do catálogo. Arquitetos e consumidores têm liberdade para misturar estilos em um projeto único. “Quando fomos para fora foi fácil, porque já tínhamos um produto totalmente diferente”.

ATENDIMENTO VIRTUAL A produção é toda nacional. As peças são feitas na fábrica da empresa, em Cotia (SP), embaladas e enviadas por navio ou avião para os clientes internacionais. Desde o início da pandemia, a demanda aumentou. Murilo Schattan afirmou que a produção cresceu 70%. A dinâmica de atendimento, no entanto, não sofreu tanto com as restrições de circulação. A empresa já está acostumada a usar vídeo para conversar com clientes em cidades distantes de onde estão as lojas físicas. O que houve, segundo ele, foi uma mudança nos hábitos de consumo. Se antes muitos consumidores buscavam espaços menores e mais práticos, com a crise sanitária passaram a procurar por ambientes maiores e mais confortáveis. “Além disso, as casas se tornaram hubs de encontro, com vários CNPJs em um mesmo endereço”, disse Esther. Com isso, diversos projetos feitos pela Ornanre permitiram equipar melhor as moradias para a mescla de trabalho e vivência familiar, desde a cozinha até o escritório.

A empresa também desenvolve iniciativas alinhadas às boas práticas ESG (ambientais, sociais e de governança). Algumas, no entanto, são anteriores à popularização da sigla. “Desde que começamos sempre tivemos a visão de reduzir o desperdício”, disse Esther. Há mais de 20 anos o processo produtivo da Ornare leva o selo FSC (Forest Stewardship Council) de sustentabilidade. O pó que sai do corte das peças, por exemplo, é transformado em fertilizantes. Aparas de couro e madeira são enviadas a ONGs e transformadas em brindes.

Uma vez por ano, a Ornare para a linha de produção e faz peças em formato de coração que são distribuídas para artistas. Depois de receberem intervenções, essas obras são expostas e, então, leiloadas. Neste ano, participaram nomes como o fotógrafo Gabriel Wickbold, o grafiteiro Crânio e o designer Alê Jordão. O leilão acontecerá nos dias sábado (7) e domingo (8) e a expectativa é arrecadar R$ 500 mil. Os recursos serão usados pela ONG Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade (Arcah) para ajudar a população em situação de rua.