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Descoberta ‘a maior cidade antiga’ do Egito, perto de Luxor

Crédito: AFP

(Arquivo) Detalhe do sarcófago dourado do faraó egípcio Tutankamón, na oficina de restauração do Grande Museu Egípcio (GEM) de Giza, ao sudoeste do Cairo, em 13 de abril de 2020 (Crédito: AFP)

Uma missão arqueológica egípcia descobriu a “maior cidade antiga do Egito”, com mais de 3.000 anos, perto de Luxor (sul).

O famoso egiptólogo Zahi Hawass anunciou a descoberta desta “cidade dourada perdida” perto de Luxor, onde fica o lendário Vale dos Reis.

“A missão arqueológica […] descobriu uma cidade enterrada que data do reinado do rei Amenófis III e que continuou sendo usada pelo rei Tutancâmon, ou seja, há 3.000 anos”, disse a missão arqueológica em um comunicado divulgado na quinta-feira (8).

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Amenófis III, que ascendeu ao trono em 1.391 a.C., morreu em 1.353 a.C.. Na cidade, foram encontrados objetos, como joias e peças de cerâmica com seu selo, que permitiram confirmar a datação, diz a nota.

É “a maior cidade antiga do Egito”, segundo Hawass, citado no comunicado.

A missão começou suas escavações em setembro de 2020 entre os templos de Ramsés III e Amenófis III, perto de Luxor.

Betsy Bryan, professora de arte e arqueologia egípcia na Universidade Johns Hopkins, disse que a descoberta foi a “segunda descoberta arqueológica mais importante desde a tumba de Tutancâmon” há quase um século, de acordo com o comunicado.

Joias, potes de cerâmica colorida, amuletos de besouro e tijolos de barro com os selos de Amenófis III apareceram nas escavações.

“Muitas missões estrangeiras buscaram esta cidade e nunca a encontraram”, disse Hawass, ex-ministro de Antiguidades.

“Em algumas semanas, para grande surpresa da equipe, as formações de adobe começaram a aparecer”, relata o comunicado. “O que desenterraram foi o local de uma grande cidade em bom estado de conservação, com paredes quase inteiras e cômodos cheios de ferramentas da vida cotidiana”, completa o texto.

– Tumbas cheias de tesouros –

Após sete meses de escavações, vários bairros foram descobertos, incluindo uma padaria com fornos e cerâmica de armazenamento, assim como bairros administrativos e residenciais.

Amenófis III herdou um império que se estendia do rio Eufrates, nos atuais Iraque e Síria, até o Sudão, e morreu por volta de 1354 a.C., segundo historiadores da antiguidade.

Governou por quase quatro décadas, um reinado conhecido por sua opulência e pela grandeza de seus monumentos, incluindo os colossos de Memnón, duas enormes estátuas de pedra perto de Luxor que retratavamo ele e sua esposa.

“As camadas arqueológicas permaneceram intactas por milhares de anos, deixadas pelos antigos residentes como se fosse ontem”, celebra o comunicado da equipe.

Bryan afirma que a cidade permitirá “nos oferecer uma visão geral incomum da vida dos antigos egípcios durante as horas mais luxuosas do Império [Novo]”.

A equipe se mostrou otimista quanto à possibilidade de que apareçam mais descobertas importantes, acrescentando que foram encontrados grupos de túmulos, aos quais se chegava através de “escadas esculpidas na rocha”. Trata-se de uma construção similar às encontradas no Vale dos Reis.

“A missão espera descobrir tumbas intactas cheias de tesouros”, acrescentou o comunicado.

Depois de anos de instabilidade política após a revolta da chamada Primavera Árabe de 2011, um duro golpe para a indústria turística egípcia, o país tenta recuperar visitantes. A promoção de seu patrimônio antigo é um dos caminhos.

Na semana passada, o Egito transportou os restos mortais mumificados de 18 antigos reis e quatro rainhas pelo Cairo, do emblemático Museu Egípcio para o novo Museu Nacional da Civilização Egípcia, em uma procissão batizada de “Desfile Dourado dos Faraós”. Entre os 22 corpos estavam os de Amenófis III e de sua mulher, a rainha Tiy.

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