Negócios

Desafio feminino na neurociência

No Brasil há 14 anos, a empresa de biotecnologia Biogen coloca pela primeira vez uma mulher à frente do cargo de gerente geral. O novo comando se dá no momento em que a companhia reúne esforços no pioneiro tratamento para desacelerar o Alzheimer.

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"O poder da representatividade e minha trajetória dialogam com as necessidades de negócio da empresa” Tatiana Marante, gerente geral da Biogen Brasil. (Crédito: Divulgação)

Tatiana Rivas Marante. Esse é o nome da mulher que alçou o mais alto cargo na operação brasileira da multinacional Biogen, umas das maiores empresas de biotecnologia do mundo. Assumindo a cadeira no início deste ano, a jornada da executiva se assemelha aos desafios que enfrentará no cargo. Primeira mulher a assumir o posto nos 14 anos de operação da empresa no País, a inédita promoção de Tatiana reflete os dados nesse segmento. Em 2018, a Academia Brasileira de Ciências contabilizou a presença de mulheres como membros titulares em 14% dos postos. Hoje, dos 573 membros titulares, 102 são mulheres – isso significa apenas 17,8%. “O poder da representatividade e minha trajetória dialogam com as necessidades de negócio da empresa”, disse Tatiana à DINHEIRO. Em outras palavras, não se trata de uma promocão por gênero. Longe disso. Ela assume em meio a uma inovadora pesquisa para o tratamento da doença de Alzheimer (DA) e sua chegada marca também o rompimento de barreiras no combate a doenças degenerativas como a esclerose múltipla (EM) e a Atrofia Muscular Espinhal (AME).

A executiva carrega um currículo invejável. São 20 anos de carreira e passagens por grandes companhias do setor farmacêutico como Abbott, Janssen e Pfizer. Com a oportunidade, Tatiana pretende usar a experiência para dar continuidade ao desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas da companhia. Hoje, o Brasil é um dos principais mercados da Biogen, que faturou globalmente US$ 14,4 bilhões em 2019 e encerrou o período de janeiro a setembro de 2020 com faturamento de US$ 10,5 bilhões – queda de 2% sobre o mesmo período do ano anterior.

Em nível global, o desafio de emplacar novas soluções medicamentosas também é grande. E um dos principais é o avanço no tratamento de pacientes da doença de Alzheimer (DA). Segundo ela, o medicamento da Biogen (ainda a ser aprovado pelas autoridades brasileiras) “tem potencial para dar a possibilidade de uma vida normal aos pacientes.” Os planos da companhia para 2021 ainda incluem o tratamento para a Atrofia Muscular Espinhal (AME). “O acesso amplo ao primeiro tratamento modificador da AME tem sido nosso principal objetivo desde o registro do medicamento no Brasil, em 2017”, afirmou.

TRATAMENTO INÉDITO Companhia pioneira em neurociência, Biogen aposta em medicamento que promete desacelerar declínio cognitivo de pacientes com doença de Alzheimer. (Crédito:Divulgação)

PONTO DE INFLEXÃO Se as oportunidades são grandes, os desafios de operar no Brasil acompanham a mesma magnitude. Isso porque o governo deu mais um duro golpe no desenvolvimento em pesquisa e ciência no País ao aprovar na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2021 uma redução de 34% nos recursos destinados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Com isso, o dinheiro direcionado para a pasta girará em torno de R$ 2,37 bilhões, ante os R$ 3,6 bilhões de 2020. A título de comparação, os Estados Unidos investem, em média, 2,8% do PIB em Ciência, Comunicação e Pesquisa. No Brasil o recurso gira em torno de tímidos 0,4%.



Na avaliação de Tatiana, essa desvalorização sistêmica da ciência impacta nas iniciativas que buscam inovações na saúde. “Sabemos, na prática, a importância da ciência na evolução da medicina e o ecossistema que a envolve. É por meio dela que temos a oportunidade de mudar vidas.” Desde cedo aprendendo que para se destacar em um universo dominado por homens ela teria que fazer muito mais com muito menos, Tatiana parece a escolha certa da multinacional para enfrentar os desafios do Brasil.

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