Edição nº 1138 16.09 Ver ediçõs anteriores

“Demos uma jamanta para Bolsonaro dirigir, mas ele não tem habilidade para isso”

Antonio Setin, presidente da incorporadora Setin, se diz desapontado com o desempenho do governo do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, os próximos quatro meses podem ser a redenção ou o desastre do País.

“Demos uma jamanta para Bolsonaro dirigir, mas ele não tem habilidade para isso”

Como a Setin fechou 2018 e quais são as perspectivas para esse ano?
Lançamos quase R$ 500 milhões em empreendimentos no ano passado e começamos a acelerar a compra de terrenos e a aprovação de projetos para 2019. Tínhamos a expectativa de que o Brasil seria como aquele paciente que sai de doença grave e começa a se alimentar e a andar pelo corredor do hospital. Que nasce de novo. Preparamos nosso escopo para um valor geral de vendas de R$ 700 milhões nesse ano. Mas o cenário até o momento não é o que imaginávamos.

Por quê?
Demos uma jamanta para o presidente Jair Bolsonaro dirigir, mas parece que ele não tem experiência e habilidade para isso. O partido do governo não se entende, bate cabeça e há muito fogo amigo. Não há uma coordenação. E quando a própria equipe não está alinhada, passa uma sensação de muita insegurança.

Como esse contexto se reflete no setor imobiliário, que vinha ensaiando uma recuperação?
Os lançamentos seguem indo bem, mas muito mais por conta da demanda reprimida de três, quatro anos. E todos sabem que os preços estão deprimidos, que ainda há muito estoque. Nós, por exemplo, temos cerca de R$ 1 bilhão em estoque. Mas se não houver mudanças, de fato, no cenário político e econômico, essa demanda reprimida começa a se esgotar.

Esse cenário traz alguma influência para os planos da Setin?
Estamos com um pé no acelerador e outro no freio. Se precisar, estamos prontos para parar. Nossa posição é bastante cautelosa. O que antes vínhamos acelerando, agora olhamos com mais critério. Por enquanto, não mudamos nada. Já temos quatro lançamentos que estão dados e continuamos trabalhando como se a curva estivesse alterada para cima. Seguimos otimistas, mas diria que os próximos quatro meses podem ser a redenção ou o desastre para o País.

(Nota publicada na Edição 1121 da Revista Dinheiro)


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