Edição nº 1125 14.06 Ver ediçõs anteriores

“Demos uma jamanta para Bolsonaro dirigir, mas ele não tem habilidade para isso”

Antonio Setin, presidente da incorporadora Setin, se diz desapontado com o desempenho do governo do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, os próximos quatro meses podem ser a redenção ou o desastre do País.

“Demos uma jamanta para Bolsonaro dirigir, mas ele não tem habilidade para isso”

Como a Setin fechou 2018 e quais são as perspectivas para esse ano?
Lançamos quase R$ 500 milhões em empreendimentos no ano passado e começamos a acelerar a compra de terrenos e a aprovação de projetos para 2019. Tínhamos a expectativa de que o Brasil seria como aquele paciente que sai de doença grave e começa a se alimentar e a andar pelo corredor do hospital. Que nasce de novo. Preparamos nosso escopo para um valor geral de vendas de R$ 700 milhões nesse ano. Mas o cenário até o momento não é o que imaginávamos.

Por quê?
Demos uma jamanta para o presidente Jair Bolsonaro dirigir, mas parece que ele não tem experiência e habilidade para isso. O partido do governo não se entende, bate cabeça e há muito fogo amigo. Não há uma coordenação. E quando a própria equipe não está alinhada, passa uma sensação de muita insegurança.

Como esse contexto se reflete no setor imobiliário, que vinha ensaiando uma recuperação?
Os lançamentos seguem indo bem, mas muito mais por conta da demanda reprimida de três, quatro anos. E todos sabem que os preços estão deprimidos, que ainda há muito estoque. Nós, por exemplo, temos cerca de R$ 1 bilhão em estoque. Mas se não houver mudanças, de fato, no cenário político e econômico, essa demanda reprimida começa a se esgotar.

Esse cenário traz alguma influência para os planos da Setin?
Estamos com um pé no acelerador e outro no freio. Se precisar, estamos prontos para parar. Nossa posição é bastante cautelosa. O que antes vínhamos acelerando, agora olhamos com mais critério. Por enquanto, não mudamos nada. Já temos quatro lançamentos que estão dados e continuamos trabalhando como se a curva estivesse alterada para cima. Seguimos otimistas, mas diria que os próximos quatro meses podem ser a redenção ou o desastre para o País.

(Nota publicada na Edição 1121 da Revista Dinheiro)


Mais posts

Supermercado sem sair do sofá

Como fazer compras nos supermercados é um martírio para uma grande parcela da população, os jovens empresários Bruna Vaz Negrão, de 25 [...]

Para colocar o Nordeste na mídia

A G3, empresa de mídia outdoor e indoor, busca a expansão pelo Nordeste. Fundada por Claudio Monteiro em Jaboatão dos Guararapes, na [...]

O ar frio da Nasa

De olho no setor de ar condicionado, que movimenta R$ 4,5 bilhões ao ano, a americana Aerus, sob comando de Joe Urso (à esq.) e a [...]

“A saúde no Brasil, do jeito que está hoje, é insustentável”

O colombiano Juan Carlos Gaona, presidente da Abbott no Brasil, lidera uma das mais importantes operações do laboratório no mundo. Com [...]

A batalha nos apps

A onda de ataques cibernéticos e invasões hackers vem promovendo uma grande batalha dentro do universo digital, incluindo a de publicidade móvel. Dados do relatório divulgado pela Business Insider mostram que no último ano, esse tipo de crime aumentou 800% em todo o mundo, em comparação com o ano anterior. Com o objetivo de intensificar […]

Ver mais

Copyright © 2019 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.