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Democracia no lucro

Saiba quais ações têm maior potencial de valorização com a vitória de Jair Bolsonaro ou de Fernando Haddad

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Na segunda-feira 8, o Ibovespa disparou 4,8% e teve o maior giro financeiro da sua história, de R$ 24,6 bilhões, em um desempenho puxado pelos papéis das estatais. Os investidores foram às compras coma convicção de que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) manterá a vantagem em relação a Fernando Haddad (PT) no segundo turno e subirá a rampa do Palácio do Planalto em janeiro. A avaliação do mercado é de que ele irá promover as reformas necessárias para equilibrar as contas do País, o que tende a refletir em um ambiente de maior confiança para os negócios. “Com a disparada recente da Bolsa, muitas ações subiram rapidamente. Mas algumas ainda estavam bastante descontadas, e por isso têm a possibilidade de responder com maior prontidão aos reflexos da eleição”, diz Karel Luketic, sócio e analista-chefe da XP investimentos.

A conjuntura ainda é incerta. Por isso, DINHEIRO ouviu analistas do mercado para listar quais são os papéis com maior chance de alta nos dois cenários: com a vitória de Bolsonaro ou de Haddad. No primeiro caso, a Bolsa tende a terminar o ano no patamar dos 95 mil pontos, e o dólar, cotado a R$ 3,70. Na segunda hipótese, o Ibovespa pode cair até 75 mil pontos, e a moeda americana avançar para R$ 4,50, no fim de 2018.

Karel Luketic, analista-chefe da XP Investimentos: “Alguns papéis ainda estavam bastante descontadas, e por isso têm a possibilidade de responder com maior prontidão ao reflexos da eleição”

Caso Bolsonaro seja eleito, as ações das estatais seriam as mais beneficiadas, como já mostrou o movimento recente. “Isso aumentaria a possibilidade de privatizações, além de sinalizar a preservação dos cargos de comando das companhias”, diz Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos. A Petrobras é um exemplo dessa dinâmica. Os papéis já subiram 62,5% neste ano, e ainda têm potencial de avançar 33% nos próximos 12 meses. “A manutenção da atual política de preço dos combustíveis é essencial para sustentar essa tendência”, diz Suzaki.

No grupo das estatais, outro destaque é a Cemig, que reflete também a votação estadual. “Com Romeu Zema (Novo) e Antonio Anastasia (PSDB) no segundo turno, os investidores vislumbram a possibilidade de venda da empresa à iniciativa privada, o que eleva o seu preço”, diz Luketic. Os papéis subiram 45% em outubro e têm potencial de valorizar mais 45% nos próximos 12 meses, segundo ele.

Cemig: companhia se beneficia com votação também na esfera estadual. Candidatos que disputam o segundo turno em Minas Gerais são favoráveis à privatização, o que eleva o preço das ações

No médio prazo, as companhias do segmento de varejo, como a CVC, cuja receita responde ao movimento do mercado interno são as que mais devem replicar nos números do balanço a retomada da economia. No setor industrial, também há boas apostas. “Um governo reformista deve refletir na elevação do investimento em infraestrutura, por isso a Usiminas tem grande chance de diminuir a sua atual capacidade ociosa, que hoje está em 30%”, diz Suzaki.

Na outra ponta, com a vitória de Haddad, a lógica é inversa. “É preciso buscar papéis defensivos ou de empresas com a receita atrelada ao dólar”, diz Rafael Passos, analista da Guide Investimentos. De acordo com o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, o mercado pode “estressar” com a vitória do petista, o que poderia levar a moeda americana a R$ 4,50 no fim do ano. Se a alta do dólar pressiona a inflação, também impulsiona o negócio de exportadoras, como a Suzano, que tem 73% da receita proveniente de vendas externas. Com a disparada de 13,5% das verdinhas em 2018, a ação da papeleira já se valorizou 125%, e pode ganhar mais 36% nos próximos 12 meses.

No mesmo setor, a Klabin é a companhia com maior potencial de valorização: 346%. De acordo com Passos, a empresa deve se beneficiar d o lançamento de uma nova linha de celulose marrom a ser lançada ainda este ano, com foco no mercado chinês. Outras opções nesse cenário são o papel da Vale, que tem a China como principal cliente, e a resseguradora IRB, que angariou R$ 37% da receita de R$ 1,9 bilhão do segundo trimestre em outros países. Para fechar a lista, a Raia Drogasil figura como um papel defensivo, com grande parte do faturamento atrelado a medicamentos. “É o tipo de operação que tende a ir bem em qualquer cenário político”, diz Passos.