Dinheiro em Ação

Demanda por seguros beneficia Bradesco

Demanda por seguros beneficia Bradesco

Papéis avulsos

O Bradesco lucrou R$ 6,2 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 22,3% em relação aos três primeiros meses de 2018. A instituição financeira presidida por Octavio de Lazari foi beneficiada pelo crescimento de 22,4% na receita com seguros, previdência e capitalização, que atingiu R$ 3,8 bilhões. Segundo o banco, outra contribuição positiva foi a redução de 1,1 ponto percentual na inadimplência, que caiu para 3,3% em março de 2019, ante 4,4% em igual período do ano passado. A melhoria na pontualidade dos pagamentos teve como destaque as empresas de grande porte. Com a queda nos calotes, o banco pôde diminuir sua provisão para devedores duvidosos em 8,4% na comparação anual, para R$ 3,6 bilhões. E diante do aumento da demanda por crédito das pessoas físicas neste inicio de ano, a carteira de empréstimos do Bradesco cresceu 12,7%, para
R$ 548,2 bilhões. Como nem tudo são flores, também houve alguns números negativos, como a queda de 4,3% na receita de serviços.

 

Aviação

Céu nebuloso para a Gol

Prejudicada pelo dólar e pelo querosene mais caros, a Gol amargou prejuízo de R$ 32,2 milhões no primeiro trimestre de 2019, revertendo o lucro de R$ 142,2 milhões em igual período de 2018. O aumento de 8,3% na receita não foi o suficiente para fazer o balanço ficar no azul. Em função desses números, a companhia revisou a projeção de lucro por ação para 2019, de uma faixa de R$ 2,4 a R$ 2,8 para uma entre R$ 1,2 a R$ 1,8. No ano, as ações da Gol recuam 9,2%.

 

Touro x Urso

O mercado segue em compasso de espera, se debruçando sobre qual a economia a reforma da Previdência poderá prover após as mudanças que devem ocorrer durante as negociações com o Congresso. No entanto, sem fatos novos que poderiam mexer de maneira mais enfática com o preço dos ativos, o Ibovespa tem oscilado próximo da estabilidade nos últimos pregões.

 

Concessões

Menos tráfego nas estradas da CCR

Sentindo os efeitos da lenta recuperação da economia brasileira, a CCR reportou uma queda de 1,2% no tráfego nas rodovias sob sua administração no primeiro trimestre de 2019, ante igual período do ano passado. Ainda assim, a empresa apresentou crescimento de 12% na receita, graças as novas concessões obtidas, como a Via Mobilidade, que controla a linha lilás do metrô de São Paulo. Em 2019, as ações da companhia sobem 4,4%.

 

Destaque no pregão

Resultados do Santander agradam mercado

O lucro do Santander Brasil avançou 22% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2018. O banco presidido por Sérgio Rial lucrou R$ 3,5 bilhões, graças ao aumento da receita de serviços, em especial com cartões e contas-correntes. Também pesou favoravelmente para os resultados do banco a queda de 13% nas despesas com provisões em relação a dezembro de 2018. E apesar do aumento de 10,1% da carteira de crédito em bases anuais, para R$ 310,7 bilhões, o Santander manteve sua inadimplência relativamente estável em 3,1%, com leve alta de 0,2 ponto percentual “Tal evolução pode ser considerada positiva e aponta uma estratégia agressiva de ampliação de fatia de mercado, já que a economia ainda não retomou de forma expressiva”, escreve Pedro Galdi, da Mirae, em relatório. Em 2019, as ações do banco têm valorização de 8,9%.

Palavra do analista:
“Vemos potencial do banco superar nossa estimativa de lucro de R$ 14,4 bilhões em 2019”, escreveu André Martins, da XP. Os resultados do primeiro trimestre não confirmaram a tese da corretora, de que os lucros do banco cresceriam menos que os dos seus pares.

 

Quem não vem lá

JSL desiste do IPO da Vamos

A empresa de logística JSL decidiu cancelar a abertura de capital da sua subsidiária Vamos, que atua com locação de caminhões. A empresa registrou o início do processo na Comissão de Valores Mobiliários no fim de fevereiro. A idéia inicial era fazer a operação no dia 2 de maio, e levantar cerca de R$ 1 bilhão. As “condições de mercado” desfavoráveis foram citadas pela JSL para justificar a desistência. As ações da JSL sobem 48,8% no ano.

 

 

Mercado em números

ELETROBRAS
R$ 1,2 bilhão – É o montante que a Centrais Elétricas Brasileiras vai pagar aos acionistas a titulo de dividendos, correspondente a R$ 1,3886 por ação PNB e R$ 0,8105 por ação ON

JBS
R$ 235 milhões – Foi o valor que a controlada Seara Alimentos pagou para a Adelle para adquirir uma processadora de suínos no município gaúcho de Seberi

RAIA DROGASIL
R$ 90,47 milhões – Foi o quanto a rede de farmácias lucrou de janeiro a março, o que corresponde a uma queda de 17,3% em comparação com o mesmo período do ano passado

MOVIDA
56,1% – O percentual representa o crescimento no lucro líquido da locadora de veículos no primeiro trimestre de 2019, que totalizou R$ 42 milhões

COPEL
13% – Representa o crescimento de energia comercializada pela Companhia Paranaense de Energia no primeiro trimestre de 2019, que totalizou 12.183 GWh

 

Número da semana

0,92%

Foi a variação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em abril, abaixo do 1,92% registrado em março. No ano, a alta acumulada do índice que corrige aluguéis e muitas tarifas públicas subiu 3,10%. Em 12 meses, a variação é de 8,64%, bastante acima dos cerca de 4% do IPCA, que baliza a meta de inflação do Banco Central (BC). A desaceleração do índice no mês passado foi provocada pela redução do ritmo de reajuste dos preços no atacado. O Índice de Preços de Atacado (IPA) registrou uma variação de 1,07% em abril, abaixo do 1,67% registrado no mês anterior, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) na segunda-feira 29. Já a inflação ao consumidor e a da construção civil subiram. O Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,69%, ante 0,58% em março, e o Índice Nacional de Custo da Construção passou de 0,19% em março para 0,49% em abril.

 

 

Entrevista da semana

“O Reino Unido tem muito para investir no Brasil”

Baronesa Rona Alisson Fairhead

Buscando firmar novas parcerias no Brasil, o governo do Reino Unido vai lançar este mês uma linha de crédito que vai financiar os grandes projetos de infraestrutura esperados para acontecer nos próximos meses. Os britânicos vão condicionar a liberação dos recursos à adoção de práticas ecologicamente sustentáveis nas grandes obras. A ministra para exportação e promoção do Reino Unido, baronesa Rona Alisson Fairhead, visitou o País e falou à DINHEIRO:

Como a linha de crédito pode contribuir para os negócios entre Brasil e Reino Unido?
Financiar melhorias nos portos brasileiros para reduzir os custos nos processos de exportação e importação é uma das prioridades do governo no relacionamento com o Brasil. Estamos ansiosos para ver mais colaboração nesta área verde por meio de parcerias, tanto com o setor privado quanto com o público.

Quanto deve ser investido pelo Reino Unido no Brasil?
A UK Export Finance, agência britânica de fomento às exportações, tem uma dotação orçamentária de três bilhões de libras (R$ 15,3 bilhões) para estimular o comércio, e o Brasil sedia o primeiro escritório local na América Latina.

Quanto soma o comércio entre Brasil e Reino Unido?
Após anos de estagnação, em 2018 as transações comerciais entre as duas partes cresceram 4,7%, para 5,8 bilhões de libras. Por sua posição de maior economia latino americana, o Brasil é o destino de 41% das exportações britânicas para a América Latina, mas há potencial para fazermos muito mais.

Qual a visão do governo britânico sobre o mercado brasileiro?
Enxergamos o mercado brasileiro como um bolsão de oportunidades. Ao lado de China e Índia, o Brasil é um dos três países com quem o governo do Reino Unido busca negócios continuamente. No topo da lista de prioridades estão os setores financeiro, de saúde e de energia.