Tecnologia

DELL BUSCA NOVOS CAMINHOS

Nos últimos 19 anos, o americano Michael Dell construiu um gigante. Sua companhia, a fabricante de computadores que leva o seu sobrenome, tornou-se a maior do mundo, com 31% das vendas de PCs. A Dell também trouxe para o conservador mercado de tecnologia um novo modelo de negócio ? a empresa trabalha com estoques mínimos de componentes, faz venda direta para os clientes e não se preocupa em inovações em seus produtos. Costuma pegar aquilo que está à disposição no mercado. Esse modelo garantiu um faturamento de US$ 35 bilhões no ano passado. Agora, Michael Dell quer continuar crescendo, mas em outras direções. O empresário está de olho em áreas que movimentam cerca de US$ 435 bilhões por ano. A idéia é fabricar computadores mais sofisticados para empresas, equipamentos para armazenamento de dados, produtos para redes de computadores e consultoria para grandes corporações. ?Algumas pessoas dizem que somos tão grandes quanto a Wal-Mart?, diz o orgulhoso Dell na comparação com a maior rede varejista do mundo.

A nova postura da Dell a levará para setores onde os negócios são mais tradicionais e resistentes a inovações. Nesse novo mundo a Dell encontrará concorrentes bem consolidados e um público mais seletivo na hora de fazer compras. Nesse universo gravitam marcas como a IBM, Hitachi, Cisco, Nortel e 3Com. Outro detalhe importante que analistas dizem que deve ser levado em consideração é se a lógica do mercado de PCs pode ser aplicada aos negócios tecnológicos das corporações. Um dos motivos responsáveis pela liderança da Dell nas vendas de computadores está relacionado com os custos operacionais da companhia. Na empresa de Michael Dell, esses custos representam apenas 10% do faturamento contra 21% na Hewlett-Packard, outra concorrente. Tudo isso se reflete nos preços finais que influenciam fortemente a decisão de compra dos pequenos usuários.



Sem extras. No caso do mundo corporativo, o menor preço talvez não seja a grande atração. Por exemplo, na área de consultoria a companhia precisará contratar executivos para atender prováveis clientes. Essa mão-de-obra é cara e hoje só pode ser encontrada nos concorrentes. Outro problema: esse é um mercado controlado por marcas tradicionais como a Accenture, a própria HP/Compaq e a IBM, que há poucos meses comprou a parte de consultoria da Price Coopers Waterhouse. A saída seria comprar alguém, mas é algo longe das tradições da Dell. Sobre a questão da qualidade, o dono da companhia americana é claro. ?Nossa comunicação com o cliente é clara e não há custos extras. Não vejo problema em reproduzir esse modelo em outros locais?, diz Dell, que também aposta na fabricação de computadores de mão e impressoras.

Michael Dell quer continuar agradando ainda mais os consumidores que fazem compras nas suas sete fábricas no mundo, uma delas no Rio Grande do Sul. A última decisão da empresa foi o fim da instalação de disquetes em suas máquinas. A partir de agora, como fez a Apple há alguns anos, todos os computadores Dell sairão da fábrica sem o equipamento que faz a leitura desses pequenos discos de memória. A Dell sairá na frente mais uma vez dos concorrentes para se manter na liderança.

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