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Delegação israelense visita o Sudão e alimenta especulações

Delegação israelense visita o Sudão e alimenta especulações

Secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo disse que espera que Cartum normalize "logo" suas relações com Israel - POOL/AFP

As especulações sobre uma normalização das relações entre Israel e as autoridades sudanesas se intensificaram nesta quinta-feira (22), após a visita de uma delegação israelense a Cartum.

Fontes israelenses informaram à AFP, sob anonimato, que uma delegação de Israel visitou Cartum ontem para discutir a normalização das relações entre os dois países. Na capital sudanesa, uma fonte do governo confirmou à AFP a “visita de uma delegação conjunta americana e israelense, que se reuniu com o presidente do Conselho Soberano, Abdel al-Burhan, para discutir a normalização das relações entre Sudão e Israel”.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, reuniu-se nesta quinta-feira com o primeiro-ministro Abdullah Hamdok, que “aplaudiu” os “esforços feitos até agora para melhorar as relações entre o Sudão e Israel”, anunciou seu porta-voz em Washington.

Segundo o jornal mais vendido em Israel, “foi alcançado um acordo entre o chefe do Conselho Soberano, o general Abdel Fatah al-Burhan, e o primeiro-ministro, Abdallah Hamdok, que até agora se opôs à normalização (das relações) com Israel”, escreveu o “Yediot Aharonot”, informando sobre as negociações secretas em Cartum.

O jornal mencionou um possível anúncio nos “próximos dias”, em Washington, por parte do presidente americano, Donald Trump. O general al-Burhan e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, participariam por videoconferência.

O ministro israelense da Inteligência, Eli Cohen, declarou em um veículo de comunicação local que Israel está “muito perto de normalizar suas relações com o Sudão”. Pompeo disse esperar que o Sudão reconheça Israel “em breve”, após a recente normalização das relações entre aquele país, os Emirados Árabes e o Barein.

Cohen já havia falado sobre isso quando garantiu que o Sudão seria o próximo país a normalizar suas relações com o estado hebraico depois dos Emirados e Bahrein.

– Tradição sudanesa –

Desde a queda do governo de Omar al-Bashir, em abril de 2019, o Sudão é liderado por um governo de transição em que militares e civis compartilham o poder até as eleições previstas para 2022.

Este governo de transição enfrenta dificuldades econômicas com uma forte desvalorização da libra sudanesa. Por isso, pediu aos Estados Unidos que retirassem o Sudão da lista de países que apoiam o terrorismo, considerada um obstáculo para os investimentos.

“Os sudaneses não aguentam mais. Inundações, inflação, cortes de energia: o país está de joelhos e o governo está impotente”, afirmou Marc Lavergne, especialista em Sudão do francês Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em inglês).

O pesquisador ressalta que Mohamed Hamdan Daglo – conhecido como “Hemedti”, um ex-chefe da milícia e agora membro central do Conselho Soberano – é a favor de uma reaproximação com Israel.

Trump anunciou na segunda-feira que os Estados Unidos se preparam para remover o Sudão dessa lista, na qual o país africano se encontra desde 1993, em troca de que Cartum pague US$ 335 milhões aos americanos vítimas do terrorismo.

“A transferência para os Estados Unidos do valor da indenização foi feita”, anunciou o governador do Banco Central do Sudão, Mohamed el Fateh Zine el Abidine, na última terça-feira.

Se o Sudão for retirado da lista, poderá atrair mais investimentos ocidentais para impulsionar sua economia.

A normalização das relações com Israel continua sendo, no entanto, um “jogo perigoso” para a transição democrática, aponta um relatório da Brookings Institution, um “think tank” de Washington.

No início deste ano, o anúncio de uma reunião entre o primeiro-ministro israelense e o general Al-Burhan não foi bem recebido pela opinião pública sudanesa, principalmente nos círculos islâmicos.

Washington intensificou a pressão para que Cartum normalize suas relações com Israel antes da eleição presidencial americana em 3 de novembro.

O governo dos EUA garante que não existe um vínculo direto com o levantamento das sanções, mas vários observadores e meios de comunicação indicam o contrário.

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