Economia

Décadas perdidas

O Brasil tinha tudo para protagonizar uma história de ascensão econômica desde os anos 2000, mas erros consecutivos e discussões intermináveis nos deixaram na rabeira do desenvolvimento econômico.

Crédito: Istock

A chegada dos anos 2000 foi um evento cataclísmico em praticamente todo o mundo. Havia nas nações capitalistas um otimismo ratificado pela era do comércio global e o afastamento dos “fantasmas comunistas” que permearam a segunda metade do século anterior. No Brasil não foi diferente. Com uma moeda estável e grande potencial de consumo, o Brasil esquecia tropeços econômicos e políticos de sua história e prometia ser o arauto da era dos emergentes. Passados 21 anos dessa euforia, o resultado foi horroso. Em apenas cinco oportunidades crescemos porcentualmente mais que a média global — a que inclui países ricos que, pela robustez da economia, costumam segurar o índice. Quando comparados ao clube do qual fazemos parte, o de nações emergentes e em desenvolvimento, ficamos abaixo da média deles em 20 dos 21 anos. Resultado fruto de erros diferentes em diferentes governos. Sem mudanças estruturantes, chegaremos ao primeiro terço do século 21 com a mesma defasagem que havia das grandes economias em 1950.

Seja comparado com outras economias em desenvolvimento, com os países mais ricos do mundo, ou com seus vizinhos da América do Sul, o Brasil patinou. E os motivos variam dependendo do ângulo de análise. Especialistas, professores e analistas consultados pela DINHEIRO são unânimes no entendimento de que faltou o papel do poder público para a combustão do crescimento, mas não por ausência de capital, e sim por uma gestão questionável.

Fábio Giambiagi, autor de livros como Capitalismo, Modo de Usar e Rompendo o Marasmo – a Retomada do Desenvolvimento no Brasil é um dos economistas que mais se debruçaram neste tema. Segundo ele, o Brasil apresentou dois pontos de inflexão fiscal nas últimas décadas, uma em 1999 e outra em 2004. Nenhuma delas, no entanto, foi capaz de redirecionar de modo corrente a trajetória da relação dívida pública. Na avaliação do economista, que fez parte do Ministério do Planejamento durante o governo FHC, o Brasil “perdeu o rumo na última década”. E a falta de escolhas claras do atual governo sobre quais pautas investir mais atenção e energia, nos coloca no que ele definiu como “um eterno dia da marmota” — em uma menção ao filme O Feitiço do Tempo, em que a mesma situação se repete todo dia. “A economia brasileira demora para engatar a segunda marcha porque estamos há anos discutindo os mesmos problemas.”

Ricardo Borges

“A economia brasileira demora para engatar a segunda marcha porque estamos há anos discutindo os mesmos problemas” Fábio Giambiagi, Economista.



O resultado é uma capacidade baixa de investimento, já que o Brasil direciona a maior parte dos recursos (cerca de 94% em 2020) a obrigações como folha de pagamento de servidores e previdência social. Para Tiago Sayão, economista e professor do Ibmec-RJ essa falta de investimento, principalmente em infraestrutura, foi um dos principais motivos para que o País não conseguisse acompanhar o crescimento de seus pares emergentes. “Sem isso, setores que poderiam ter puxado para cima a economia, como o agronegócio, não tiveram competitividade no mercado internacional”, disse.

Quando avaliado os países em desenvolvimento, o professor disse que a China foi a única capaz de aproveitar o bom momento e o investimento. “O Brasil ficou na laterna do bloco.” Assim como Giambiagi, o professor do Ibmec entende que a questão tributária sempre foi um inibidor do crescimento, já que limita também o capital privado. A opinião é partilhada por Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veeddha Investimentos. “O governo não tem capacidade de investir, então precisa do capital privado, mas para atraí-lo tem que melhorar o ambiente de negócios, desburocratizar, facilitar isso para que esse investimento chegue e a gente avance.”

Outra forma de olhar o crescimento é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em 1980, o IDH brasileiro era de 0,54 e chegou a 0,76 em 2019 (quanto mais próximo de 1, melhor a qualidade de vida da população). Se essa evolução parece provar que nem tudo deu errado, Camila lembra que não é bem assim. “Há uma melhora constante e consecutiva, mas quando olhamos em termos de ranking, a melhoria dos outros países é muito mais relevante”, disse, citando que estamos na sexta colocação entre os vizinhos da América do Sul. Se continuarmos andando em círculos, o único caminho a ser trilhado é para baixo.

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