Edição nº 1095 09.11 Ver ediçõs anteriores

Debate na RedeTV: as promessas “lamentáveis” de cada candidato

Debate entre os presidenciáveis na RedeTV (Crédito:Divulgação)

Assisti, na noite da sexta-feira 17, à íntegra do debate entre oito presidenciáveis, na RedeTV. Fiquei de olho principalmente nas propostas econômicas, que são a prioridade do blog “Descomplicando a Economia”.

Já falei e escrevi inúmeras vezes sobre a minha tentativa de ser imparcial nas análises eleitorais. Em respeito à sua inteligência, jamais ousarei dizer em quem você deveria votar.

Como os debates são muito repetitivos, vou procurar neste post destacar as propostas que eu considero “lamentáveis”. Coloquei aspas propositalmente, pois é a minha avaliação de que elas são lamentáveis (os candidatos estão listados, a seguir, em ordem alfabética).

Vale lembrar que outros cinco candidatos não participaram do debate devido à regra eleitoral ou a uma decisão judicial, como no caso do ex-presidente Lula (PT). Sendo assim, eu fico impossibilitado de elencar eventuais propostas “lamentáveis” que eles também tenham.

Alvaro Dias (Podemos)
Promessa: criar 10 milhões de empregos e crescer, em média, 5% ao ano
Por que eu a considero “lamentável”: esse tipo de promessa que traz um número mágico de empregos e um índice milagroso de crescimento é populismo econômico, que só serve para iludir o eleitor. Pelo que eu entendi, a premissa dos 10 milhões de empregos é o crescimento acelerado. O candidato não explicou, no entanto, como sustentar uma aceleração média de PIB de 5%, num País com gargalos de infraestrutura, energia e mão de obra qualificada. Não basta crescer. É preciso criar os meios para que o crescimento seja sustentável.

Cabo Daciolo (Patriota)
Promessa: vai reduzir o preço do combustível e do gás de cozinha no primeiro mês do mandato
Por que eu a considero “lamentável”: prometer queda forçada nos preços de qualquer produto sem dizer quem vai pagar a conta é populismo econômico, que só serve para enganar o eleitor. Se a conta for paga pela Petrobras, por exemplo, será um tapa na cara de todos os seus acionistas, além de sufocar financeiramente o caixa da estatal. Se a ideia é colocar a conta no colo do Tesouro Nacional, será o contribuinte quem irá pagá-la através de impostos. Além disso, qualquer intervenção governamental forçada em regras de mercado gera incerteza, afasta investidores e prejudica o crescimento econômico. Seria um retrocesso.

Ciro Gomes (PDT)
Promessa: “alinhar” o câmbio para proteger indústria
Por que eu a considero “lamentável”: o termo “alinhar” está entre aspas porque foi usado pelo candidato. Deduzo que “alinhar” signifique desvalorizar o câmbio para baratear as exportações e inibir a concorrência dos importados. Trata-se de uma ideia ultrapassada e populista, que não funciona em nenhuma economia desenvolvida. A indústria brasileira não precisa de manipulação no câmbio. Ela necessita de infraestrutura eficiente, de menos carga tributária, de juros menores e de um governo que não atrapalhe o ambiente de negócios.

Geraldo Alckmin (PSDB)
Promessa: zerar o déficit fiscal em dois anos
Por que eu a considero “lamentável”: prometer eliminar um rombo fiscal, que permanece acima de R$ 100 bilhões ao ano, em apenas 48 meses é populismo econômico, que só serve para iludir o eleitor. Partindo da premissa de que não há espaço para elevação de carga tributária, as receitas tendem a crescer lentamente nos próximos dois anos ainda que o PIB surpreenda positivamente. Do lado das despesas, os gastos com Previdência Social continuarão aumentando velozmente, enquanto todas as privatizações prometidas não serão feitas em poucos meses. Portanto, zerar o déficit público em apenas dois anos não é factível.

Guilherme Boulos (PSol)
Promessa: revogar a “entrega” do pré-sal às empresas estrangeiras
Por que eu a considero “lamentável”: o termo “entrega” está entre aspas porque foi usado pelo candidato. Defender o monopólio da Petrobras no pré-sal é um populismo econômico que, além de sobrecarregar o caixa da estatal, impedirá a entrada de capital estrangeiro. O Brasil precisa é quebrar, na prática, o monopólio do refino e atrair as grandes empresas internacionais do setor de petróleo.

Henrique Meirelles (MDB)
Promessa: 10 milhões de empregos em 4 anos
Por que eu a considero “lamentável”: esse tipo de promessa que traz um número mágico de empregos é populismo econômico, que só serve para iludir o eleitor. O curioso, neste caso, é que o próprio candidato ressaltou que criou 10 milhões de vagas em oito anos de governo Lula, no cargo de presidente do Banco Central. Porém, não explicou como vai criar o mesmo número de vagas em apenas quatro anos.

Jair Bolsonaro (PSL)
Promessa: gerar empregos “usando órgãos de governo”
Por que eu a considero “lamentável”: o termo “usando órgãos do governo” está entre aspas porque foi usado pelo candidato. Prometer que órgãos do governo vão criar empregos é populismo econômico, que só serve para iludir o eleitor. Governos não criam empregos, exceto se a ideia for inchar a máquina pública. A principal missão do governo para aquecer o mercado de trabalho é criar um ambiente de negócios propício aos investimentos privados, com segurança jurídica e órgãos reguladores desaparelhados do ponto de vista político. O candidato demonstra uma certa dificuldade em explicar suas propostas econômicas.

Marina Silva (Rede)
Promessa: construir 1,5 milhão de casas com placas solares para gerar “milhões e milhões de empregos”
Por que eu a considero “lamentável”: o termo “milhões e milhões” está entre aspas porque foi usado pela candidata. Esse tipo de promessa que traz um número mágico de moradias e uma meta genérica de empregos é populismo econômico, que só serve para iludir o eleitor. Não está em questão aqui a energia sustentável, mas a promessa genérica de empregos e a meta de moradias sem mencionar de onde sairá o dinheiro. Vale lembrar que o rombo nas contas públicas vem superando os R$ 100 bilhões ao ano.


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