Finanças

De volta à pista

Para reter suas bases de segurados e conquistar novos clientes, operadoras apostam em ofertas mais enxutas e serviços que vão além das coberturas tradicionais

De volta à pista

Derrocada nas vendas de carros novos, diminuição da renda e, mais recentemente, queda nos juros. Historicamente marcados pelo alto índice de sinistros e por margens estreitas, os seguros de automóveis enfrentaram obstáculos adicionais nos últimos anos. A sensação, no entanto, é de que o pior já passou. Depois de fechar 2016 com uma queda de 2,4%, o setor arrecadou R$ 33,8 bilhões no ano passado, um crescimento de 6,6%, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Já em janeiro deste ano, o prêmio foi de R$ 2,61 bilhões, um salto de 11,41% ante igual período de 2017.

Mais otimistas, as seguradoras esperam consolidar as inovações que desenvolveram durante a crise, quando tiveram de corrigir o rumo para manter suas carteiras e, ao mesmo tempo, conquistar novos clientes. “Criamos produtos mais adequados ao bolso do consumidor”, diz Marcelo Goldman, diretor da Tokio Marine. Entre outras iniciativas, a empresa lançou um seguro popular para carros com mais de cinco anos, com preços até 50% menores. Em linha com uma nova regulamentação da Susep, uma das opções é o reparo sem a necessidade de peças originais de fábrica. “Cerca de 65% das vendas são para clientes que nunca tinham feito um seguro de carro”, afirma Goldman.

Além de cobrar até 30% menos pelas apólices, a SulAmérica reforçou a oferta de recursos que vão além da cobertura tradicional. O segurado pode contratar, via aplicativo e com até 15% de desconto, serviços de manutenção como troca de óleo, lavagem de motor e higienização dos bancos. Outra opção envolve pequenos reparos, cujo valor de conserto fica abaixo da franquia. O cliente recebe até cinco orçamentos de oficinas credenciadas pela seguradora. “É um leilão reverso, com oficinas de confiança, que disputam esse cliente”, diz Eduardo Dal Ri, vice-presidente de auto e massificados da SulAmérica. Em outra frente, a empresa iniciou, em janeiro, um piloto com 5 mil usuários. O projeto envolve um aplicativo de telemetria, que coleta dados sobre o estilo de direção. A ideia é oferecer descontos, a princípio de até R$ 400, na hora de renovação ou aquisição de um seguro, de acordo com o perfil do motorista.

A Bradesco Seguros também busca melhorar a experiência de seus segurados. No fim de 2017, a companhia lançou o Repare Fácil, programa para o conserto de pequenos danos, como arranhados ou amassados na lataria. Com duração de até quatro horas, os serviços são realizados em um local escolhido pelo próprio usuário. “Os sinistros alcançam cerca de 10% da nossa base”, diz Saint’Clair Pereira Lima, diretor técnico de Auto da empresa. “Se não gerarmos algum tipo de relacionamento com os 90% restantes, é difícil criar um vínculo com esses clientes.” Outra a inovar foi a Porto Seguro. A contratação de um seguro dá acesso a serviços gratuitos, que vão desde reparos em eletrodomésticos até instalação de equipamentos e assistência de informática. “Hoje, somos mais uma empresa de serviços que acaba entregando seguros”, diz Jaime Soares, diretor da Porto Seguro Auto.


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