As Melhores da Dinheiro 2019

De olho no futuro

Vencedora em seu segmento pela segunda vez consecutiva, a Via Engenharia se reestrutura para superar a queda de investimentos em obras públicas e o impacto de ter sido investigada pela Lava Jato

Crédito: Divulgação

Fernando Queiroz, presidente: “Na atual crise e principalmente no nosso segmento, este prêmio tem um destaque muito especial para o grupo via” (Crédito: Divulgação)

Com o setor da construção pesada ainda enfrentando a crise e os impactos causados ao segmento pela Lava Jato, muitas empresas nacionais seguem em dificuldade e lutam para recuperar forças. Algumas das maiores do setor, como Andrade Gutierrez, Odebrecht e OAS, foram obrigadas a realizar cortes profundos e ainda se esforçam para superar as perdas. Com investimentos públicos muito abaixo do esperado para a expansão dos principais modais no País — os aportes federais em infraestrutura estão abaixo de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) —, a tão sonhada reação do setor segue enfrentando obstáculos. Mas há quem consiga resultados positivos.

No ano passado, a construtora que obteve o melhor desempenho nesses tempos difíceis foi a Via Engenharia, vencedora, pelo segundo ano seguido, do prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO no setor de Construção Pesada. “Na atual crise econômica e principalmente no nosso segmento, esse prêmio tem um destaque muito especial para o Grupo Via. É uma forma de reconhecimento por todo o trabalho e empenho que temos realizado”, diz o economista André Tufenkjian, 54 anos, diretor da empresa.

Integrante do Grupo Via, que também inclui a Via Empreendimentos Imobiliários, a companhia tem como maior foco de atuação a construção pesada. Dos doze estados do Brasil em que atua, em nove deles a Via trabalha apenas em grandes obras de infraestrutura. Prestes a completar 40 anos de atividades — a empresa foi fundada em 1980, pelo engenheiro Fernando Queiroz —, a construtora brasiliense é considerada a maior da região Centro Oeste e também foi afetada pelas agruras do setor.

Fernando Queiroz / Empresa: via engenharia / Cargo: presidente / Principal realização da gestão: reestruturar a empresa e mantê-la rentável, apesar da crise que afeta o segmento (Crédito:Divulgação)

Uma das empresas do segmento a ser citada na Lava Jato, a Via Engenharia reduziu seu quadro de funcionários em 30% nos últimos quatro anos. O faturamento caiu de R$ 1,1 bilhão, em 2015, para R$ 630 milhões, em 2017. No ano passado, a empresa registrou mais uma queda no faturamento, indo para R$ 380 milhões, o que representa uma redução de quase 40%. Apesar da baixa, a companhia obteve lucro superior a muitas de suas concorrentes e tem conquistado contratos futuros que indicam dias melhores pela frente.

Um desses contratos refere-se à vitória na licitação para reformar o viaduto do Eixão Sul, em Brasília, que desabou no ano passado. A obra foi orçada em R$ 11 milhões. Nesse caso, a Via apresentou o melhor preço entre as cinco concorrentes, de acordo com o Departamento de Estradas e Rodagens (DER). Segundo a companhia, essa vitória mostra o esforço em apresentar projetos viáveis à iniciativa pública, para se manter no mercado.

Há outras grandes obras sob a realização da empresa, como a duplicação da BR-101, na Bahia, que representa R$ 230 milhões em investimentos, e a participação numa etapa da transposição do rio São Francisco, na Paraíba, que custará R$ 360 milhões. Para os especialistas do segmento, uma das provas da saúde corporativa e financeira de uma construtora é justamente a lista de grandes obras que ela tem em seu currículo. No caso da Via Engenharia, são muitas as realizações dignas de destaque.

Uma delas é conhecida per ter se tornado cartão-postal da Capital Federal: a Ponte Juscelino Kubitschek. Inaugurada em dezembro de 2002, a estrutura tem 1.200 metros de extensão, atravessa o Lago Paranoá e custou R$ 160 milhões (ver foto na página anterior). Outra obra da Via Engenharia em Brasília, a reforma do Estádio Mané Garrincha, realizada em consórcio com a construtora Andrade Gutierrez, colocou a companhia na mira da Lava Jato. Palco de jogos da Copa do Mundo de 2014, o estádio teve sua reforma investigada e, segundo a Polícia Federal (PF), foi constatado superfaturamento. Orçada inicialmente em R$ 600 milhões, a obra teve seu custo final superior a R$ 1,5 bilhão, o que indica sobrepreço de 150%. Em sua defesa, a Via argumenta que a líder do consórcio era a Andrade Gutierrez, a quem cabia a administração do contrato e da execução do projeto.

O caso gerou diversos problemas e dificuldades para a Via. Somando-se a isso a crise que afeta o setor da construção pesada, a companhia foi levada a entrar com pedido de Recuperação Judicial no dia 8 de agosto deste ano. Com o processo em andamento, a direção da empresa não faz comentários sobre o assunto. Mas executivos da Via já declararam que, pela integridade da companhia, vêm desenvolvendo um programa de compliance em todos os níveis de organização e acreditam na recuperação dos negócios.

O objetivo da empresa é sair do processo de recuperação judicial mais sólida do que quando entrou e, assim, seguir realizando grandes obras pelo Brasil. Se a tão esperada recuperação da economia nacional realmente acontecer em 2020, tudo indica que a Via Engenharia estará preparada para voltar aos seus bons tempos. Afinal, a companhia ainda é uma das maiores do País e tem a excelência do seu trabalho reconhecida por todo o setor e por certificados importantes, como o nível A do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-h), o ISO 9001 e o ISO 14001.