Economia

Davos comemora 50 anos à sombra de emergência climática e desordens mundiais

Davos comemora 50 anos à sombra de emergência climática e desordens mundiais

À sombra dos Alpes, da emergência climática e das desordens no mundo: o Fórum de Davos começará sua 50ª edição na próxima terça-feira (21), com o presidente americano, Donald Trump, e a ativista ambiental Greta Thunberg.

Desde 1971, o Fórum Econômico Mundial reúne empresários e líderes políticos na estação de esqui de Grisões, na Suíça, com o objetivo de ser um “centro de reflexão” sobre o futuro.

Como todos os grandes eventos internacionais, é provável que reflita as múltiplas divisões globais. E que melhor maneira de ilustrá-las do que os convidados de seu primeiro dia?

Greta Thunberg, de 17, retorna a Davos pelo segundo ano consecutivo, para convocar a comunidade internacional e empresarial a agir diante da emergência climática.

Ela encontrará Donald Trump, com quem trocou farpas via Twitter e em quem lançou um olhar severo durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. O momento foi imortalizado por uma câmera.

O presidente americano, que também esteve em Davos em 2018, fará seu discurso no mesmo dia em que os senadores americanos iniciarão seu julgamento de impeachment.

Como pano de fundo, estão as tensões entre Washington e Teerã, após o assassinato, por parte dos Estados Unidos, do general iraniano Qassem Soleimani em Bagdá. Ao episódio, seguiram-se represálias e a queda de um Boeing ucraniano acidentalmente abatido pelo Irã.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, que era esperado em Davos, finalmente cancelou a viagem. Já o presidente iraquiano, Barham Saleh, estará presente.

O Fórum Econômico, que dura até sexta-feira, também fará um balanço das ofensivas comerciais e tecnológicas lançadas por Washington.

Alguns dias após a assinatura na quarta-feira de um acordo comercial sino-americano preliminar, marcando uma trégua após dois anos de tensões, o vice-premiê chinês, Han Zheng, vai lider a delegação oficial chinesa em Davos.

– “Desafio existencial” –

Entre outros grandes empresários – incluindo do setor de tecnologia -, vários chineses são esperados, como o fundador da Huawi, Ren Zhengfei.

A gigante chinesa de telecomunicações foi banida dos Estados Unidos. Washington insiste em que seus aliados façam o mesmo, o que vem aumentando o medo de uma “guerra fria tecnológica”.

A Europa será representada, entre outros, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pela chanceler alemã, Angela Merkel.

“Em relação às mudanças climáticas e a muitos conflitos, os Estados Unidos e os líderes da Europa não concordam com as soluções a serem adotadas, mas também em relação à própria natureza dos problemas”, observa o diretor de pesquisa do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), Jeremy Shapiro.

Para os europeus, o clima é “um desafio existencial”, enquanto é apenas uma “mentira chinesa” para Trump.

“Não há nada que sugira uma base sólida para elaborar soluções conjuntas para os espinhosos problemas globais”, disse Shapiro à AFP.

O imposto digital instituído por Paris é outro ponto de discórdia com Washington. O ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, vai-se reunir com o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, à margem do fórum.

– “Nevoeiro e incertezas” –

Em um relatório, o Fórum destaca a insatisfação popular com a falta de estabilidade econômica, com a mudança climática, a perda acelerada de biodiversidade, ou ainda com o acesso desigual à Internet e a sistemas de saúde.

“O mundo não pode mais esperar que o nevoeiro das incertezas geopolíticas e econômicas se dissipem (…) Optar por se manter no período atual, esperando que o sistema volte ao normal, implica o risco de estragar as oportunidades”, observou o analista.

Em Davos, Donald Trump não deve, porém, moderar suas posições sobre comércio, ou política ambiental, antecipa Carlos Pascual, ex-diplomata americano que se tornou vice-presidente da consultoria IHS Markit.

“Ele deve aproveitar esta oportunidade para enviar uma mensagem aos americanos, não à comunidade internacional”, afirmou.

Enquanto Trump aposta em sua reeleição em novembro, “o objetivo será enfatizar para os eleitores nos Estados Unidos que sua prioridade número um na política internacional permanece ‘America First'”, completou Pascual.

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