Economia

“Dada a incerteza política, é um momento de cautela para o investidor”, diz Carlos Kawall, diretor do Asa Investments

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Kawall: "Se o governo se voltar ao discurso das reformas e âncora fiscal podemos ver uma melhora no cenário de investimentos” (Crédito: Divulgação)

Com frequentes quedas na bolsa de valores e altas no câmbio do dólar, o mercado tem demonstrado preocupação sobre o futuro da economia brasileira. Para o Carlos Kawall, diretor do Asa Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional, o momento é de cautela.

“Dada a incerteza política e a recaída populista do governo é um momento de cautela para o investidor. Se o governo se voltar ao discurso das reformas e âncora fiscal podemos ver uma melhora no cenário de investimentos”, explica Kawall, em entrevista concedida hoje na live da IstoÉ Dinheiro.

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O executivo também destacou ainda dois fatores externos que podem influenciar nessa posição mais conservadora do mercado de maneira global: o início da segunda onda da covid-19 na Europa e o resultado das eleições para presidente dos Estados Unidos.

“No ano passado, havia a sensação de que a dívida pública tinha estabilizado e nos próximos anos iria cair. Mas, a pandemia isso mudou. As políticas assistencialistas que foram lançadas deixaram o mercado com dúvidas em relação ao respeito ao teto de gastos e isso tem um impacto negativo”, diz.

Segundo Kawall, a expectativa é que a partir do ano que vem o governo volte para o ajuste fiscal, apesar da preocupação com o ganho de popularidade. Ele ressalta que o teto de gastos é importante por forçar uma priorização em relação aos gastos públicos.

O diretor exemplificou ainda as consequências desse movimento para o investidor. “O empresário que está pensando em fazer um IPO [Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês], por exemplo, pode atrasar esse lançamento por conta da incerteza na recuperação da economia. Ele vai pensar também em reduzir os riscos, então também será adiado os planos de investimento no País.”

Renda Cidadã

Nesta segunda-feira também foi anunciado o Renda Cidadã, novo programa social do governo federal. O projeto será financiado com o dinheiro de precatórios judiciais (dívidas do governo) e recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Kawall explica que os recursos do Fundeb, pela legislação em vigor, ficam fora do teto de gastos, o que pode ser visto como uma forma de contornar essa legislação. “Surpreendeu a ideia que o governo tentaria incluir essa possibilidade. Surpreendeu mais ainda a ideia de jogar o pagamento dessas dívidas mais para frente e ainda assim gastar mais com algum programa.”

De acordo com o economista, o mercado reagiu mal ao anúncio pela preocupação com o não cumprimento do teto de gastos.

Enquanto o mercado externo apresentou apetite ao risco, com Dow Jones subindo 1,51% e Nasdaq registrando alta de 1,87%, os investidores da B3 apresentaram baixo interesse após o anúncio do governo. Reflexo disso foi o Ibovespa recuando 2,41%, abaixo dos 95 mil pontos, e atingindo o menor patamar desde o fechamento de 26 de junho.

“Deixar a âncora fiscal de lado para gastar mais pensando que essa será a solução para recuperar a economia é repetir um erro achando que o resultado será diferente na segunda vez”, finaliza.

 

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