Cultura, sua principal arma em uma crise

Cultura, sua principal arma em uma crise

Empresas vivem em um mundo de desafios e potenciais crises que ameaçam seus resultados, projetos e imagem. Há produtos que falham, prestadores terceirizados que cometem erros, decisões de colaboradores que não representam os valores da empresa, posicionamentos equivocados na mídia, pandemia. Toda empresa está sujeita a crises e seus desdobramentos – mas nem todas estão preparadas para lidar com isso.



Quando o mar fica revolto e as ondas ameaçam virar o barco, a bússola ainda é importante, mas o time e o capitão são fundamentais. É nessa hora que o investimento na construção de uma cultura organizacional sólida e uma equipe apaixonada fazem toda a diferença. Esse é o momento em que esse investimento se paga com retorno infinito.

Em situações de crise, sentimentos e desafios têm o potencial de abalar a empresa por dentro e por fora, incluindo colaboradores, lideranças, parceiros, fornecedores, investidores e demais stakeholders. A cultura organizacional calcada em valores como ética, transparência e responsabilidade é essencial nessa hora. Esses valores precisam ser atributos da marca, devem estar no discurso do dia a dia, nos treinamentos, nos processos seletivos, nas decisões da companhia, nos compromissos das equipes. É essa constância que contagia os colaboradores e mostra a todos os atores da cadeia de valor que isso não é só papo de manual de empresa.

Manter o espírito de união e de confiança no propósito e nos valores da companhia por meio de uma comunicação direta é fundamental para que os times se sintam seguros. Uma comunicação periódica, aberta e forte faz com que as pessoas saibam o quanto a empresa está empenhada em esclarecer a questão e o que será feito dali por diante. Assumir a narrativa dos fatos mostrando aos times e aos stakeholders que a liderança segue firme na condução das operações e no esclarecimento das questões atesta o interesse genuíno na resolução das dúvidas. O tratamento transparente transforma os colaboradores nos principais embaixadores do posicionamento da companhia.

Empresas com cultura organizacional bem estruturada são menos abaladas por tempestades, têm maior capacidade de inovação para dentro e para fora, e desenvolvem uma resiliência corporativa forte tal qual bambu. Vimos muitas empresas se reinventarem durante a pandemia, flexibilizando ou transformando seu modo de trabalho e mantendo, ainda assim, sua identidade, seus valores e a integração dos times. Mais do que nunca, a humanização da gestão, o olho no olho, o espaço para a colaboração de todos e a capacidade de escuta se mostraram essenciais.



Uma parte do planejamento que ganha ainda mais protagonismo em momentos críticos é a própria gestão da crise. É preciso enfatizar que a gestão de crise também pode ser planejada, estruturada para funcionar quando as coisas saem do lugar. A tripulação precisa saber o que fazer e os fluxos de comando precisam estar definidos. Isso também deve fazer parte da cultura da empresa e da preparação dos gestores e de todos os colaboradores. Procedimentos, reuniões, comunicados, tudo sendo pensado à luz do que a companhia deve preconizar como essencial e inalienável: transparência, ética e responsabilidade.

A sua empresa tem cuidado da sua cultura organizacional? Dedique tempo, priorize esse aspecto, sinalize para seus gestores que isso é relevante. Esse investimento de longo prazo mostra o seu retorno garantido quando menos se espera.

 

 

 


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Sobre o autor

Heverton Peixoto é CEO-Presidente da Wiz. Graduado em Engenharia Civil, com MBA em Corporate Finance no Insead, foi consultor da Mckinsey & Company de 2008 a 2013 em projetos estratégicos no mercado bancário e de seguros da América Latina.


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