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Cronologia da revolta dos “coletes amarelos” na França

Cronologia da revolta dos “coletes amarelos” na França

(Arquivo) Na passeata dos 'coletes amarelos', uma foto do presidente francês, Emmanuel Macron (centro), de cabeça para baixo, em 21 de setembro de 2019, em Bordeaux - AFP/Arquivos

O movimiento dos “coletes amarelos” nasceu há um ano na França em resposta à alta do preço dos combustíveis, mas nació hace un año en Francia en respuesta al alza del precio del combustible, mas suas reivindicações foram ampliadas, exigindo maior justiça social e fiscal.

Estas são as princiais datas desse movimento inédito sem líderes nem estrutura que começou nas redes sociais e que continua um ano depois, mesmo que os protestos tenham perdido a força.

– 18 de outubro: “Senhor Macron” –

“Tenho uma mensagem para o senhor Macron”. Em um vídeo publicado no Facebook, uma mulher denuncia a suposta perseguição do presidente francês aos motoristas.

“Nem todos nós vivemos nas cidades, eu dirigo 25.000 quilômetros por ano, não tenho outra opção além de usar meu carro”, diz indignada Jacline Mouraud, moradora da Bretanha (noroeste) e mãe de três filhos.

Se vídeo viralizou. Em poucos dias foi visto por mais de 6 milhões de pessoas. Os chamados para manifestação com coletes amarelos, obrigatórios nos veículos de estrada na França, começaram a se multiplicar nas redes sociais.

– 17 de novembro: primeira mobilização nacional –

Em 17 de novembro de 2018 cerca de 300.000 pessoas, vestidas com coletes amarelos, bloquearam estradas, praças e pedágios em toda a França.

O primeiro dia de ação nacional desse coletivo de protestos acaba com um morto e 227 feridos.

O movimento se manifesta inicialmente contra a alta do preço da gasolina e a perda do poder de compra, mas rapidamente direciona suas reclamações para a política econômica e social de Emmanuel Macron.

– 1 de dezembro: Arco do Triunfo vandalizado –

O terceiro sábado consecutivo de protestos tem confrontos violentos e várias cidades, principalmente em Paris.

O Arco do Triunfo é vandalizado e sua cobertura é ocupada por várias horas por um grupo de arruaceiros. As imagens de violência dão a volta ao mundo.

Os Champs-Elysées, com a avenida mais famosa da capital francesa, se transforma em campo de batalha, com carros queimados e confrontos entre os manifestantes e a polícia.

– 10 de dezembro: Macron estende a mão –

Depois de suspender por um ano a alta dos combustíveis, Emmanuel Macron anuncia um aumento do salário mínimo de 100 euros, na tentativa de estender a mão aos franceses com um orçamento que não consegue chegar ao final do mês.

Em um discurso transmitido pela televisão, o presidente francês, muitas vezes visto como “arrogante” e “desconectado da realidade” dos trabalhadores, faz um “mea culpa” e diz entender a “cólera profunda” dos franceses.

– 15 de janeiro: grande debate nacional –

Emmanuel Macron lança um grande debate nacional de dois meses com o qual o governo espera canalizar a ira dos manifestantes e fazer surgir propostas concretas.

Os franceses podem falar de suas preocupações e propostas em reuniões organizadas voluntariamente por prefeitos, associações ou cidaddãos em todo o país.

– 16 de março: saque nos Champs-Elysées –

Após uma semana de queda, o movimento cobra um novo impulso através de uma grande manifestação em Paris com confrontos com a polícia, saques de lojas e incêndio de barricas nos Champs-Elysées.

O poder executivo anuncia dois dias depois a destitução do chefe da polícia de Paris e a proibição de manifestações em bairros “mais delicados” se tiverem a participação de “black blocs”.

A multa por participar em uma manifestação não autorizada é de 38 a 135 euros.

– 25 de abril: novos anúncios –

Emmanuel Macron anuncia uma série de reformas, que incluem um corte no imposto de renda, a indexação generalizada das aposentadorias à inflação e o abandono de seu plano de reduzir o número de funcionários públicos.

O grande debate mostrou que existe entre os franceses “um profundo sentimento de injustiça fiscal”, disse o presidente francês.