Sustentabilidade

Crítica do chefe da diplomacia europeia a ambientalistas gera indignação

Crítica do chefe da diplomacia europeia a ambientalistas gera indignação

(Arquivo) O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell - AFP

Mil pessoas que protestaram contra as mudanças climáticas nesta sexta-feira (7) em Bruxelas, convocadas pela organização “Youth for Climate” (Juventude pelo Clima), aproveitaram para criticar os comentários do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, sobre a “síndrome Greta”.

Borrell, de 72 anos, causou revolta ao fazer este comentário depreciativo na quarta-feira durante um debate público no Parlamento Europeu.

“Está muito bem sair para protestar contra as mudanças climáticas até que te peçam para pagar”, declarou, sugerindo que os jovens que vão às ruas não são conscientes da complexidade da transição energética. Isso “pode se chamar de ‘síndrome Greta'”, acrescentou.

“Estes jovens são conscientes do quanto estas medidas vão custar?”, questionou o ex-ministro de Relações Exteriores espanhol.

Na sexta-feira, após a polêmica provocada pelos comentários, Borrell tuitou uma mensagem dando “total apoio” aos movimentos de jovens que lutam contra as mudanças climáticas e que “inspiram políticos e sociedades”.

O grupo de eurodeputados dos Verdes, que divulgou um controverso vídeo, exigiu a Borrell que dê uma explicação completa na semana que vem, durante uma sessão plenária no Parlamento de Estrasburgo.

“Estes comentários (…) são inaceitáveis da parte de um representante da UE”, acrescentaram estes deputados no Twitter.

Na manifestação desta sexta em Bruxelas, da qual participaram mil pessoas, segundo a Polícia, as declarações de Borrell caíram mal.

Anuna De Wever, líder da mobilização dos estudantes na Bélgica, considerou “completamente ridículo” que um dirigente europeu fale de custos neste sentido.

“Todos os cientistas dizem que se não fizermos nada, custará muito mais caro”, disse à AFP a jovem de 18 anos.

A geração que se manifesta é totalmente consciente de que o futuro sem energias fósseis tem um preço, completou De Wever. “Evidentemente queremos pagar esse preço”, afirmou.