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Crise no Afeganistão pode afetar a economia no Brasil? Entenda

Crédito: IOM/Muse Mohammed

Família de afegãos cruza fronteira próxima com o Paquistão (Crédito: IOM/Muse Mohammed )



Após a tomada de Cabul (capital do Afeganistão) pelo Talibã neste domingo (15), o grupo retomou ao poder após ter sido retirado por forças militares lideradas pelos Estados Unidos em 2001.

Com isso, países ocidentais aceleraram a saída de funcionários e cidadãos do Afeganistão, além de o próprio presidente, Ashraf Ghani, também tentam deixar o país.

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Diante da crise instaurada, será que é possível atingir outras economias pelo mundo ou o Brasil? Na opinião do professor Leonardo Paz, do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional (NPII) da Fundação Getulio Vargas (FGV), isso não deve ocorrer.



“O efeito deverá ser quase imperceptível. o país tem uma economia pequena e não tem relevância internacional em nenhum setor. O pior impacto seria na integração regional, mas tradicionalmente os países já evitam passar com seus projetos de infraestrutura pelo país dada a situação que ele está desde 2001”, explica Paz.

Brasil e exportações
O professor da FGV também afirma que o Brasil não será impactado economicamente, já que praticamente não tem relação comercial significante com o Afeganistão.

Outra questão relevante sobre a crise são os refugiados. “Muito provavelmente os fluxos mais densos serão na própria região, para os países vizinhos. A população afegã já é empobrecida e tem poucos recursos para longas viagens. Crises no Norte da África e no litoral do Oriente Médio que costumam ter fluxos mais acentuados dada a proximidade com a Europa e pela vantagem do transporte marítimo. Não é o caso do Afeganistão”, diz Paz.


É possível ter refugiados do Afeganistão no Brasil?
Para o professor, não deverá haver fluxos imigratórios intensos para o Brasil. “Tenho a impressão que se houver algum refugiado no Brasil será tão residual que o governo não deverá se preocupar muito, o Brasil não está no ‘roteiro’ dos principais países receptores de refugiados e estamos muito distantes também”.